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Estados Unidos

- Publicada em 11h07min, 10/10/2020.

Estudo não encontra ligação entre imigrantes sem documentos e crime nos EUA

Trump já chamou os imigrantes que atravessam a fronteira com o México de criminosos, traficantes e estupradores

Trump já chamou os imigrantes que atravessam a fronteira com o México de criminosos, traficantes e estupradores


LEXIE HARRISON-CRIPPS/AFP/JC
Imigrantes, especialmente os sem documentos, costumam ser descritos como uma ameaça à segurança nacional por alguns políticos - inclusive pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que já chamou os que atravessam a fronteira com o México de criminosos, traficantes e estupradores. Uma análise feita em 154 regiões metropolitanas dos EUA na semana passada, porém, não encontrou essa correlação.
Imigrantes, especialmente os sem documentos, costumam ser descritos como uma ameaça à segurança nacional por alguns políticos - inclusive pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que já chamou os que atravessam a fronteira com o México de criminosos, traficantes e estupradores. Uma análise feita em 154 regiões metropolitanas dos EUA na semana passada, porém, não encontrou essa correlação.
O estudo comparou o número de imigrantes irregulares com o índice de criminalidade em cada uma dessas áreas, incluindo cidades como Nova York, Chicago e Las Vegas. A conclusão foi que a presença desses estrangeiros não teve efeito estatístico na taxa de crimes violentos e inclusive estava associada a uma redução no índice de crimes contra a propriedade.
 
O resultado condiz com pesquisas anteriores sobre o tema, inclusive com uma análise mais detalhada publicada em 2017 pelo mesmo autor, Robert Adelman, professor de sociologia da Universidade de Buffalo.
Especialista em tendências e padrões relacionados à imigração, ele já havia estudado a relação entre imigrantes e criminalidade em 200 regiões metropolitanas em um período de quatro décadas, sem encontrar uma associação entre os dois fenômenos. Porém, essa pesquisa era com estrangeiros com permanência legal no país. Estudos de outros autores também chegaram a conclusões parecidas. Poucos deles, porém, avaliaram a população de estrangeiros sem documentos, até pela falta de dados confiáveis sobre quantos são.
Desta vez, Adelman recorreu a duas estimativas, ambas do ano de 2014: do Pew Research Center e do Migration Policy Institute, que são referência na área no país. Os resultados foram os mesmos nos dois casos.
Ele e sua equipe - formada por pesquisadores das universidades Cornell, Temple e do Alabama, entre outras - também usaram dados do FBI (a polícia federal norte-americana) sobre crimes cometidos entre 2013 e 2015, além de informações de 2011 a 2015 de uma pesquisa do departamento do Censo dos EUA. A pesquisa foi publicada no Journal of Crime and Justice (Revista de Crime e Justiça).
Adelman afirma que não é possível estabelecer uma relação direta de causalidade, ou seja, não foi avaliado se os imigrantes cometeram crimes individualmente. Mas as evidências indicam que, ao menos em regiões metropolitanas, lugares com mais imigrantes parecem ter mais vitalidade econômica e cultural e não provocam um aumento na criminalidade local, afirmou em uma entrevista publicada no site de sua universidade.
"Há uma série de estudos de alta qualidade que avaliam imigração e crime e que, em geral, simplesmente não encontram esse retrato tão negativo dos imigrantes que é pintado no atual clima político", afirmou, acrescentando que o assunto é complexo e deve ser debatido com "fatos, dados e método científico".
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