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Ásia

Notícia da edição impressa de 18/06/2020. Alterada em 17/06 às 20h28min

China e Índia prometem reduzir tensão após conflito

Indianos protestaram ontem em Nova Déli contra ações chinesas

Indianos protestaram ontem em Nova Déli contra ações chinesas


JEWEL SAMAD/AFP/JC
Os governos da China e da Índia buscaram reduzir a tensão, mas mantiveram discursos nacionalistas para seu público interno após o pior conflito entre os dois países em 53 anos. Conforme a Folhapress, na segunda-feira, 20 soldados indianos morreram em uma escaramuça fronteiriça com chineses no vale do rio Galwan, uma região remota dos Himalaias. Pequim não revelou suas baixas, estimadas em cerca de 50 pela inteligência militar de Nova Déli.
Os governos da China e da Índia buscaram reduzir a tensão, mas mantiveram discursos nacionalistas para seu público interno após o pior conflito entre os dois países em 53 anos. Conforme a Folhapress, na segunda-feira, 20 soldados indianos morreram em uma escaramuça fronteiriça com chineses no vale do rio Galwan, uma região remota dos Himalaias. Pequim não revelou suas baixas, estimadas em cerca de 50 pela inteligência militar de Nova Déli.
A região faz parte dos 3.488 quilômetros de fronteira entre os países, onde a China tem cerca de 340 mil quilômetros quadrados de reivindicações territoriais e pela qual já venceu uma guerra em 1962. Os indianos colocaram suas Forças Armadas em alerta nesta quarta-feira, enquanto os chineses pediram a Nova Déli uma investigação formal sobre o incidente.
"A Índia não deve julgar mal a situação, e não deve subestimar a determinação firme da China em salvaguardar sua soberania territorial", afirmou o chanceler Wang Yi. Ele deu o recado por telefone a seu colega indiano, Subrahmanyam Jaishankar, e ambos mantiveram a posição de que a provocação que levou ao embate foi culpa das tropas adversárias.
"Tanto o lado chinês quanto o indiano estão comprometidos em resolver nossas diferenças por meio do diálogo", disse, em tom mais diplomático, o porta-voz de Wang, Zhao Lijian, se recusando a comentar o número de baixas chinesas no embate.
Já o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que seus soldados "não morreram em vão" em um pronunciamento pela TV. Mas manteve a linha morde e assopra: "A Índia quer paz, mas é capaz de responder de forma adequada se for instigada".
O tom dos dois países exprime a realidade na região: ninguém deseja uma guerra entre as duas maiores potências da Ásia, ambas com armas nucleares e os países mais populosos do mundo - juntos, somam 35% dos 7,8 bilhões de terráqueos.
Por outro lado, pressões nacionalistas em ambas as nações tenderão a manter o risco de um conflito, ainda que limitado. No caso da ditadura de Pequim, isso se refletiu já na própria terça-feira, quando emergiam os detalhes da briga envolvendo talvez 600 militares que se enfrentaram com paus, pedras e barras de ferro.
Os chineses divulgaram no mesmo dia a realização recente de cinco treinamentos de artilharia com munição real, envolvendo aviões e comunicação eletrônica, num platô de 4,7 mil metros de altitude no Tibete. Segundo observadores, isso reflete a postura mais assertiva do regime liderado por Xi Jinping. Ela é visível nos editoriais belicosos de jornais oficiais chineses, muitos pedindo a anexação de Taiwan ou o aperto do controle sobre Hong Kong. Isso ocorre para galvanizar o público interno enquanto a China vive sua Guerra Fria 2.0 com os Estados Unidos, que lançaram uma disputa comercial e geopolítica de grande escala contra Pequim.
Já entre os indianos, aliados dos Estados Unidos, o governo ultranacionalista hindu de Modi tem nas escaramuças fronteiriças um instrumento com o mesmo fim. Até por ser uma democracia herdeira de uma colcha de retalhos de potentados regionais, isso para não falar nas rixas entre hindus, muçulmanos e sikhs que compõem a nação, em especial sob Modi, a Índia tem várias fraturas internas.
Mano a mano, a China é uma potência militar mais forte do que a Índia. Pequim gastou US$ 181 bilhões com defesa em 2019 (cerca de R$ 940 bilhões hoje, segundo lugar do mundo), ante US$ 60,5 bilhões (R$ 314 bilhões, quinto lugar) de Nova Déli. São Forças Armadas enormes, 2 milhões de chineses e 1,45 milhão de indianos, mas, geograficamente, o movimento de tropas é limitado.
Aí fala mais alto a capacidade aérea e na área de mísseis balísticos, na qual a situação é um pouco mais equilibrada. Por fim, o impensável: a China tem 320 ogivas nucleares e a Índia, 150.
 
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