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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Internacional

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China

Edição impressa de 05/06/2019. Alterada em 05/06 às 15h08min

Em silêncio, chineses recordam 30 anos de massacre na Praça da Paz Celestial

Em 1989, soldados sufocaram a revolta após sete semanas de manifestações de estudantes e operários

Em 1989, soldados sufocaram a revolta após sete semanas de manifestações de estudantes e operários


CATHERINE HENRIETTE/AFP/JC
A China recordou nesta terça-feira (04) os 30 anos da repressão na Praça da Paz Celestial (Praça Tiananmen) com um doloroso silêncio e um forte esquema de segurança que deteve ativistas e tornou mais rígido o controle da internet. Em um dia cinza e nublado, a polícia verificava documentos de identidade de cada turista e passageiro que saía da estação de trem nas proximidades da praça, palco do sangrento massacre de junho de 1989.
A China recordou nesta terça-feira (04) os 30 anos da repressão na Praça da Paz Celestial (Praça Tiananmen) com um doloroso silêncio e um forte esquema de segurança que deteve ativistas e tornou mais rígido o controle da internet. Em um dia cinza e nublado, a polícia verificava documentos de identidade de cada turista e passageiro que saía da estação de trem nas proximidades da praça, palco do sangrento massacre de junho de 1989.
O esquema de segurança dificultava a entrada de jornalistas estrangeiros no local, enquanto os policiais gritavam que não era permitido tirar fotos. A praça era ocupada por centenas de pessoas, incluindo crianças com a bandeira chinesa sobre os ombros dos pais, que formaram fila para passar pelos controles policiais e entrar no local para a cerimônia de içamento da bandeira.
Na noite de 3 de junho de 1989, soldados sufocaram a revolta após sete semanas de manifestações e greves de fome de estudantes e operários que pediam o fim da corrupção e mais democracia. O número exato de mortos é desconhecido. Dois dias depois do massacre, o governo falou em "quase 300", incluindo militares, na repressão do que qualificou como "distúrbios contrarrevolucionários".
O embaixador do Reino Unido na época falou em 10 mil mortos, e a Cruz Vermelha Chinesa, em 2,7 mil. Em geral, segundo dados hospitalares, estima-se que houve entre 400 e mil mortos.
Os dias que antecederam a data também foram marcados pelo silêncio. Em uma das poucas menções ao evento, um editorial do jornal Global Times, ligado ao governo, elogiou a posição das lideranças chinesas da época. "Como uma vacina para a sociedade chinesa, o incidente na Praça da Paz Celestial vai aumentar a imunidade dos chineses contra qualquer abalo político no futuro", diz o texto, que louvou a política de controle do acesso a informações sobre os protestos e criticou o destaque dado ao assunto no exterior.
Pronunciamentos oficiais sobre a repressão são raros na China e, quando feitos, se dedicam a elogiar as ações oficiais. Não há monumentos, memoriais, estátuas ou placas homenageando os mortos. O assunto também não existe nos livros de História. Na internet, que é controlada, estima-se que mais de 3,2 mil palavras relacionadas à Praça da Paz Celestial tenham sido bloqueadas em sites de buscas.
Usuários de redes sociais foram temporariamente impedidos de mudarem fotos de perfil e informações pessoais. Alguns serviços foram paralisados. Até o Twitter, que é bloqueado na China, suspendeu contas críticas ao governo de Pequim, afirmando se tratar de "operação de rotina". Fora da China, a reação mais incisiva veio de Taiwan, considerada província rebelde por Pequim. "A China precisa se arrepender pelo incidente de 4 de junho e avançar, de forma proativa, nas reformas democráticas", afirmou o Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan.
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