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América do Sul

- Publicada em 20h33min, 23/07/2020. Atualizada em 18h26min, 24/07/2020.

Chile e Peru tentam reativar economia abalada pela pandemia de coronavírus

Ideia de ambos os governos é reativar o comercio não essencial

Ideia de ambos os governos é reativar o comercio não essencial


ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP/JC
Apesar de terem trajetórias diferentes durante a pandemia de coronavírus, os vizinhos Chile e Peru enfrentam neste momento um desafio parecido: tentam reabrir suas economias enquanto estão na lista dos 10 países mais afetados pela Covid-19 no mundo. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), inclusive, demonstrou, recentemente, preocupação com a alta mortalidade nas Américas
Apesar de terem trajetórias diferentes durante a pandemia de coronavírus, os vizinhos Chile e Peru enfrentam neste momento um desafio parecido: tentam reabrir suas economias enquanto estão na lista dos 10 países mais afetados pela Covid-19 no mundo. A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), inclusive, demonstrou, recentemente, preocupação com a alta mortalidade nas Américas
Com uma leve alta recente no número de casos, o Peru aparece em sexto lugar, enquanto o Chile - que registra uma sutil queda - é o oitavo. Mesmo com a América do Sul no epicentro da pandemia, os dois governos têm insistido na reabertura, em parte por temerem os reflexos econômicos da crise.
Segundo reportagem da Folhapress, o presidente peruano, Martín Vizcarra, já afirmou que o aumento de contágios "não justifica um retorno ao confinamento". E acrescentou: "Estamos numa situação em que temos que contar com o compromisso da população, não é possível continuar com medidas tão duras". Segundo estimativa do FMI, o PIB deve cair 14% em 2020, o pior da América do Sul. 
Desde 11 de maio, o país já retomou atividades como mineração (responsável por 60% das exportações), comércio não essencial, pesca e parte da indústria. Na semana passada, voltaram a funcionar os voos internos, e nesta semana começaram a reabrir outros setores da indústria, além de bares e restaurantes - que precisam respeitar o limite de 40% da capacidade.
Já no Chile, o ministro da saúde, Enrique Paris, apresentou um plano de reabertura, que também começou a valer nesta semana. Dividido em duas etapas, ele prevê medidas diferentes para cada região. No caso chileno, a concentração de casos acontece na região metropolitana de Santiago, que concentra 8 milhões dos 18 milhões de habitantes do país.
Apesar de terem números parecidos de casos e de mortes nesta quinta-feira (23) - 366,5 mil casos e 13,7 mil mortes no Peru; 334,6 mil e 8,6 mil no Chile -, o enfrentamento da pandemia tem sido bastante diferente nos dois países.

Isolamento peruano esbarrou no mercado informal

Comércio de rua faz parte da cultura, principalmente entre indígenas
Comércio de rua faz parte da cultura, principalmente entre indígenas
Carlos MAMANI/AFP/JC
O presidente peruano, Martín Vizcarra, foi um dos primeiros líderes da América Latina a implementar uma quarentena dura, em 16 de março. O governo fechou as fronteiras e decretou que apenas trabalhadores essenciais tinham permissão para sair de casa. Além disso, apenas uma pessoa por família estava autorizada a ir ao supermercado ou à farmácia, em horários restritos.
As medidas de isolamento, porém, não funcionaram. Um dos motivos é que o país tem um mercado informal de 72,6% da população (segundo dados do Instituto Nacional de Estatística). Assim, muita gente foi obrigada a continuar saindo todos os dias para ganhar seu sustento.
O grande número de mercados informais e na rua também foi um vetor de rápida contaminação. Os mercados fazem parte da cultura local, muito enraizada principalmente entre a população de ascendência indígena e nas comunidades rurais.
Outro fator foi o deslocamento interno. Metrópoles como Lima, Arequipa e Piura costumam receber uma população que vive no interior e viaja para realizar trabalhos temporários.
Com a interrupção total do transporte público por conta das medidas de quarentena, muitas pessoas passaram a voltar a seus povoados caminhando. "Isso fez com que levassem o vírus para suas comunidades, de forma muito rápida e descontrolada", diz à reportagem Carmen Yon, antropóloga da saúde.
"Na verdade, a quarentena rígida só aconteceu no papel, no discurso. Pelo modo como vive a sociedade peruana, não dava para cumprir sem um comprometimento maior do Estado em apoiar essa população."
O Peru teve um pico de casos no fim de maio, logo depois da primeira flexibilização, chegando a 8,8 mil infecções em um dia. Ao longo de junho e início de julho, o número diário de novos casos caiu para pouco mais de 3 mil - na última semana voltou a subir e a ultrapassar os 4 mil.
A região de Arequipa é a nova preocupação das autoridades e, na terça-feira (21), o Ministério da Saúde alertou para uma possível intervenção na cidade, com o envio do Exército para ajudar na ampliação de hospitais.
O retorno dos voos internos era esperado ansiosamente pelo setor do turismo, que está parado desde o começo da pandemia de Covid-19. "Ainda que não possamos abrir para os estrangeiros, o turismo interno pode ajudar a recuperar parte da nossa estrutura hoteleira, gastronômica e de cassinos. Também queremos investir nos encontros comerciais, que movimentam os hotéis", diz Carlos Canales, diretor da Câmara Peruana de Turismo. Os voos internacionais ainda não têm data para serem normalizados, e o governo informou que uma nova avaliação deve ser feita em agosto.
 

Chilenos adotaram quarentena e, 55 dias depois, lockdown

Governo Piñera tem enfrentado manifestações e onda de saques
Governo Piñera tem enfrentado manifestações e onda de saques
MARTIN BERNETTI/AFP/JC
Já o Chile apostou inicialmente em uma quarentena vertical, a partir de 18 de março. Com a piora nos números, porém, o governo se viu obrigado a determinar um "lockdown" total em 13 de maio para a região metropolitana de Santiago. O principal pico de casos no país aconteceu em meados de junho. Desde o último dia 14, porém, o Chile vem registrando uma média de 2 mil ocorrências diárias.
Assim, a situação, antes dramática, começou a melhorar. Segundo dados oficiais, o sistema de saúde da capital chegou a colapsar, mas agora a taxa de ocupação das UTIs está em 67%. "Tivemos cinco semanas de melhora, o que nos permite iniciar uma nova etapa, de modo muito gradual e flexível", disse Piñera, na sexta-feira passada.
As primeiras etapas de desconfinamento ocorreram na região sul do país, menos atingidas. Nessa área, foi liberado o trânsito de todas as pessoas que não integram grupos de risco e permitida a retomada de parte do comércio e da indústria. Uma segunda fase, ainda sem data, permitirá o retorno de quase todas as atividades, mas com protocolos de higienização.
Além disso, o governo chileno tem enfrentado novas manifestações e há uma onda de saques a supermercados e farmácias - o sistema para distribuição de benefícios durante a pandemia não alcança todo o mercado informal, de 29,6% da população.
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