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Itália

Notícia da edição impressa de 24/03/2020. Alterada em 23/03 às 20h45min

Coronavírus: Morte de médicos agrava situação na Itália

Ao menos 22 clínicos gerais, pneumologistas, epidemiologistas e anestesistas já morreram pela infecção

Ao menos 22 clínicos gerais, pneumologistas, epidemiologistas e anestesistas já morreram pela infecção


PAOLO MIRANDA/AFP/JC
Os profissionais de saúde representam quase 10% de todos os contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) na Itália. No domingo (22), o número de médicos e enfermeiros com a doença somava 4.824, um aumento de 32% desde sexta-feira (20).
Os profissionais de saúde representam quase 10% de todos os contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) na Itália. No domingo (22), o número de médicos e enfermeiros com a doença somava 4.824, um aumento de 32% desde sexta-feira (20).
Nas últimas semanas, tem crescido também a quantidade de vítimas: ao menos 22 médicos já morreram. São clínicos gerais, pneumologistas, epidemiologistas e anestesistas que foram expostos ao vírus sem proteção, seja porque a circulação interna não havia sido detectada nas primeiras semanas de fevereiro, seja porque, devido ao grande volume de casos, agora falta material sanitário.
O crescimento do número de casos desacelerou nos últimos três dias, e começa a aparecer "luz ao final do túnel", disse Giulio Gallera, principal responsável pela saúde na região italiana da Lombardia, epicentro da crise na Europa. Ontem, houve uma alta de 8,1% em relação ao dia anterior. Na semana passada, o crescimento vinha sendo de 10% ao dia. Porém, segundo infectologistas, o país ainda não atingiu o pico de casos, o que deve ocorrer em 15 de abril.
Segundo dados do Instituto Superior de Sanidade (ISS), o perfil dos contaminados da área da saúde diverge bastante da média da população afetada, na qual predominam idosos e homens. Em geral, a idade média dos casos positivos é de 63 anos (36% têm mais de 70), mas, entre profissionais de saúde, cai para 49 anos. Na divisão entre os sexos, em geral, 59% dos contaminados na Itália são homens, percentual que cai para 36% entre médicos e enfermeiros.
"Os médicos que morreram tinham cerca de 60 anos, alguns menos. E não tinham outras doenças. Morreram porque ficaram expostos a uma grande carga infecciosa", avalia o médico Giovanni Leoni, vice-presidente da Federação Nacional de Ordens dos Médicos Cirurgiões e Odontologistas. "Foram enviados para fazer o próprio trabalho desarmados e desprotegidos."
A falta de material de proteção tem se agravado com o aumento dos casos positivos, o que tem deixado hospitais do Norte do país perto do colapso. Até domingo, eram mais de 19 mil pessoas internadas com o novo coronavírus e outras 3 mil em unidades de terapia intensiva. Sem contar os demais doentes ou acidentados.
"Os materiais sanitários são poucos, e alguns profissionais ainda não contam com eles. E não podemos pensar só no hoje, esses equipamentos serão necessários por pelo menos dois meses. É um número monstruoso de produtos que devem ser continuamente repostos", diz o médico.
Com o coronavírus se alastrando rapidamente pela Europa, atual epicentro da pandemia, a disputa por material de proteção se tornou acirrada entre os países. No início do mês, Alemanha e França ensaiaram vetar a venda de máscaras, luvas e aventais descartáveis para os vizinhos, incluindo a Itália, e a União Europeia (UE) precisou intervir.
"É necessário dividir o material de proteção na Europa. As proibições nacionais de venda para outros países europeus são prejudiciais", declarou, na semana passada, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Ao mesmo tempo, ela implementou um mecanismo para controlar a exportação para fora do bloco. No domingo, a UE aprovou incentivos de cerca de € 50 milhões para a Itália produzir material e equipamentos sanitários.
Segundo Leoni, diante do prolongamento da emergência, que, agora, começa a afetar as Américas, a solução é cada um procurar rapidamente um meio de produzir material de proteção internamente. "Cada país deve operar uma conversão industrial, encontrar fábricas que fazem produtos similares, pagar os royalties a quem produz e entender o processo de fabricação, especialmente das máscaras cirúrgicas, que servem à maior parte das pessoas", afirma.