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Estados Unidos

- Publicada em 08h54min, 30/01/2021. Atualizada em 17h44min, 31/01/2021.

Governo Biden deve receber pressão interna pelo fim das restrições a países como o Brasil

Aproximadamente 12% dos estudantes estrangeiros nos EUA são chineses; brasileiros compõem 5%

Aproximadamente 12% dos estudantes estrangeiros nos EUA são chineses; brasileiros compõem 5%


SPENCER PLATT/GETTY IMAGES/AFP/JC
O novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltou a proibir no dia 26 de janeiro, através de uma ordem executiva, a entrada da maioria de viajantes não norte-americanos e não residentes nos EUA que chegam de Brasil, Reino Unido, Irlanda e outros 26 países europeus do Espaço Schengen. Da mesma forma, passageiros que recentemente tenham viajado à África do Sul estão vetados. Desde maio de 2020, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) vetou a entrada de viajantes internacionais (com raras exceções) provenientes destes países, que concentram grandes focos de infecções por Covid-19.
O novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, voltou a proibir no dia 26 de janeiro, através de uma ordem executiva, a entrada da maioria de viajantes não norte-americanos e não residentes nos EUA que chegam de Brasil, Reino Unido, Irlanda e outros 26 países europeus do Espaço Schengen. Da mesma forma, passageiros que recentemente tenham viajado à África do Sul estão vetados. Desde maio de 2020, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) vetou a entrada de viajantes internacionais (com raras exceções) provenientes destes países, que concentram grandes focos de infecções por Covid-19.
De acordo com o governo, a decisão é mais uma medida para tentar conter a entrada no país das novas variantes do novo coronavírus, que foram detectadas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil.
O fim das restrições de viagens chegou a ser anunciado de forma surpreendente pelo ex-presidente Donald Trump, a dois dias do final de seu mandato, e começariam a valer a partir de 26 de janeiro. No entanto, no próprio dia em que a medida foi aprovada a equipe de Biden declarou à imprensa que não aprovava a decisão.
Desta maneira, brasileiros que desejam viajar para os EUA, mas não se enquadram nas exceções estipuladas pela lei norte-americana – cidadãos nacionais, os seus familiares diretos, portadores do green card com residência permanente ou vistos diplomáticos, militares ou governamentais – terão de esperar mais um pouco.
Embora a decisão do governo Biden esteja embasada pelas autoridades de saúde dos EUA, o novo presidente deve encontrar grande resistência por parte de setores vitais da sociedade pela reabertura das fronteiras, que desde o ano passado sofrem com a ausência de cidadãos dos países vetados, em especial os da China e do Brasil, que tradicionalmente estão entre as nações que mais enviam turistas, estudantes e trabalhadores temporários (não imigrantes) aos Estados Unidos.
“A pressão em cima de Biden deve vir, principalmente da indústria do turismo, que representa cerca de 2,8% do PIB norte-americano, e está entre as mais importantes e lucrativas do país. Aproximadamente 77 milhões de pessoas visitam os EUA anualmente. Entretanto, com a chegada da pandemia da Covid-19, em 2020, todos os indicadores de turismo caíram vertiginosamente, gerando grave prejuízo e demissões em praticamente toda a indústria do turismo no país”, afirmou Rodrigo Costa, CEO da AG Immigration, empresa especializada em vistos e green card para os Estados Unidos.
Para se ter uma ideia, em 2019 o turismo gerou US$ 712 bilhões, enquanto em 2020, devido a pandemia, este número diminuiu para US$ 396,37 bilhões. Uma queda de 42,1%. Sobre este tópico, Costa, que também é especialista em investimentos e mercado de trabalho, comentou:
“O governo Biden sabe que precisa recuperar o lucro gerado pelo turismo, assim como os empregos perdidos durante o ano passado, e para isso terá não somente que implementar e reforçar medidas sanitárias, como as que já estão em prática nos parques da Flórida, mas também conseguir, eventualmente, repensar a decisão de manter as fronteiras fechadas para países que tradicionalmente gastam muito dinheiro com turismo nos EUA, como o Brasil e a China. Com certeza, a indústria norte-americana do turismo só irá se recuperar plenamente com a reabertura da fronteira com estes países”.
Além disso, as universidades e cursos de inglês também devem pressionar o governo pela reabertura das fronteiras com os países vetados. Aproximadamente 12% dos estudantes estrangeiros são chineses, e o Brasil é responsável por 5% de todos os estudantes internacionais que chegam aos EUA.
Além da perda de receita imediata, as principais instituições de ensino temem que novos estudantes dos países vetados encontrem alternativas de estudos em outros mercados, como Nova Zelândia e Canadá, que não possuem as mesmas restrições, tanto para a entrada no país quanto para a obtenção de um visto de estudo, lembrando que a Embaixada e Consulados norte-americanos no Brasil continuam fechados para emissão de tais vistos.
A reabertura das fronteiras para quem deseja estudar nos EUA deve ser, portanto, preocupação do novo presidente, já que muitos que vão aos EUA estudar acabam posteriormente ficando no país e, consequentemente, fazendo parte importante do mercado de trabalho. “Em um mundo onde cada vez mais se valoriza o capital intelectual, a retenção de estudantes internacionais também deve ser considerada prioridade pelos novos mandatários do país”, destacou Costa.
Com a pausa na emissão de vistos das autoridades consulares no Brasil desde o ano passado, devido à pandemia, milhares de brasileiros não tiveram a oportunidade de solicitar vistos de trabalho temporários, que servem para que um profissional estrangeiro trabalhe nos EUA por um tempo determinado em uma empresa de lá. Muitos destes vistos já haviam sido, inclusive, congelados durante o governo de Donald Trump, antes da pandemia. Entre eles, os vistos H1-B, H-2B, H-4, e o L-1.
Calcula-se que mais de 240 mil estrangeiros tenham deixado de ser contratados por empresas em território norte-americano desde que a medida foi aprovada. A restrição gerou revolta entre as grandes companhias, especialmente aquelas que trabalham com tecnologia de ponta, segmento que sempre necessita de profissionais estrangeiros. Como os pedidos de suspensão desta medida não foram ouvidos durante o governo Trump, a expectativa é que a pressão agora seja para que o novo presidente não apenas reverta a decisão, como também reabra as fronteiras para a entrada destes profissionais estrangeiros qualificados nos EUA.
“Tradicionalmente, muitos brasileiros obtêm vistos de trabalho temporário, e o fim do congelamento destes vistos certamente seria extremamente bem recebido por diversos profissionais do Brasil”, ressaltou Costa.
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