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Porto Alegre, terça-feira, 03 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Venezuela

Edição impressa de 03/12/2019. Alterada em 03/12 às 03h00min

Oposição expulsa deputados acusados de corrupção

Popularidade do autoproclamado presidente Juan Guaidó está em queda

Popularidade do autoproclamado presidente Juan Guaidó está em queda


/YURI CORTEZ/AFP/JC
Partidos da oposição venezuelana expulsaram, no domingo, parlamentares que teriam defendido indevidamente um empresário ligado ao ditador Nicolás Maduro. Uma reportagem publicada pelo site Armando.Info apontava nove deputados aliados de Juan Guaidó por manobras em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano, vinculado ao programa de distribuição de alimentos subsidiados mantido pelo regime de Maduro.
Partidos da oposição venezuelana expulsaram, no domingo, parlamentares que teriam defendido indevidamente um empresário ligado ao ditador Nicolás Maduro. Uma reportagem publicada pelo site Armando.Info apontava nove deputados aliados de Juan Guaidó por manobras em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano, vinculado ao programa de distribuição de alimentos subsidiados mantido pelo regime de Maduro.
Após a publicação da reportagem, os partidos Primeira Justiça, Vontade Popular e Um Novo Tempo - os principais da oposição - excluíram de suas bancadas cinco deputados citados. Os demais fazem parte de outras siglas.
Em uma rede social, Guaidó disse que a legislatura investigaria de maneira "independente" as denúncias, contando com a participação de ONGs e veículos de imprensa. Ele também afirmou que convidará os autores da reportagem a se apresentarem ao Parlamento durante a investigação.
Segundo o site, Lizcano teria conexões com outros dois colombianos, Alex Saab e seu sócio Álvaro Pulido, que estão sob sanções dos EUA por serem acusados de superfaturarem alimentos importados para os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap).
Os opositores teriam escrito cartas de apoio a Lizcano, endereçadas ao Tesouro dos EUA e ao Ministério Público da Colômbia, para livrá-lo de responsabilidade nos crimes de Saab e Pulido. Os dois também são acusados pela Justiça norte-americana de lavar dinheiro usando o programa de alimentos.
No sábado, em uma carta endereçada a Guaidó, o legislador Freddy Superlano renunciou à presidência da Comissão de Controladoria da Assembleia Nacional para "facilitar as investigações". O programa Clap se tornou crucial para os venezuelanos que enfrentam a hiperinflação no país, cujo resultado é um salário-mínimo tão desvalorizado que mal dá para comprar mantimentos de um dia.
O escândalo ocorre no momento em que os esforços da oposição para derrubar o regime de Maduro perdem força, e Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como líder legítimo da Venezuela, se esforça para lançar uma nova onda de protestos. A popularidade do autoproclamado presidente está em queda, enquanto Maduro segue no poder com o apoio de parte da população, de militares e dos aliados Cuba, Rússia e China. Se não conseguir lidar com as denúncias, a imagem de Guaidó pode se desgastar ainda mais.
 
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