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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

Internacional

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Tragédia

Edição impressa de 15/08/2018. Alterada em 15/08 às 01h00min

Queda de ponte em Gênova causa pelo menos 35 mortes

Parte que caiu tinha cerca de 80 metros de distância e 45 metros de altura

Parte que caiu tinha cerca de 80 metros de distância e 45 metros de altura


VALERY HACHE/AFP/JC
Folhapress
Um trecho de uma ponte na rodovia A10 desabou ontem durante uma tempestade na cidade de Gênova, no Norte da Itália. Ao menos 35 pessoas morreram e 14 ficaram feridas, sendo cinco em estado grave. A parte que caiu tinha cerca de 80 metros de comprimento e 45 de altura.
O jornal Corriere della Sera informou que entre os mortos há pelo menos uma criança, e que quatro pessoas foram resgatadas vivas dos escombros, porém outras dez ainda estão desaparecidas. A ponte Morandi foi construída em 1967 e passou por uma reforma há dois anos. Em Gênova, ela é conhecida como ponte do Brooklyn, em referência à tradicional construção de Nova Iorque.
O chefe da Defesa Civil italiana, Angelo Borrelli, relatou que a ponte caiu sobre duas casas, ambas vazias. Conforme o levantamento realizado na área, não há nenhuma informação sobre vítimas que estavam no chão no momento do desabamento. Segundo Borrelli, entre 30 e 35 carros e três caminhões estavam no trecho que desabou. Cerca de 200 bombeiros participam das tentativas de resgate.
As primeiras imagens divulgadas pelos meios de comunicação mostravam a ponte, sem dezenas de metros, em meio à neblina. Bombeiros dizem temer que o desabamento afete as linhas de gás que passam pela região. Pelo terreno da região de Gênova, que fica entre o mar e a montanha, a rodovia possui longos túneis e viadutos. O trecho que desabou passa por uma zona industrial e também sobre a água.
De acordo com a Defesa Civil italiana, ainda não é possível estabelecer as causas do desabamento. A estrada A10 vai de Gênova até a fronteira com a França e é usada também por moradores das regiões de Piemonte e Lombardia para se deslocarem às praias da Ligúria.
A concessionária responsável pela rodovia, a Autostrade per l'Italia, disse que vai trabalhar com as autoridades para esclarecer o acidente e que não havia nenhuma manutenção programada para o local. A companhia é controlada pela Atlantia, empresa que tem como principal acionista o braço de investimento da família Benetton, dona da marca de roupas homônima.
Mas segundo o ministro dos Transportes da Itália, Danilo Toninelli, o governo iria lançar em breve um projeto de € 20 milhões (R$ 88,5 milhões) para melhorar a ponte. "Não há manutenção, fiscalização ou trabalho de segurança nas pontes e viadutos da Itália, sendo que a maioria foi construída na década de 1960", afirmou ele, que está no cargo desde junho, quando o novo governo tomou posse.
O ministro do Interior e vice-premiê Matteo Salvini usou o caso para criticar a União Europeia. Segundo ele, as restrições orçamentárias do bloco impedem que a Itália tenha verbas para fazer a manutenção das pontes. "Devemos nos perguntar se esses limites são mais importantes que a segurança dos cidadãos italianos. Para mim, evidentemente, não são", disse ele, que foi eleito com um discurso contrário ao bloco.
 
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