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Argentina

Alterada em 07/05 às 17h34min

Após rígida quarentena, Argentina avança na flexibilização de atividades

Em Buenos Aires, afrouxamento das regras não deve ser imediato

Em Buenos Aires, afrouxamento das regras não deve ser imediato


RONALDO SCHEMIDT/AFP/JC
O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou que o país entrará em uma etapa de reabertura gradual nos próximos dias. A quarentena, prevista para terminar no domingo (10), terá flexibilizações. Caso o número de contágios pelo novo coronavírus (Covid-19) siga aumentando, o governo afirmou que pode voltar a endurecer as medidas de restrição.
O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou que o país entrará em uma etapa de reabertura gradual nos próximos dias. A quarentena, prevista para terminar no domingo (10), terá flexibilizações. Caso o número de contágios pelo novo coronavírus (Covid-19) siga aumentando, o governo afirmou que pode voltar a endurecer as medidas de restrição.
A ideia, ainda não oficializada, é definir protocolos e horários específicos para cada atividade ou grupo de pessoas. Desde curtas caminhadas, idas ao mercado, períodos de trabalho, etc. Devem ser definidos horários limitados para o retorno de algumas atividades. Haverá também zonas vermelhas, com proibição de movimentação, naquelas áreas onde a contaminação é mais crítica.
Seguirão com restrições colégios, faculdades e universidades; eventos sociais, culturais, recreativos, esportivos, religiosos; cinemas, teatros, centros culturais e clubes; e atividades turísticas.
A Argentina tem 5.208 infectados por coronavírus. Nas 24 horas entre quarta (6) e quinta-feira (7), foram registrados 188 novos casos, o recorde de contaminados em um só dia desde o início da pandemia, e nove mortes. O país tem, no total, 273 mortes.
O ministro da Saúde argentino, Ginés González García, afirmou que deve haver uma gradual abertura econômica, mas que as medidas sanitárias devem ser reforçadas. "Não sou eu quem decide, mas minha opinião é que a quarentena deve continuar, de outras maneiras. Você precisa ter uma abertura em termos econômicos com muito cuidado. Mas a atividade produtiva tem que começar. Existem muitas indústrias que estão funcionando bem, como a de alimentos e produtos farmacêuticos", disse o ministro.
A decisão pela volta gradual das atividades econômicas foi validada pela equipe de infectologistas que assessoram Fernández desde o início da pandemia. Na quarta-feira, durante a reunião com os especialistas, o presidente foi orientado a seguir com as restrições a aglomerações, além de manter o transporte público com capacidade limitada. As atividades industriais, como a automotiva, devem ser liberadas.
O ministro da Saúde ressaltou que as medidas de cuidado, como o distanciamento social, o uso de máscara e a lavagem de mãos devem ser mantidas. E disse que sua maior preocupação é com o transporte público. "Existem estudos que mostram que, em Nova York e Madri, o transporte público foi o veículo para a explosão de casos. Temos que nos adaptar sem perder o que alcançamos. Temos um número muito baixo de casos, estamos gerenciando a pandemia com sucesso. Mas isso não significa que estamos comemorando a vitória", ressaltou.
O próximo passo de Fernández é definir com governadores como será a transição e quais localidades devem seguir com o isolamento. Em Buenos Aires, por exemplo, onde estão a maioria dos casos, o afrouxamento não deve ser imediato e existe grande preocupação com a população carente da capital.
Do total de casos confirmados, 928 (17,8%) são importados, 2.291 (44%) foram por contatos próximos aos casos importados, 1.508 (29%) são de circulação comunitária e o restante está sob investigação epidemiológica, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Até o momento, foram feitos 72.315 testes de diagnóstico no país, o que equivale a 1.593 amostras por milhão de habitantes.

País está entre os mais afetados pela recessão na América Latina

Previsões feitas pelo Banco Mundial, antes da pandemia, mostravam que a pobreza urbana argentina alcançava 35,5% e, a infantil, 52,3%. Agora, a Organização das Nações Unidas (ONU) observa que o país está entre os mais afetados pela recessão na América Latina, projetando uma contração de 5,7% para este ano.
O ministro da Economia, Martín Guzmán, acredita que neste ano o Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas pelo país) cairá 6,5%, mas que no próximo ano terá um crescimento real de 3% e, em 2022, ficará em 2,5%, passando a subir 1,7%, sem variação, até 2030.
Nesta quinta-feira, em uma videoconferência, o porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que confia que a Argentina possa fazer um acordo com grande participação dos credores. O prazo para a Argentina responder ao FMI com uma sugestão de reestruturação da dívida vence nesta sexta-feira.
"Estamos dispostos a ajudar a Argentina, particularmente nessas circunstâncias difíceis, quando o governo está tentando enfrentar os efeitos e consequências do coronavírus e realizar um plano que restaurará a sustentabilidade e o crescimento inclusivo a médio prazo", afirmou Gerry Rice, diretor do departamento de Comunicações do FMI.
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