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Porto Alegre, terça-feira, 21 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Edição impressa de 21/08/2018. Alterada em 21/08 às 01h00min

O drama sem fim dos refugiados venezuelanos

Já tivemos, e ainda temos, muitos problemas socioeconômicos no Brasil. Em outros países da América do Sul, igualmente. No entanto, a atual situação da Venezuela, obrigando a que milhares deixem o país vizinho, a maioria rumando para o Brasil, é algo não só inusitado como beira a uma crise humanitária antes só vista em regiões da África e da Ásia.
O excesso de venezuelanos acampados, centenas nas ruas, na pequena cidade de Pacaraima, estado de Roraima, acabou explodindo. Foi após o assalto a um empresário, atribuído a quatro venezuelanos, que cerca de 2 mil moradores atacaram imigrantes instalados em calçadas e terrenos baldios, queimando suas barracas e destruindo seus pertences. Com o ataque, 1,2 mil cidadãos da Venezuela foram obrigados a voltar a seu país. A reação dos residentes brasileiros foi desproporcional, mas, segundo observadores, era inevitável, após meses de pequenos conflitos. Pacaraima, que é rota de milhares de venezuelanos que fogem da crise humanitária em seu país, extrapolou com violência no último sábado.
Depois dos atos de violência e da situação precária da prefeitura local e do governo de Roraima para atender aos refugiados em condições pelo menos razoáveis, o presidente Michel Temer (MDB) enviará médicos e 120 homens da Força Nacional para a região fronteiriça, além de prometer construir um abrigo para os imigrantes fora de Pacaraima. Um embate político dificulta uma solução para o problema. O Planalto avalia que a governadora de Roraima, Suely Campos, que disputa a reeleição, tem incitado a população a hostilizar os imigrantes.
Suely, por sua vez, nega a informação e avisou que estuda medidas judiciais para cobrar mais ações da União em Pacaraima e no resto do estado. E a expectativa é que a situação na Venezuela piore a partir desta segunda-feira, quando entrou em vigor uma nova moeda, com corte de cinco zeros, em uma tentativa de conter a inflação que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), pode chegar a 1.000.000% em 2018.
O presidente Nicolás Maduro anunciou também um pacote de medidas que inclui o chamado "Madurazo", que é o corte de cinco zeros da moeda local, que se chamará bolívar soberano.
Porém o governo define o atual momento de ponto de inflexão. Maduro continua culpando os Estados Unidos pela atual situação da Venezuela, prometendo desmontar a perversa guerra do capitalismo neoliberal. Segundo as autoridades da Venezuela, haverá um novo redesenho da política fiscal e tributária do país, incluindo subsídios para a gasolina, reajustada em quatro pontos percentuais, e a definição de câmbio único, que flutuará de acordo com as definições do Banco Central venezuelano.
O contraste para a situação econômica que está atormentando a Venezuela é que o país tem as maiores reservas mundiais de petróleo. Mesmo assim, tudo está mal, e o desemprego chegará a 36% da população em 2022, ainda segundo o FMI. Superar a grave crise econômica, social e política será o maior desafio de Maduro. O que se passa na Venezuela também preocupa os países vizinhos, que estão enfrentando uma crise humanitária na região, pois eles não têm estrutura para absorver os milhares de venezuelanos que fogem da hiperinflação e do desabastecimento.
Que a crise dos venezuelanos que buscam fugir para Brasil, Equador e Colômbia sirva de reflexão para esses três países. Que ações sejam tomadas para que medidas atenuantes diminuam pelo menos os déficits fiscais e com mais investimentos, especificamente no Brasil. Talvez, assim, os problemas não cheguem a esse ponto.
 
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