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Porto Alegre, sexta-feira, 14 de junho de 2019.
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Jornal do Comércio

Internacional

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Hong Kong

Edição impressa de 14/06/2019. Alterada em 14/06 às 03h00min

Guarda-chuva se firma como símbolo em novos protestos

Manifestantes são contra proposta de extradição de suspeitos para serem julgados na China continental

Manifestantes são contra proposta de extradição de suspeitos para serem julgados na China continental


DALE DE LA REY/AFP/JC
Uma multidão de manifestantes "armados" com guarda-chuvas voltou a ocupar as ruas de Hong Kong nesta quinta-feira, nos protestos contra uma proposta de lei que permitirá, se aprovada, a extradição de suspeitos para serem julgados na China continental. As imagens de milhares de jovens, a maioria estudantes, segurando guarda-chuvas enquanto se aglutinam ao redor da sede do governo remetem ao histórico "Movimento dos Guarda-Chuvas", manifestação pró-democracia ocorrida 2014.
À época, mais de 100 mil pessoas ocuparam o distrito financeiro de Hong Kong em um movimento que reivindicava a escolha do chefe do Executivo nas eleições de 2017 por meio de votação direta, e não a partir de uma lista com candidatos previamente aprovados por Pequim. A ocupação durou 79 dias e se tornou violenta perto do fim, quando manifestantes e policiais entraram em confronto. Para se protegerem de bombas de gás lacrimogêneo e jatos de spray de pimenta disparados pelas forças de segurança, os manifestantes seguravam guarda-chuvas amarelos.
"Não falamos ao fim do Movimento dos Guarda-Chuvas que estaríamos de volta?", disse a legisladora pró-democracia Claudia Mo. "Agora, estamos de volta!", completou, ao passo em que manifestantes repetiam as suas palavras.
Não se sabe se a proposta de extradição será aprovada pelo Parlamento, que adiou a discussão para uma data indefinida em razão dos protestos. Mas o histórico não parece favorável, já que os guarda-chuvas de 2014, além de não protegerem efetivamente contra os efeitos dos gases, não foram bem-sucedidos no campo político.
Pequim não atendeu à demanda pelo voto direto, 100 manifestantes foram processados nos meses seguintes e nove líderes do movimento foram considerados culpados em um veredito em abril deste ano. A eles foi imputado o crime de conspirarem para causar "incômodo à ordem pública". A sentença se baseou em uma lei de quando Hong Kong ainda era colônia britânica, há mais de 20 anos. A pena será de 16 meses de prisão.
Nos protestos de agora, receosos de serem rastreados caso a polícia decida prestar queixas contra quem participou dos protestos, boa parte não tem usado os cartões de transporte público para voltar para casa. O motivo é que o tíquete adquirido com cédulas é uma modalidade anônima de viajar no transporte público, ao passo em que o "bilhete único" local, chamado Octopus, contém não só um número de registro que identifica o usuário, mas também memoriza todos os trajetos dos passageiros.
Hong Kong voltou ao comando central chinês em 1997, em um acordo feito com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, o qual deveria garantir eleições livres e democracia para a região. Hoje, é um território semiautônomo, no regime que ficou conhecido como "um país, dois sistemas", e há a preocupação crescente de que esteja perdendo autonomia e sucumbindo pouco a pouco ao regime do partido único chinês.
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