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Porto Alegre, domingo, 24 de fevereiro de 2019.
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Internacional

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Venezuela

Edição impressa de 25/02/2019. Alterada em 24/02 às 21h58min

Fronteira entre Brasil e Venezuela registra segundo dia de confrontos

Do lado brasileiro da fronteira, ao menos três pessoas já morreram

Do lado brasileiro da fronteira, ao menos três pessoas já morreram


/NELSON ALMEIDA/AFP/JC
Manifestantes venezuelanos e a Guarda Nacional Bolivariana voltaram a entrar em confronto por volta das 13h de ontem na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Tanto Pacaraima, do lado brasileiro, quanto Santa Elena do Uairén, território venezuelano, registraram cenas de violência.
A confusão começou depois que um grupo de manifestantes insultou militares e queimou uma foto do ex-presidente Hugo Chávez. A Guarda reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e algumas caíram em território brasileiro. Após os confrontos, a força-tarefa do comando do Exército do Brasil decidiu montar um cordão de isolamento com membros da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal e da Força Nacional. Ao menos três pessoas já morreram nos confrontos, mas o número pode chegar a 20.
Já na fronteira com a Colômbia, venezuelanos armados com coquetéis molotov cruzaram ilegalmente para a Venezuela, próximo à ponte Santander, que liga a colombiana Cúcuta a Urenã. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, 285 pessoas ficaram feridas.
Por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, as passagens tanto do Brasil quanto da Colômbia foram fechadas na sexta-feira, véspera do Dia D de entrega da ajuda humanitária articulada pela oposição, liderada pelo autoproclamado presidente, Juan Guaidó. A tentativa de passar os caminhões com alimentos e medicamentos começou às 9h locais (11h em Brasília) de sábado.
No início da noite, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, dois caminhões com ajuda humanitária conseguiram ingressar via Pacaraima.
"A presidência da República informa que a participação do governo brasileiro foi exitosa em reunir e transportar as doações até o destino de distribuição. Os dois primeiros caminhões do Brasil cruzaram a fronteira, adentrando o país vizinho, sem incidentes", diz o texto assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Para o governo brasileiro, os atos de violência caracterizam "o caráter criminoso do regime de Maduro" e um "brutal atentado aos direitos humanos".
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia informou ontem que 104 militares venezuelanos, incluindo oficiais, pediram refúgio ao país. Os primeiros integrantes da Guarda Bolivariana que se entregaram na Ponte Internacional Simón Bolívar foram o tenente Richard Sánchez Zambrano e os sargentos-majores Edgar Torres Valera e Óscar Suárez Torres. No lado brasileiro, a informação é de que dois sargentos da Guarda desertaram na noite de sábado e solicitaram refúgio em Pacaraima.
Além de Brasil e Colômbia, também participam da missão de envio de ajuda humanitária Chile, Paraguai e a Organização dos Estado Americanos (OEA).

Opções à crise serão foco de reunião hoje entre Guaidó, Grupo de Lima e EUA

Hoje, o autoproclamado presidente Juan Guaidó se reunirá com representantes do Grupo de Lima - formado por 14 países das Américas, dos quais apenas o México não o reconhece - e com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, para discutir novas estratégias para fazer entrar remédios e alimentos na Venezuela, bem como para buscar rupturas de oficiais de média e alta patente nas Forças Bolivarianas. O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, serão os representantes brasileiros na reunião. Mourão vai coordenar a resposta do Brasil.

Os líderes da oposição venezuelana devem pedir hoje à comunidade internacional, durante a reunião em Bogotá, para considerar o uso da força contra o presidente Nicolás Maduro. "Vamos exigir uma escalada na pressão diplomática e no uso da força contra a ditadura de Maduro", disse Julio Borges, um dos principais membros da coalizão de oposição e representante no Grupo Lima. Já o deputado opositor Luis Silva afirmou que a estratégia de entrega de ajuda será um dos pontos avaliados no encontro. "O presidente Guaidó fará tudo a seu alcance para que a ajuda chegue."

Roraima sofre com cortes de energia e com sobrecarga na área de saúde

O governador de Roraima, Antônio Denarium, anunciou ontem que decretará estado de calamidade na saúde pública do estado. A decisão foi tomada após o agravamento dos conflitos na Venezuela, que resultaram no aumento do número de feridos que são removidos para hospitais do estado.

O decreto será publicado na edição de hoje do Diário Oficial do estado. "Nós vamos decretar estado de calamidade pública para termos a possibilidade de fazer compras emergenciais de medicamentos e material médico-hospitalar", acrescentou Denarium.

Desde o início do Dia D na fronteira até a tarde de ontem, 18 feridos deram entrada no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, com ferimentos por arma de fogo. Desse total, 13 tiveram que passar por cirurgia e estão internados em unidades de terapia intensiva.

Denarium também informou que foi determinada pelo presidente Jair Bolsonaro a urgência na construção do linhão de Tucuruí, que vai permitir interligar o estado ao sistema elétrico nacional. Atualmente, Roraima depende do fornecimento de energia da Venezuela, e o agravamento da crise política tem prejudicado a oferta do serviço e gerado cortes de energia.

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