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Estados Unidos

- Publicada em 03h00min, 13/01/2021.

Apoio a manifestantes foi apropriado, diz Trump

Presidente é acusado de incitar a violência contra o governo do país

Presidente é acusado de incitar a violência contra o governo do país


BRENDAN SMIALOWSKI/AFP/JC

Após dias de silêncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse avaliar que seu discurso no dia 6 de janeiro foi adequado, e negou qualquer responsabilidade sobre a invasão ao Congresso feita logo depois, por apoiadores dele. "Se você ler meu discurso... o que eu disse foi totalmente apropriado", respondeu Trump, nesta terça-feira, ao ser questionado por repórteres sobre sua responsabilidade no ataque ao Congresso, antes de embarcar para uma viagem ao Texas.

Após dias de silêncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse avaliar que seu discurso no dia 6 de janeiro foi adequado, e negou qualquer responsabilidade sobre a invasão ao Congresso feita logo depois, por apoiadores dele. "Se você ler meu discurso... o que eu disse foi totalmente apropriado", respondeu Trump, nesta terça-feira, ao ser questionado por repórteres sobre sua responsabilidade no ataque ao Congresso, antes de embarcar para uma viagem ao Texas.

O presidente fará uma visita a um trecho do muro na fronteira do México, em Alamo. Ampliar esta barreira foi uma de suas principais promessas de campanha, por simbolizar o combate à entrada de imigrantes. Trump tem apenas mais oito dias no cargo.

O republicano também chamou o pedido de impeachment contra ele de "absolutamente ridículo", e que o processo causa um ódio tremendo. "É uma continuação da maior caça às bruxas da história da política", afirmou.

Deputados democratas apresentaram o pedido na segunda-feira. A petição, de quatro páginas, acusa o presidente de "incitar a violência contra o governo dos Estados Unidos", por estimular uma multidão a invadir o Congresso, na semana passada, em meio à certificação dos resultados eleitorais.

"Incitada pelo presidente, uma multidão invadiu o Capitólio, atacou equipes de segurança, ameaçou membros do Congresso e o vice (...) e se engajou em atos violentos, mortais, destrutivos e sediciosos", diz o pedido, assinado por deputados democratas.

O pedido cita falas de Trump, como "se vocês não lutarem para valer, vocês não terão mais um país", e menciona os esforços dele para subverter a eleição que perdeu, como o telefonema ao secretário de Estado da Geórgia, a quem pediu que "encontrasse votos" para mudar o resultado.

"Ele ameaçou a integridade do sistema democrático, interferiu na transição pacífica de poder e colocou a divisão de poderes do governo em perigo. Assim, como presidente, ele traiu a confiança, o que gerou claros danos ao povo dos Estados Unidos", prossegue a petição.

A expectativa é que o pedido seja votado na Câmara nesta quarta-feira. Houve acordos para realizar em poucos dias um processo que poderia durar meses. Um dos fatores que acelera as coisas é que não será preciso fazer investigações e marcar depoimentos, pois Trump é acusado de má conduta por falas e ações em público.

A aprovação do impeachment na Câmara é dada como certa, pois os democratas possuem maioria na Casa: eles têm 222 representantes, de um total de 435. Em seguida, o processo seguirá para o Senado, e aí surgem dúvidas, na medida em que não se sabe quando isso será feito. Se a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, esperar algumas semanas para enviar o processo, haverá tempo para que os dois novos senadores democratas eleitos na Geórgia tomem posse.

Com a chegada deles, haverá 50 senadores que votam com os democratas e 50 republicanos. O voto de desempate, no entanto, caberá à vice-presidente eleita, a democrata Kamala Harris.

Trumpistas organizam marcha para o dia da posse

Aliados do presidente Donald Trump organizam atos para a data da posse de Joe Biden, no dia 20 deste mês. Diante da possibilidade de novos episódios de violência, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, pediu reforços na segurança da cidade para as agências federais. O Pentágono prometeu enviar 15 mil agentes da Guarda Nacional.

Até o momento, mais de 100 pessoas já foram detidas por participar da invasão do Capitólio, na quarta-feira passada. Em fóruns e sites pró-Trump, manifestantes prometem "liberar o país sem piedade" e "não deixar os comunistas vencerem". Há semanas, vem sendo organizada a chamada "Marcha do Milhão com as Milícias" para o dia 20.

Eventos também são marcados para os dias anteriores: "Nós rejeitamos ser silenciados", dizia uma postagem encontrada pelo Grupo Alethea, que trabalha no combate à desinformação. "Marcha armada no Capitólio e em todos os Capitólios (Parlamentos) estaduais em 17 de janeiro", dizia outra.

No Twitter, a expressão "enforquem Mike Pence", o vice-presidente dos EUA, chegou a figurar entre os assuntos mais comentados um dia após a expulsão de Trump da rede social por incitação à violência.

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