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Justiça

- Publicada em 01/12/2021 às 22h29min.

'Quanto mais pessoas dentro da casa, melhor', diz vítima no julgamento do caso Kiss

Kátia Siqueira disse que o interior da Kiss era um

Kátia Siqueira disse que o interior da Kiss era um "labirinto"


Reprodução/YouTube TJ-RS/JC
Juliano Tatsch
O primeiro depoimento no julgamento do caso Kiss foi de uma das vítimas do incêndio. Kátia Giane Pacheco Siqueira era funcionária da boate Kiss, onde trabalhava há seis meses quando da tragédia. O depoimento começou às 14h17min desta quarta-feira (1) e se estendeu durante toda a tarde.
O primeiro depoimento no julgamento do caso Kiss foi de uma das vítimas do incêndio. Kátia Giane Pacheco Siqueira era funcionária da boate Kiss, onde trabalhava há seis meses quando da tragédia. O depoimento começou às 14h17min desta quarta-feira (1) e se estendeu durante toda a tarde.
Inicialmente, a vítima foi inquirida pelo juiz. Ao ser questionada sobre quais dos réus ela via na boate com frequência, Kátia afirmou que via Elissando Spohr, o Kiko, "quase todas as vezes".
No momento mais emotivo do depoimento, a vítima falou sobre o impacto da tragédia na sua saúde. "Apaguei e acordei 21 dias depois, em Porto Alegre. Queimei 40% do corpo. Tentaram me desentubar, tive uma parada cardiorrespiratória. (...) Quando tentaram me desentubar, minha mãe falava 'filha, tu tens de reagir, faz força, batalha, não te abala'. Dali em diante, ela estava sempre me apoiando. (...)Quando deu 46 dias, tive alta. Continuei com tratamento em casa. Fiz cinco cirurgias de enxerto de pele. (...) Depois, comecei as cirurgias reparativas, para amenizar as cicatrizes", disse Kátia, sem conseguir conter as lágrimas.
Um dos pontos que a acusação reforçou foi em relação à lotação da Kiss naquela noite. "A orientação da casa era de só sair se a comanda estivesse paga", observou a vítima. "Quanto mais pessoas dentro da casa, melhor", complementou, ao ser questionada se havia alguma orientação para que a entrada fosse encerrada após a boate atingir uma determinada lotação.
Kátia afirmou também que nem ela nem nenhum outro colega que trabalhava na boate recebeu treinamento para caso de incêndio ou para evacuação. Em outro momento, foi questionada sobre se havia dificuldade para deixar o local em caso de emergência. "Era um labirinto. Eu mesmo trabalhava lá e quase não consegui sair", observou. Em um dos momentos em que foi necessária a intervenção do juiz, a promotora Lúcia Callegari perguntou o que a vítima esperava para os réus. Antes de o magistrado interromper e afirmar que não era para a questão ser respondida, Kátia falou: "Que sejam condenados."
Às 20h17min, começou o segundo depoimento deste primeiro dia de julgamento. Também vítima do incêndio, Kelen Giovana Ferreira falou por 1h53min.
Em seu depoimento, Kelen disse que queimou 18% do corpo e perdeu um pé em função do incêndio e consequências. Às 4h30min do dia do ocorrido, ela foi entubada e mandada de avião a Porto Alegre, onde ficou internada por 78 dias, 15 deles em coma.
A vítima também disse que teve de entrar na Justiça contra o Estado e município de Santa Maria para conseguir a prótese que usa, e que nunca foi procurada pelos réus.
Como todos os advogados de defesa declinaram do direito de inquirir a depoente, o juiz Orlando Faccini Neto encerrou a oitiva às 22h10min, dando fim à sessão.
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