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França

15/04/2019 - 14h49min. Alterada em 15/04 às 19h44min

Incêndio em Notre Dame de Paris derruba parte da catedral

Minutos depois do início do incêndio, a torre e o teto da igreja colapsaram completamente

Minutos depois do início do incêndio, a torre e o teto da igreja colapsaram completamente


GEOFFROY VAN DER HASSELT/AFP/JC
Atualizada às 18h21.
Um incêndio atinge, nesta segunda-feira (15), a Catedral de Notre Dame, no centro de Paris, uma das igrejas mais visitadas do mundo e o monumento histórico mais visitado da Europa. Imagens mostram fumaça saindo do topo da catedral medieval. Uma grande operação está em curso, de acordo com o Corpo de Bombeiros da capital francesa. Minutos depois do início do incêndio, a torre e o teto da igreja colapsaram completamente.

VÍDEOS JC: Catedral em chamas e a comoção dos parisienses

De acordo com o porta-voz de Notre Dame, o incêndio foi declarado às 18h50min do horário local (13h50 de Brasília), praticamente na mesma hora em que acabava o horário de visitação (18h45). A polícia isolou a área e está retirando os muitos turistas que estavam dentro da catedral, diz a agência Efe.
Segundo o corpo de bombeiros, o incêndio provavelmente está ligado a reformas do edifício que estão em curso. A procuradoria francesa já abriu uma investigação para determinar o que iniciou o fogo.
"Um terrível incêndio está em curso na Catedral Notre Dame de Paris. Os bombeiros estão tentando controlar as chamas. Estamos mobilizados no local em estreita ligação com a diocese de Paris. Convido todos a respeitar o perímetro de segurança", escreveu em seu Twitter a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

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Bombeiros realizam grande operação para apagar incêndio na edificação. Foto Bertrand Guay/AFP/JC

"Está tudo queimando, não restará nada da estrutura, que data do século XIX de um lado e do XIII do outro", lamentou pouco antes André Finot, porta-voz da catedral.
O presidente da França, Emmanuel Macron, cancelou um discurso à nação que faria nesta tarde por conta do incêndio. Ele se dirige ao local, assim como o primeiro-ministro Édouard Philippe. "Como todos os nossos compatriotas, estou entristecido nesta tarde de ver esta parte de nós queimar", disse o presidente.
No ano passado, a Igreja Católica na França lançara um apelo urgente pela mobilização de fundos para salvar a igreja, que estava começando a desmoronar. A catedral gótica, rodeada pelas águas do Rio Sena, recebe em média 12 milhões de visitantes ao ano, mais até do que a Torre Eiffel.
Em 2013, a igreja completou 850 anos. É também famosa por ser o cenário do romance Nossa Senhora de Paris, do escritor Victor Hugo.
O edifício foi construído ao longo de 200 anos entre 1163, durante o reinado de Luis VII, e 1345. Dentro da igreja, há um acervo de importância artística inestimável, incluindo um órgão do século XVII ainda em funcionamento. Há também pinturas e gravuras que relatam a História da catedral e da cidade de Paris. Dezesseis estátuas de bronze haviam sido removidas na semana passada por conta das obras em curso.
Com agências internacionais, O Globo, Estadão Conteúdo e Folhapress.

Construção da catedral levou 180 anos

Saqueada em várias ocasiões, a Catedral de Notre-Dame de Paris, símbolo do triunfo da arte gótica sobre a barbárie, completaria 857 anos em dezembro deste ano. A primeira pedra da Notre-Dame de Paris (Nossa Senhora de Paris) foi assentada durante o reinado de Luis VII, enquanto a cidade medieval de Paris crescia em população e em importância como centro político e econômico do reino da França.
Foi Victor Hugo que, em seu livro Notre-Dame de Paris, publicado em 1831, lançou o grito de alarme, alertando que a histórica catedral, menosprezada durante longo tempo, estava em ruínas.
Protagonizada pelo Corcunda de Notre-Dame, que vive no campanário da catedral, entre os gárgulas, o romance é impregnado pela paixão de Victor Hugo pela esplêndida construção gótica, uma proeza tecnológica da época medieval.
A construção da Notre-Dame na Île de la Cité, uma pequena ilha no centro de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena, levou 180 anos: desde 1163, quando começou a construção no local de uma catedral romana, até 1345.
Em meados do século 12, essa catedral romana era muito pequena para a população de Paris, cujo crescimento havia disparado.
Surgiu então o projeto de construir uma imensa catedral, de 135 metros de largura e 40 metros de altura, uma testemunha da prosperidade relativa do momento, quando a fome e as epidemias diminuíram.
A tentação de perfurar, para ganhar luminosidade, os espessos muros da arquitetura romana -únicos capazes até então de resistir à pressão das abóbodas emparelhadas, parecia naquela época uma loucura.
Seria necessário construir mais alto, transformando as abóbodas de ogiva em arcos, perfurando as paredes com imensos vitrais que difundiriam a luz do dia em um arco-íris de cores.
Em uma época em que 99% da população era analfabeta, a catedral era um "catecismo de pedra", disse Christian Citeau, guia da associação, acrescentando que por isso foi construída uma esplanada, um espaço de transição entre o mundo dos homens e de Deus, "onde se poderia encontrar as mensagens" religiosas.
Nestes quase oito séculos, a Catedral dedicada à Virgem Maria foi restaurada e sofreu acréscimos em várias ocasiões-a maior parte delas nos séculos 17 e 18.
Importantes modificações fizeram com que a catedral evoluísse do estilo gótico primitivo ao gótico superior, com a construção de terraços que substituíram os tetos inclinados, enquanto a parte superior dos arcos foi reformada para permitir a saída das águas da chuva.
No Renascimento, a Notre-Dame perdurou em meio a um desinteresse geral pelas catedrais chamadas "góticas", um termo depreciativo que designa um estilo "godo", ou seja, de "selvagens".
Desde Francisco I até Napoleão, os soberanos esconderam o estilo original da catedral, camuflando seus pilares e multiplicando as estátuas barrocas, sem prestar atenção à harmonia de seu estilo.
Os reis celebravam ali os grandes acontecimentos, até o século 13, um século negro para a catedral. Os líderes religiosos, estimando que os coloridos vitrais "comiam a luz", substituíram muitos deles por cristais brancos. Por sorte sobreviveram as rosetas.
Com a revolução, a catedral foi fechada, nacionalizada, profanada, despojada metodicamente. Seus tesouros foram roubados e a construção foi usada para armazenar alimentos.
A catedral de Notre-Dame foi restaurada para celebrar o acordo entre a França e a Santa Sé, em 1801, e para a coroação de Napoleão Bonaparte, em 1804. Mas em 1831 voltou a ser saqueada e seus vitrais foram quebrados.
Na época romântica, que enaltecia a expressão artística de outras épocas, a Notre-Dame foi vista com novo interesse. Foi então que Victor Hugo despertou a consciência com seu livro "Notre-Dame de Paris".
A ressurreição da construção começou em 1844, guiada pelo arquiteto francês Eugène Viollet-le-Duc.
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