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Líbano

- Publicada em 03h27min, 30/10/2019. Atualizada em 03h00min, 30/10/2019.

Premiê renuncia em meio a onda de protestos

Saída de Hariri foi comemorada por manifestantes nas ruas de Beirute

Saída de Hariri foi comemorada por manifestantes nas ruas de Beirute


PATRICK BAZ/AFP/JC
O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, apresentou, ontem, sua renúncia ao cargo, dizendo ter chegado a um "beco sem saída" na crise desencadeada por uma onda de protestos sem precedentes que ocorre há duas semanas no país.
O primeiro-ministro do Líbano, Saad Hariri, apresentou, ontem, sua renúncia ao cargo, dizendo ter chegado a um "beco sem saída" na crise desencadeada por uma onda de protestos sem precedentes que ocorre há duas semanas no país.
Em um breve discurso transmitido pela televisão - recebido pelos manifestantes nas ruas com gritos de alegria, buzinas e fogos de artifício -, Hariri, de 49 anos, afirmou que iria apresentar sua demissão ao presidente Michel Aoun. "Há 13 dias, os libaneses estão esperando por uma solução política que freie a deterioração (da economia). E tentei, durante esse período, encontrar um caminho de saída ao escutar a voz da população", disse Hariri, acrescentando que é "hora de um grande choque para enfrentar a crise".
Desde 17 de outubro, os libaneses vêm fazendo manifestações massivas no país, que passa por sua pior crise econômica desde a guerra civil (1975-1990). Bancos, escolas e universidades estão fechados, e barreiras bloqueiam os principais acessos à capital.
O levante está sendo chamado de "revolução do WhatsApp", porque começou após o anúncio de um plano para cobrar uma taxa sobre chamadas de voz em aplicativos como esse. A cobrança seria de 20 centavos de libra libanesa - equivalente a R$ 0,83 -, por dia, para ligações feitas por meio de programas que usam a tecnologia Voip, que permite chamadas pela internet. O governo recuou horas mais tarde, mas as manifestações continuaram, evidenciando o descontentamento da população frente a políticos que levaram o Líbano à crise econômica. "A todos os parceiros na vida política, nossa responsabilidade, hoje, é em como protegermos o Líbano e recuperarmos sua economia", afirmou o primeiro-ministro.
A saída de Hariri era a principal reivindicação dos manifestantes, mas a revolta é dirigida a toda a classe política, considerada incompetente e corrupta. O governo, que inclui quase todos os principais partidos do país, está lutando para implementar reformas há muito adiadas e vistas como vitais para começar a resolver a crise.
No último dia 21, Hariri anunciou um plano de reforma que não convenceu: medidas contra a corrupção, um orçamento sem novos impostos, um programa de privatizações para combater a disfunção dos serviços públicos e ajuda aos mais pobres.
Segundo a imprensa, capitais ocidentais como Paris e Washington intervieram para pedir a Hariri que permanecesse em seu posto, em nome da estabilidade. Abalado por uma guerra civil entre 1975 e 1990, o Líbano é um dos países mais endividados do mundo: o crescimento econômico foi dificultado por conflitos e instabilidade regionais. O desemprego entre pessoas com menos de 35 anos chega a 37%.
Os libaneses sofrem com a escassez crônica de água e eletricidade, e mais de um quarto da população vive abaixo da linha de pobreza. A crise foi agravada por uma desaceleração dos fluxos de capital para o país do Oriente Médio, que há muito depende de remessas de expatriados para atender às necessidades de financiamento, incluindo o déficit do Estado.
A crise financeira aumentou o ímpeto de reforma, mas as medidas do governo ainda não convenceram os doadores estrangeiros, que ofereceram bilhões de dólares em assistência ao país condicionados a mudanças nas políticas fiscais.
 
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