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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Internacional

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Ásia

Edição impressa de 11/01/2019. Alterada em 11/01 às 01h00min

Estudos indicam que população da China pode diminuir antes do previsto

Durante décadas, país manteve a chamada 'política do filho único'

Durante décadas, país manteve a chamada 'política do filho único'


/Frederic J. BROWN/AFP/JC
Dois estudos divulgados nos últimos dias indicam que a população da China deve começar a diminuir de tamanho antes do previsto. O país é o mais populoso do mundo, com 1,39 bilhão de pessoas.
Nesta quinta-feira, Yi Fuxian, pesquisador estabelecido nos EUA que atua na Universidade de Wisconsin-Madison, divulgou estudo no qual estima que a população da China encolheu em 1,27 milhão em 2018. Para chegar a esse número, Yi somou estimativas de nascimentos e de mortes no país a partir de dados locais. Os números oficiais devem ser divulgados ainda em janeiro. Se a previsão de Yi for confirmada, será a primeira queda de população, ao menos, desde 1949.
Nos últimos meses, informações de cidades e províncias chinesas já apontavam a queda. Em Jiangsu, uma das províncias mais populosas do país, o número de nascimentos caiu 12,8% no primeiro semestre de 2018. Na semana passada, a Academia Chinesa de Ciências Sociais publicou um relatório no qual aponta que a população deve atingir seu ápice em 2029, com 1,44 bilhão, e começar a encolher a partir de 2030. Um estudo da ONU, de 2017, já previa que a China passaria a encolher em 2030, mas estimava que o país chegaria a 1,44 bilhão de pessoas cinco anos antes, em 2024.
A taxa de filhos por mulher segue em torno de 1,6 e é fruto de uma forte ação de Estado para conter o nascimento de crianças, que durou décadas. Em 1979, a China deu início a uma política que permitia apenas um filho por casal. Famílias que descumpriam as regras eram submetidas a punições como multas pesadas, perda do emprego, abortos forçados e esterilização.
A medida, conhecida popularmente como "política do filho único", foi flexibilizada a partir de 2000 e suspensa em 2015. Desde então, cada casal pode ter até dois filhos.
Depois de décadas exigindo o contrário, o governo tenta, agora, estimular a natalidade, com propagandas que exortam os casais a "ter filhos para ajudar o país" e medidas financeiras, como dedução de impostos, que pode chegar a 12 mil yuans (R$ 6,5 mil) por ano. Mas, mesmo com mudanças, o número de nascimentos vem caindo desde 2017. Foram 17,2 milhões naquele ano, contra 17,86 milhões em 2016, segundo os dados oficiais.
A falta de interesse em ter bebês é motivada por várias razões, como o maior número de pessoas vivendo em cidades onde o custo de vida é maior. "Os pais querem prover os melhores recursos possíveis para seus filhos. Isso não será possível se tiverem vários", disse Huang Wenzheng, especialista em demografia, ao jornal estatal Global Times. Outra razão para a queda de natalidade é o fato de jovens preferirem priorizar suas carreiras e, assim, adiarem a decisão de casar e ter filhos, ou simplesmente preferirem não formar uma família.
Com o aumento no número de idosos e menos pessoas em idade de trabalhar, o país terá dificuldades para manter seu crescimento acelerado, que segue acima de 6% ao ano desde 1991. Para Yi e Huang, a expectativa é de que o governo retire o limite de dois filhos e libere as famílias para terem quantos bebês desejarem.
 
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