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- Publicada em 24/09/2021 às 11h14min.

Jornalismo perde José Antônio Severo, aos 79 anos

Severo deixa um legado importante como escritor e jornalista

Severo deixa um legado importante como escritor e jornalista


Tânia Meinerz/divulgação/jc
Cristine Pires
Pouco antes de entrar na sala de cirurgia, nesta quinta-feira (23), o escritor e jornalista José Antônio Severo trocava informações sobre os próximos textos que escreveria para o portal Repórter Brasília com o amigo e colega Edgar Lisboa, colunista do Jornal do Comércio. Aos 79 anos, não conseguiu resistir ao procedimento, em função de complicações durante a cirurgia nos pulmões, e faleceu na madrugada desta sexta-feira (24), em São Paulo.
Pouco antes de entrar na sala de cirurgia, nesta quinta-feira (23), o escritor e jornalista José Antônio Severo trocava informações sobre os próximos textos que escreveria para o portal Repórter Brasília com o amigo e colega Edgar Lisboa, colunista do Jornal do Comércio. Aos 79 anos, não conseguiu resistir ao procedimento, em função de complicações durante a cirurgia nos pulmões, e faleceu na madrugada desta sexta-feira (24), em São Paulo.
“O Jornalismo perde muito com a partida do Severo. Qualquer assunto ele sabia de cabeça, dava depoimentos, contava histórias sobre diferentes temas sem errar, e muito rapidamente”, diz Lisboa, que sentirá falta da troca de ideias constante e conversas entre os dois. Lisboa destaca que, para se ter uma ideia do amor de Severo pela profissão, basta ver que, minutos antes da cirurgia, a preocupação de Severo era com as próximas pautas.
Cuidado na apuração dos fatos, Severo tinha por princípio aprofundar as notícias, com foco na busca de informações corretas e seguras. “Ele pesquisava muito, tinha um cuidado enorme e combatia o conteúdo superficial que é comum na internet em tempos de fakenews”, diz Lisboa, ao comentar que todos os textos assinados por Severo no portal Repórter Brasília repercutiam imensamente.
Severo atuou por mais de 50 anos na imprensa econômica. Era colaborador do portal Repórter Brasília, para a qual produziu até dias antes de sua partida. Foi editor-executivo da revista Exame, editor e diretor da Gazeta Mercantil, editor-chefe do Jornal da Globo e diretor geral de Jornalismo da Rede Bandeirantes.
Trabalhou como repórter dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, das revistas Realidade e Veja. Na televisão, integrou a bancada do programa Crítica&Autocrítica, da Rede Bandeirantes, e desempenhou a função de âncora do programa Primeira Página da TV Nacional de Brasília.
Entre os livros que escreveu, estão Os Senhores da Guerra (L&PM Editores) e Cem Anos de Guerra no Continente Americano (Editora Record). Seu último trabalho foi o roteiro para uma série sobre os 200 anos da Independência do Brasil, que está sendo produzida pela TV Cultura de São Paulo, para exibição no ano que vem. Como colunista, sua última contribuição para o portal Repórter Brasília foi o texto publicado em 22 de setembro. Confira.

As inacreditáveis verdades de Bolsonaro e Biden nas Nações Unidas

Por José Antônio Severo, para o portal Repórter Brasília
Os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden, primeiro e segundo oradores da Assembleia Geral da ONU, pela precedência dos países vencedores da Segunda Guerra. Na sua origem, Nações Unidas era o nome de uma coesão militar para enfrentar as potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão – e seus satélites (Áustria, Romênia, Hungria, Albânia. Manchúria, Coreia etc.). O Brasil, com suas bases no Nordeste e a esquadra da Batalha do Atlântico Sul (depois ainda com a FEB e a FAB no teatro de operações europeus), tinha o status de nação beligerante central, ao lado dos EUA, União Soviética, Inglaterra, China e dissidência França Livre, agregando seus satélites, como Polônia, Países Baixos, Dinamarca, Noruega, Marrocos, Índia) que, mesmo contribuindo com tropas, não integraram o comando político, embora tivessem papel relevante na vitória.
Os dois presidentes cumpriram seus papéis protocolares, legados pelos fundadores da ONU, criando uma tradição já quase centenária: Oswaldo Aranha e Harry Truman (Getúlio Vargas não foi) fizeram os primeiros discursos da entidade guerreira transformada em centro mundial da paz. Nessa configuração, o Brasil era um dos membros permanentes do Conselho de Segurança, mas foi retirado por pressões de Josef Stalin, então ditador da URSS. Perdeu a cadeira, mas não a precedência. Com isto, abriu-se espaço para Bolsonaro atacar seu moinho de vento, a ameaça comunista, e Biden a fake diante do mundo declarando-se satisfeito com os resultados militares e políticos da guerra do Afeganistão.
Muitas teses conservadoras de Bolsonaro não são tão unanimemente rejeitadas no cenário interacional, como muita gente pensa por aqui. O presidente brasileiro é ouvido e acatado em vastas regiões do planeta, como no Leste Europeu, na Rússia, na Ásia das antigas republicas soviéticas, nas autocracias monarquias médio-orientais e na África. Ele é mais combatido nos espaços da civilização ocidental moderna.
Já Biden teve problemas em seu discurso sobre o Afeganistão. Teve de dizer que o final da festa foi positivo, mas precisou esconder porque dizia o que disse. Saia justa, pois ele implementou o acordo do seu adversário e antecessor Donald Trump. A ideia central de Trump seria que os 20 anos de ocupação norte-americana foram uma lição de bom tamanho ao governo talibã do Emir Omar por ter dado asilo aos terroristas estrangeiros sauditas de Osama Bin Laden. E guerra fora só isso, para dar uns cascudos nos sunitas, pois, no passado, na verdade, o talibã fora levado ao poder no Afeganistão pelos financiamentos da CIA, norte-americanos, na guerra contra os russos. Era um aliado de castigo. Apenas pisaram na bola.
Entretanto, foi Trump que fechou tal acordo, algo improvável e tão inacreditável que Biden não pode explicitar seu apoio. Tem de dizer que seu governo cumpre decisões de estado concluídas legitimamente. Com o controle efetivo do governo afegão pelos talibãs, um estado governado pela sharia, a lei sunita, coloca mais um tapume no cerco ao Irã: Ao Sul o Reino da Arábia Saudita, sunita, a Leste os inimigos figadais do Iraque.
O Talibã ficou da quarentena vinte anos, mas voltou com nova liderança, já com o peso do chicote nas costas, dizendo ao mundo que vai cuidar apenas de seu torrão. Estrangeiros que botarem o pé lá para fazer subversão, serão presos e devolvidos a seus algozes. Ou seja: O Afeganistão é um estado nacional que vai se fechar em seus limites. E vão ficar por ali. As mulheres, os homossexuais, as minorias religiosas e étnicas ou os odiados xiitas da Aliança do Norte e seus caudilhos, que se entendam politicamente com os novos donos do poder. Como muitos deles são radicais, estão armados e organizados, haverá uma guerra civil. Por isto os norte-americanos providencialmente esqueceram-se de copioso material militar, deixado para trás na retirada, que já está em uso pelos talibãs para estabilizar seu governo e bater forte nos seus antigos aliados sunitas do Estado Islâmico K, apoiados pelos sauditas, agora convertidos em inimigos do povo.
Veladamente, diz Biden: o estado que admitir inimigos dos Estados Unidos em seus territórios será destruído implacavelmente, como, depois do Afeganistão, ocorreu no Iraque, Líbia, Sudão. O que vier depois, paciência. As culpas da destruição desses países, diz o chefe de estado americano, é culpa de sua audácia de darem apoio a terroristas que foram cometer violências em território norte-americano. Já as bombas na Europa não são com eles, os europeus que cuidem de seus dissidentes e suas bases no exterior.
Há mais atores. Os russos apoiam os talibãs pelo mesmo motivo que os norte-americanos: o medo dos sunitas da Chechênia. A diferença é que o governo de Moscou fala as claras, e aparece no cenário mundial como agindo contra os Estados Unidos. Bobagem.
O mesmo motivo tem a China que, apoiando com investimentos, espera que os talibãs fechem a retaguarda dos rebeldes muçulmanos da nação do Uigures. Seguindo o padrão de sua diplomacia moderna (pois o conflito sino-afegão, entre muçulmanos e budistas, é antigo, de séculos) Pequim vai despejar baldes de dólares para assegurar a boa-vontade de seus novos aliados. Vai dar certo. Menos uma fronteira com conflito no mundo. Talibã é paz.
Biden livrou-se dessa batata quente, deixada por seus antecessores, numa negociação que seria tida como estapafúrdia, tal qual os diálogos com a Coreia do Norte. Foi às Nações Unidas dizer que venceram, embora por todos os lados haja vazamentos dessa contenção talibã, que será uma república islâmica anti norte-americana. Mas sem abrigar terroristas. Isto basta.
Assim Joe Biden e Jair Bolsonaro aplicaram suas versões para fatos controvertidos. Deu gritaria no mundo ocidental inteiro. Mas se livraram dos sapos que os engasgavam. Muito interessante os objetivos dos dois grandes rivais do Novo Mundo nas Nações Unidas.
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