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Israel

- Publicada em 21h16min, 05/04/2021.

Julgamento de Netanyahu por corrupção é retomado em Israel

Premiê é acusado de corrupção, fraude e abuso de poder em três casos

Premiê é acusado de corrupção, fraude e abuso de poder em três casos


ABIR SULTAN/POOL/AFP/JC
Enquanto as lideranças políticas de Israel se reúnem para negociar a formação de um governo e tentar colocar um fim à crise política no país, o julgamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi retomado nesta segunda-feira (5). O premiê é acusado de corrupção, fraude e abuso de poder em três casos.
Enquanto as lideranças políticas de Israel se reúnem para negociar a formação de um governo e tentar colocar um fim à crise política no país, o julgamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi retomado nesta segunda-feira (5). O premiê é acusado de corrupção, fraude e abuso de poder em três casos.
As audiências do julgamento foram repetidamente adiadas nos últimos meses por causa da Covid-19, mas puderam ser reiniciadas em Jerusalém após a flexibilização das medidas de contenção da pandemia. O processo é considerado fundamental para a sobrevivência política do premiê.
Há 15 anos no poder, Netanyahu é o primeiro chefe de governo da história de Israel a ser julgado durante o exercício do cargo. O primeiro-ministro está sendo julgado em três casos distintos. Em dois deles é acusado de tentar garantir coberturas favoráveis em meios de comunicação locais em troca de favores do governo. No terceiro caso, Netanyahu e membros de sua família são suspeitos de terem recebido presentes - charutos de luxo, garrafas de champanhe e joias - de famosos em troca de favores financeiros ou pessoais.
Netanyahu se diz inocente das acusações, afirmando que não passam de uma "caça às bruxas" para tirá-lo do governo. Ele compareceu ao tribunal em Jerusalém de máscara, sendo recebido por manifestantes antigoverno e apoiadores, e permaneceu na sessão por cerca de uma hora, saindo antes dos depoimentos das testemunhas começarem.
A promotoria acusa o primeiro-ministro mais longevo de Israel de usar "o grande poder do governo que lhe foi conferido para, entre outras coisas, demandar e obter benefícios impróprios dos donos de importantes mídias de Israel para avançar seus assuntos pessoais".
"A relação entre Netanyahu e os réus tornou-se uma moeda de troca, algo que podia ser negociado", afirmou a promotora Liat Ben Ari em seu discurso inicial. "Isso pode distorcer o bom-senso de um servidor público."

Caso 4.000

Os procedimentos do julgamento desta segunda-feira são centrados no chamado Caso 4.000, no qual Netanyahu é acusado de apoiar legislações que favoreceriam a gigante midiática Bezeq em troca de cobertura positiva no site de notícias do grupo, o Walla.
Em janeiro, procuradores apresentaram 315 casos em que se pediu para o site amenizar o tom da cobertura sobre o premiê e sua família - 150 deles envolveriam Netanyahu diretamente. O diretor executivo da Bezeq, Shaul Elovitch, afirma a acusação, exerceu "pressão pesada e contínua" em seu ex-editor-chefe, Ilan Yeshua, para mudar reportagens.
"Os Elovitches me pediram para não deixar os editores saberem que a razão para os pedidos era relacionada com mudanças regulatórias iminentes", disse Yeshua, afirmando ter sido "inundado" pelas demandas vindas da chefia da Bezeq e que os pedidos causavam brigas diárias na redação. Durante o depoimento, a mulher de Shaul Elovitch, Iris, que também nega as acusações, interrompeu Yeshua, gritando: "Quantas mentiras você pode contar?".
Em paralelo, Netanyahu é acusado também de ter recebido charutos, champanhe e joias no valor de 700 mil shekels (US$ 197 mil) de pessoas ricas em troca de favores financeiros ou pessoais. Em outra acusação ele também é julgado por supostamente tentar orquestrar a cobertura favorável em um dos principais jornais do país, o Yedioth Ahronot, em troca de legislações que suspendessem a distribuição gratuita de um dos rivais da publicação, o Israel Hayom.
O julgamento, que começou ano passado, pode durar até dois anos. Se for condenado por suborno, o premiê fica sujeito a penas de 10 anos de prisão. As condenações por fraude e abuso de poder, por sua vez, podem lhe render até 3 anos de reclusão.
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