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Porto Alegre, terça-feira, 03 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 03/07/2018. Alterada em 03/07 às 01h00min

País precisa de novos acordos comerciais globais

O mais do que extrovertido presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem disparado frases até grosseiras inclusive para aliados tradicionais do seu país. Dita normas, manda recados por redes sociais e ameaça quem não segui-las, especialmente no comércio entre os países.
Por isso, o Brasil - que não é atingido, não totalmente ainda, pela guerra comercial entre os EUA e a China, nem por uma incipiente irritação de Trump com a União Europeia - deve aproveitar as lacunas que vão sendo abertas, em termos de compra e venda de produtos.
Acordos comerciais, então, podem e devem estar prontos para serem fechados com outros blocos, como a União Europeia (UE) e países da Ásia, por exemplo. É que a configuração do Brasil abre espaço para negociação com diferentes interlocutores.
Mas, é preciso andar com cautela em meio a essas placas tectônicas, segundo disseram, com razão, alguns ministros em Brasília. Há, sim, possibilidade de se fechar um acordo que não seja tão ambicioso com a UE, mas que pelo menos seja semelhante ao que foi firmado pelos europeus com o México e Canadá.
O problema é que, passados inéditos 20 anos de negociações, a União Europeia não quer abrir seus mercados ao Mercosul, pressionada pelos produtores locais, principalmente os agropecuaristas de vários países, que não têm, exatamente, os mesmos interesses comerciais.
Por isso é bom saber que o governo federal está abrindo ou renovando diálogos com a Coreia do Sul, Singapura e Vietnã, que têm forte dependência da China, e querem reverter esse quadro.
Hoje, o frango brasileiro está bloqueado pela China, com graves prejuízos para Santa Catarina. Porém, a nossa situação política interna, muito confusa e com o presidente da República sendo alvo de denúncias, fragiliza a posição do País nos fóruns internacionais.
Por isso, não é de se estranhar quando a Organização Mundial do Comércio (OMC) critica a política comercial adotada nos últimos anos pelo Brasil, com desembolsos bilionários e isenções tributárias, pois ela prejudica a integração do País no mercado internacional e cria distorções na competitividade da indústria nacional, segundo a entidade.
A avaliação da OMC conclui que o mercado brasileiro ainda é relativamente fechado, que os produtos industrializados não conseguem competir no exterior, que a proteção às empresas locais minou a economia e que hoje o País tem um papel marginal no comércio de manufaturados.
Convenhamos, é uma crítica muito dura vindo de uma entidade que observa e faz comentários periódicos acerca das transações comerciais mundo afora. Mas, não se pode negar, essa tem sido a realidade. Porém, não podemos nos curvar a certas políticas as quais, no fundo, são ditadas justamente pelos países mais ricos e industrializados e que, eles sim, querem o predomínio nas vendas globalizadas.
Pois enquanto aqui fazemos muitas concessões, o pragmático Donald Trump quer total preferência ao que é fabricado lá, criticando e ameaçando fábricas que se transferiram dos EUA para o exterior em busca de custos mais baixos.
Porém, deixaram um vácuo de postos de trabalho, de empregos, nos Estados Unidos. Isso, para Trump, é imperdoável. Neste caso, ele tem razão. Os interesses dos EUA sempre em primeiro lugar.
 
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