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Porto Alegre, quarta-feira, 05 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Internacional

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Saúde

05/02/2020 - 12h14min. Alterada em 05/02 às 12h13min

China admite falhas para conter coronavírus

China vem sendo pressionada a dar respostas ágeis à epidemia e a divulgar ações com transparência

China vem sendo pressionada a dar respostas ágeis à epidemia e a divulgar ações com transparência


AFP/JC
Pela primeira vez o governo chinês admitiu "insuficiências" em sua resposta ao surto do novo coronavírus, que já matou mais de 490 pessoas no país desde dezembro. O Comitê Permanente de Bureau Político do Partido Comunista pediu melhorias no sistema de reação a emergências diante de "deficiências e dificuldades na resposta à epidemia".
Pela primeira vez o governo chinês admitiu "insuficiências" em sua resposta ao surto do novo coronavírus, que já matou mais de 490 pessoas no país desde dezembro. O Comitê Permanente de Bureau Político do Partido Comunista pediu melhorias no sistema de reação a emergências diante de "deficiências e dificuldades na resposta à epidemia".
Na noite de segunda-feira (3), diante do rápido avanço da doença, a cúpula do partido se reuniu em encontro comandado pelo presidente chinês, Xi Jinping. As deliberações da reunião foram divulgadas pela agência oficial do governo, a Xinhua.
A China vem sendo pressionada internacionalmente a dar respostas ágeis à epidemia e a divulgar ações com transparência. O temor é que se repita o que ocorreu em 2002 e 2003, com a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), quando cerca de 800 pessoas morreram em todo o mundo. Na época, Pequim negou a existência do vírus, mesmo com a propagação pelo país e no exterior.
O comitê do partido exigiu esforços para reprimir mercados ilegais de animais silvestres, a fim de enfrentar o problema na origem. A suspeita é que o novo coronavírus tenha surgido em um mercado de frutos do mar, em Wuhan, onde também eram vendidos animais silvestres.
Capital da Província de Hubei, Wuhan, de 11 milhões de habitantes, tornou-se o epicentro do surto. O governo suspendeu o transporte de moradores de Wuhan e fechou aeroportos, mas, antes de renunciar ao cargo, o prefeito admitiu que 5 milhões deixaram Wuhan antes da imposição da quarentena.
Segundo a cúpula do Partido Comunista, o surto é um teste para a capacidade de governança da China. "Devemos tirar uma lição (da experiência)", informou relatório da reunião do partido. Xi Jinping destacou a necessidade de "medidas resolutivas" para deter o surto e disse que a estabilidade econômica e social do país está em jogo. Também foram pedidos esforços para fortalecer áreas deficientes da saúde pública.
Na terça-feira, o governo adotou novas medidas de confinamento, que afetam milhões de pessoas em regiões próximas a Xangai, coração econômico do país. Além de construir dois novos hospitais de modelo pré-fabricado, as autoridades vão transformar três centros de eventos de Wuhan em locais de atendimento médico, com capacidade para 3,4 mil leitos.
Porta-voz adjunta do Ministério de Relações Exteriores, Hua Chunying criticou o governo dos Estados Unidos por ter iniciado restrições contra cidadãos chineses por causa do surto, acusando Washington de "criar e espalhar o pânico". Os EUA "foram os primeiros a retirar funcionários do consulado em Wuhan, a mencionar a retirada parcial de funcionários da embaixada e a impor veto à entrada de visitantes chineses".
O caso de um jovem com deficiência física que morreu após o pai ir para a quarentena motivou protestos na rede social chinesa Weibo, similar ao Twitter. Com lesão cerebral, Yan Cheng, de 17 anos, não falava, andava ou comia sozinho. Ninguém o alimentou após o pai, com febre, ser isolado no dia 22. O chefe do Partido Comunista de Hong'an, onde Yan vivia, foi demitido.
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Os dados do site de monitoramento da Johns Hopkins indicam, na manhã desta quarta-feira (65) - horário em Brasília -, que os casos somam 24.607 no mundo (24 países), sendo 24.433 na China. São 494 mortes (493 na China) e 990 pessoas recuperadas (981 na China).
Estadão Conteúdo
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