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América do Sul

Edição impressa de 03/10/2018. Alterada em 03/10 às 01h00min

Doenças erradicadas reaparecem na Venezuela

A crise econômica na Venezuela causou o colapso do sistema de saúde. A constatação é da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que alerta para a fuga de um a cada três médicos venezuelanos e para a explosão de novos casos de Aids, malária, tuberculose, sarampo e difteria.

"Uma progressiva perda de capacidade operacional no sistema de saúde, nos últimos cinco anos, foi intensificada em 2017 e 2018, afetando o acesso ao tratamento gratuito e a remédios", afirmou um documento da Opas, o escritório regional da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A informação foi utilizada como base em um encontro fechado, realizado na semana passada, em Washington, para mapear a crise. Os dados batem de frente com a versão oficial, dada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, que garantiu que a saúde gratuita estava garantida.

"Muitos hospitais estão operando em condições desafiadoras, e a Federação Médica da Venezuela estima que 22 mil médicos deixaram o país", diz o levantamento. Como havia 66 mil profissionais registrados em 2014, significa que um a cada três foi embora, prejudicando tratamento intensivo, emergências e anestesia.

Estima-se que 6 mil técnicos de laboratórios e bioanalistas também façam parte do êxodo de profissionais, além da fuga de 5 mil enfermeiras. Não por acaso, a Opas considera que o sistema de saúde da Venezuela está "sob estresse". Além da mão de obra, faltam também remédios e equipamentos. "Isso afetou a rede de saúde e sua capacidade de dar uma resposta a emergências e a epidemias."

Colapso do sistema de saúde está registrado nas estatísticas

Enquanto o mundo reduziu o número de novos casos de Aids, entre 2010 e 2016, a Venezuela seguiu o caminho oposto e registrou 24% a mais de infecções no período. Ao mesmo tempo, o acesso aos remédios foi afetado: 69 mil dos 79,4 mil pacientes registrados para receber o coquetel de combate ao HIV não receberam o medicamento em 2018. "Não temos 15 dos 25 antirretrovirais. Os estoques acabaram há nove meses", indica o informe.

A tuberculose, da mesma forma, ganhou novas proporções. Em 2014, foram registrados 6 mil casos. Para 2017, os dados preliminares já indicam 10,1 mil ocorrências e uma tendência de alta para 2018. 

No caso da malária, os infectados mais que triplicaram em três anos. Em 2015, foram 136 mil casos, em 2016, 240,6 mil, e, em 2017, 406 mil. A difteria também voltou. O primeiro caso foi registrado em 2016 e, desde então, foram 1,9 mil ocorrências e 168 mortes.

A crise também já levou o sarampo para todos os 23 estados e à capital Caracas. Entre julho de 2017 e julho de 2018, 4,2 mil casos foram registrados - 3,5 mil deles em 2018, e 62 mortes confirmadas.

"A proliferação do vírus é explicada por vários favores, entre eles a cobertura de vacinação insuficiente, sistemas de monitoramento inadequados, atrasos na implementação de medidas de controle e baixa capacidade de isolamento", ressaltou a Opas.

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