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Porto Alegre, sexta-feira, 25 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Argentina

Edição impressa de 25/10/2019. Alterada em 25/10 às 03h00min

Para 45% dos argentinos, Cristina Kirchner é quem vai governar

Ao menos 7% da população vive como indigente nas ruas das cidades do país

Ao menos 7% da população vive como indigente nas ruas das cidades do país


RONALDO SCHEMIDT/AFP/JC
Quase metade dos argentinos (45%) acha que quem governará o país no caso de vitória do peronismo na eleição presidencial de domingo será a candidata a vice, Cristina Kirchner - e não quem concorre a presidente, Alberto Fernández. De acordo com pesquisa recente dos institutos D'Allessio Irol e Berensztein, 74% dos que votarão neste binômio o farão apenas porque Cristina compõe a chapa.
Quase metade dos argentinos (45%) acha que quem governará o país no caso de vitória do peronismo na eleição presidencial de domingo será a candidata a vice, Cristina Kirchner - e não quem concorre a presidente, Alberto Fernández. De acordo com pesquisa recente dos institutos D'Allessio Irol e Berensztein, 74% dos que votarão neste binômio o farão apenas porque Cristina compõe a chapa.
Em maio deste ano, quando as pesquisas mostravam que ela poderia ganhar um primeiro turno contra o atual mandatário, Mauricio Macri, mas perderia no segundo (por conta do alto índice de rejeição), Cristina armou estratégia que surpreendeu a todos. Anunciou que sairia candidata, mas a vice, e quem lideraria a chapa seria Fernández - peronista mais tradicional, com fama de conciliador e hábil com empresários e meios de comunicação (setores com os quais Cristina sempre teve problemas).
"Não tenho vontade de ser presidente de novo, entrei nesse projeto para ajudar a reunificar a nossa força política", tem dito Cristina. A estratégia até aqui deu certo. Ambos venceram as primárias, em agosto, com larga vantagem, e agora chegam favoritos à eleição. Durante a campanha, Cristina tem sido discreta. Raramente sobe ao palco dos comícios ao lado de Fernández. Também já não faz mais os efusivos discursos para multidões em estádios.
O recolhimento de Cristina tem a ver com a estratégia. Se tem carisma suficiente para animar seus apoiadores, mas também gera ódio em outra faixa da população, concluiu-se que o melhor era agir com cautela. Uma fonte ligada à campanha peronista diz que a percepção destes é que, se ela aparecesse demais, acabaria levantando curiosidade e atenção, por exemplo, aos 11 processos por corrupção pelos quais responde na Justiça.
Há, porém, quem não deixe de lembrar isso. No domingo passado, antes do segundo debate presidencial, apoiadores de Macri levaram um imenso boneco inflável de Cristina vestida de presidiária, parecido ao que foi feito de Lula, no Brasil.
Quando indagado sobre quem escolherá os ministros, caso sejam eleitos, Fernández diz que ela "não terá nenhuma ingerência". Se perguntado sobre sua participação no governo, o candidato repete que o presidente será ele.
Há dois modos como Cristina pode atuar. Um seria, de fato, manter-se nessa posição e, em vez do protagonismo da presidência, cuidar de seus alicerces. Além disso, na Argentina, o vice tem mais poder do que no Brasil. Não se trata de mero substituto do presidente e é quem preside as sessões do Senado. Ou seja, Cristina ficará à frente dos debates legislativos.
Entre a militância, corre a versão de que Cristina estaria voltando mais ou menos como fez o general Juan Domingo Perón quando chegou do exílio, nos anos 1970. Primeiro, fez com que se elegesse um aliado, Héctor Cámpora, que governou apenas 49 dias. Convocou novas eleições e renunciou. Perón se elegeu, então, com 62% dos votos.

Redução da classe média se acelera; pobres, hoje, já são 35,4% da população argentina

Ao menos 7% da população vive como indigente nas ruas das cidades do país

Ao menos 7% da população vive como indigente nas ruas das cidades do país


RONALDO SCHEMIDT/AFP/JC

O publicitário Juan Cristóbal Miranda, de 43 anos, deixou a classe média argentina em maio. Ele já havia percebido a diminuição do trabalho, mas se surpreendeu com a demissão após dez anos na mesma agência.

Ao deixar de ganhar 45 mil pesos (R$ 3 mil) para receber pouco mais da metade em trabalhos esporádicos, Miranda ingressou na faixa dos considerados pobres. Este grupo, hoje, engloba 35,4% da população, segundo dados da Universidade Católica Argentina. Outros 7% vivem como indigentes nas ruas.

Agustín Salvia, responsável pelo estudo, destaca que o aumento de cerca de 7 pontos percentuais se deve justamente a casos como de Miranda. Segundo um estudo paralelo, do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas, desde 2015, 2,7 milhões de argentinos deixaram a faixa da classe média. A redução deste grupo, durante décadas associado a um desenvolvimento maior da Argentina em relação aos vizinhos, é um dos temas principais da eleição.

O desemprego de Miranda atingiu, por consequência, a renda de Norma, encarregada de limpar o apartamento dele. "Passei a limpar a casa eu mesmo, pois precisei controlar os gastos. É um efeito dominó, que atinge desde a classe média até as camadas mais populares", afirma.

O desemprego na argentina é de 10%, mas chama a atenção o fato de 29% da população economicamente ativa estar procurando emprego, pois a desvalorização do peso tornou o salário insuficiente.

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