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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 12/09/2018. Alterada em 12/09 às 01h00min

A trágica falência do Ensino Médio exige providências

Mesmo dando-se um bom desconto para o fato de que as tecnologias têm avançado com uma rapidez jamais antes verificada, o Brasil não pode aceitar passivamente o diagnóstico de que o Ensino Médio faliu no País. Além do chamado analfabetismo funcional, agora temos jovens que completaram o Ensino Médio com poucos conhecimentos gerais, não sabendo alinhavar frases consistentes e com dificuldades de leitura. O trágico na divulgação dos dados oficiais é que sete estados, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Bahia, Rio de Janeiro e mesmo o poderoso São Paulo, além do Distrito Federal, tiveram queda nos resultados do Ensino Médio dentro do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é o principal indicador sobre a qualidade do ensino no Brasil.
Os dados do Ideb 2017 indicam também que, ao considerarmos todo o País, somente os anos iniciais do Ensino Fundamental alcançaram as metas intermediárias definidas para o ano passado. O mais constrangedor foi ficar sabendo que sete de cada 10 alunos do Ensino Médio têm nível insuficiente em português e matemática, segundo o Ministério da Educação. Aquilo que muitas famílias brasileiras sabiam pelo acompanhamento de filhos e netos acabou sendo agora um dado reconhecido, o Ensino Médio está falido e não agrega novos conhecimentos, principalmente nas áreas fundamentais de matemática e português.
Que as escolas brasileiras não conseguem fazer frente à maioria de suas congêneres estrangeiras não é novidade. Surpreendente é o quão distante as salas de aula daqui estão de um ensino minimamente decente - sim, decente é a palavra. É o próprio Ministério da Educação quem indicou que uma minúscula fração dos estudantes detém o conhecimento esperado para a série que estão cursando.
A verdade é que o Ensino Médio aplicado atualmente não é atrativo a um número considerável de jovens, que acaba abandonando os estudos. Os que persistem dizem, pesquisa após pesquisa, que não veem sentido no que estão aprendendo. Temos uma fórmula velha, que se pretende inclusiva, mas que, na verdade, é uma grande produtora de desigualdades. Além disso, com os olhos grudados nas telas dos telefones inteligentes trocando mensagens supérfluas, os alunos pouco estão lendo e escrevendo nos dias atuais. A tecnologia que os cerca torna enfadonhas boa parte das aulas.
Enquanto os apelos externos só aumentam, na razão inversa do interesse dos jovens temos a repetição de dados que, para eles, pouco importam. Mesmo que os professores façam o seu melhor para tornar interessantes as suas aulas, não podem ou não conseguem competir com o mundo tecnológico que cerca a tudo e a todos e, a cada mês ou semestre, mostra uma outra novidade. Mais bonita, mais rápida e mais interessante, tornando a luta desigual entre eles e os seus alunos.
A reforma para o Ensino Médio visa justamente facilitar as escolhas com múltiplas possibilidades de os alunos cursarem e frequentarem os currículos pelos quais demonstram maior interesse. Não se pode mais esconder que as disciplinas escolares devem se voltar, doravante, para o mundo atual e que interessa aos jovens. Fora disso, será uma perda de toda uma geração envolvida por tudo o que é apelo externo. E, lastimavelmente, somente fora das salas de aula. Estudo mostra ainda que 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o Ensino Médio, desempenho que deixa o Brasil atrás de vizinhos como Argentina, Chile e Colômbia. Isso não pode continuar, pelo bem do futuro do Brasil. Só a educação impulsionará o País.
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