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Saúde

Edição impressa de 10/02/2020. Alterada em 09/02 às 20h19min

Coronavírus: Brasileiros trazidos de Wuhan chegam a Goiás

Operação começou na quarta-feira e terminou neste domingo, após voo de 37 horas até o Brasil

Operação começou na quarta-feira e terminou neste domingo, após voo de 37 horas até o Brasil


/PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS/JC
Brasileiros e familiares chineses que estavam em Wuhan, epicentro da epidemia do novo coronavírus na China, chegaram à base aérea de Anápolis, em Goiás, na manhã deste domingo (9). As duas aeronaves que levavam o grupo pousaram às 6h e às 6h10min. Os passageiros desembarcaram em meio a uma chuva fina e usando máscaras sobre o nariz e a boca, exigência durante o voo. Duas pessoas também levavam uma pequena bandeira brasileira.
Brasileiros e familiares chineses que estavam em Wuhan, epicentro da epidemia do novo coronavírus na China, chegaram à base aérea de Anápolis, em Goiás, na manhã deste domingo (9). As duas aeronaves que levavam o grupo pousaram às 6h e às 6h10min. Os passageiros desembarcaram em meio a uma chuva fina e usando máscaras sobre o nariz e a boca, exigência durante o voo. Duas pessoas também levavam uma pequena bandeira brasileira.
Em seguida, eles foram levados de ônibus até um hotel de trânsito dentro da base aérea, onde devem ficar em quarentena por 18 dias. O acompanhamento da chegada foi restrito à imprensa e a militares. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, 34 pessoas fazem parte do grupo - entre elas há sete crianças.
A viagem de volta durou cerca de 37 horas. O grupo foi trazido em duas aeronaves VC-2 da Força Aérea Brasileira, com capacidade para 30 pessoas cada. Por volta da 0h, um áudio do presidente Jair Bolsonaro foi transmitido durante o voo informando que o grupo entrava no espaço aéreo brasileiro. "Sejam bem-vindos de volta ao seu país, ao nosso Brasil. Ninguém ficou para trás. Somos um só povo, uma só raça, somos irmãos", disse.
Inicialmente, porém, Bolsonaro havia dito que o governo não tinha intenção de buscar o grupo. A mudança de posicionamento ocorreu após a divulgação de um vídeo em que brasileiros citavam preocupação com a situação em Wuhan e pediam apoio para retorno.
Chamada de Regresso, a operação para trazer o grupo começou oficialmente na quarta-feira passada, quando as aeronaves partiram da base aérea de Brasília em direção a Wuhan. O voo teve escalas em Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Ürümqi (China). Antes de embarcar para fazer o trajeto oposto, o grupo passou por avaliação médica e exames.
Ninguém apresentava febre ou outros sintomas, condição para que pudessem fazer a viagem. No voo, passageiros usaram máscaras cirúrgicas e tiveram a temperatura testada a cada quatro horas. Imagens publicadas pela FAB mostram as áreas destinadas à tripulação e aos passageiros divididas por cortinas, e equipe médica com máscaras, avental e luvas.
Segundo o general Manoel Pafiadache, do Ministério da Defesa, não houve necessidade de nenhum atendimento específico durante o voo. "A equipe de saúde a bordo informou que todos os 34 passageiros estão muito bem de saúde", afirma.
De acordo com o general, a quarentena foi uma exigência para garantir que o grupo não teve contato com o vírus. O prazo máximo indicado pelo Ministério da Saúde para observar se há aparecimento de sintomas é de 14 dias - o grupo, porém, ficará mais quatro até saírem resultados de exames.
No momento do desembarque, membros de uma equipe militar especializada esperavam com roupas impermeáveis que cobriam todo o corpo, luvas e máscara para fazer a limpeza da aeronave.
Além dos brasileiros e parentes, outras 24 pessoas, entre tripulantes e equipe médica, também podem fazer parte da quarentena. Segundo o ministério, a situação será avaliada de acordo com as funções exercidas dentro do voo.
Semelhante a um hotel, o local onde os brasileiros resgatados ficarão tem 38 quartos com TV, cama box e mesa pequena para refeições. Fora, há um gramado com cadeiras e telão para filmes, e um pula-pula para crianças.

Mortes na China chegam a 811 e ultrapassam epidemia do Sars

A Comissão Nacional de Saúde da China informou, no sábado, que o número de casos de coronavírus no país subiu para 33.738 e o total de mortes aumentou para 811. Na atualização anterior, havia 31.774 casos confirmados e 722 óbitos no país asiático. Com o número, a epidemia já ultrapassa as 774 mortes causadas pelo Sars.

Em comunicado, o órgão afirmou, ainda, que há 28.942 casos suspeitos na China e que 2.649 pessoas já foram curadas. O documento informou, também, que há 26 casos da doença confirmados em Hong Kong, com um óbito, dez casos em Macau e 17 em Taiwan, único local em que houve alta desde ontem (de um caso).

Também no sábado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que uma equipe do órgão deve ser enviada à China nos próximos dias. Segundo ele, o líder do grupo irá para o país asiático hoje ou amanhã, e o restante do grupo irá em seguida.

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