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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Edição impressa de 30/07/2018. Alterada em 30/07 às 01h00min

A insegurança assusta demais todos os brasileiros

A comparação já foi feita, mas é inevitável: a insegurança que atinge o Brasil, o Rio Grande do Sul obviamente incluído - com abigeato, o roubo de gado, e assaltos a fazendas sendo corriqueiros no Estado - antes só era vista em filmes que mostravam a bandidagem que tomou conta dos Estados Unidos, quando da Lei Seca. Por meio dela, o governo norte-americano proibiu a venda e o consumo de bebidas alcoólicas.
Destilarias clandestinas e a luta armada pelo poder sobre o lucrativo, mesmo que combatido, negócio acabou com enfrentamentos mortais. Salientou-se, na época, a figura de Al Capone, que liderava o comércio de bebidas. Acabou preso não por crimes de morte, mas por sonegação de impostos. Morreu durante o cumprimento da pena.
No Rio Grande do Sul, agora, temos "crimes cinematográficos" contra agências bancárias, principalmente no interior do Estado. Mas o pior são as execuções, à luz do dia, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Criminosos perderam o medo, atacam em grupo e metralham veículos em vias públicas movimentadas, não poupando vidas, a maioria desafetos no rendoso comércio das drogas, praga do século XXI.
Mas a insegurança, não apenas mais uma sensação, alarma até mesmo o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Para ele, o Brasil carece de uma política nacional para o setor. Sentenciou o que a maioria dos brasileiros reclama que o sistema penitenciário é um dos maiores problemas da violência e que o Rio de Janeiro vive uma metástase, com o domínio do crime organizado.
É verdade, falta, no País uma política nacional. Tivemos sete Constituições e nunca conseguimos dar um rumo unificado para a segurança pública, responsabilidade dos estados. Assim, há um federalismo acéfalo, e a segurança pública carece de rumo.
Quanto ao sistema penitenciário, autoridades afirmam que o Brasil está criando um monstro para nos devorar. Informes oficiais dizem que há cerca de 70 facções criminosas no País, a maior parte presente nas cadeias superlotadas. Quando entra no presídio, o jovem, para sobreviver, tem de fazer um juramento e entrar para uma facção.
Como sempre, há falta de recursos e de uma política nacional de prevenção. Só a repressão parece interessar, mas o coração da tragédia está localizado em uma juventude de periferia de 15 a 24 anos. Eles têm três vezes mais capacidade de matar e morrem três vezes mais. Têm baixa educação, pouca renda e, geralmente, vêm de lares desagregados.
Mas não há solução mágica, e a melhor prevenção seria o combate às facções criminosas que agem dentro e fora dos presídios brasileiros. O fato é que o crime organizado ameaça as instituições, a sociedade e o Estado. É preciso focar na juventude com programa de prevenção social, com a atividade forte do governo.
Mais educação, famílias constituídas, escolas e bons exemplos, de cima para baixo, combatendo a corrupção. Em pouco tempo, o País estará gastando com segurança pública em torno do R$ 1 bilhão por dia. Mais ainda, temos códigos em que a impunidade prevalece, pelas entrelinhas e filigranas jurídicas.
Por isso, dados oficiais dizem, hoje, que a chance de quem mata alguém ir para a cadeia é de apenas 5%. Piorando o quadro, todos os anos, temos um estoque de 20 milhões de crimes que entram no sistema Judiciário. Como o Estado está organizado para lidar com isso? O povo não aguenta mais tanta criminalidade.
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