O mês do orgulho LGBTQI+ coloca nas manchetes o quão perigoso é fazer parte desse grupo de pessoas representado pelas letras da sigla no Brasil. Em 2020, pelo 12º ano consecutivo, o País foi considerado o que mais mata transexuais no mundo Trans Murder Monitoring (Observatório de Assassinatos Trans, em inglês). A situação é gravíssima, mas o risco de morrer apenas por ser quem é não é o único que o público LGBTQI+ brasileiro corre. As marcas na saúde mental também são fortes e, se não causam a morte imediata, podem levar a quadros de saúde graves. Foi isso que pesquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) analisaram em um dos maiores estudos já realizados no país sobre a saúde mental da população brasileira.
A análise de um recorte do público com idade média de 18 anos, um contingente de 1.475 indivíduos, evidenciou que 33% dos jovens cisgêneros heterossexuais sofrem com algum transtorno mental. Já entre os LGBTQA+, o número chega a 52%. Ou seja, mais da metade dessa população jovem tem algum problema relacionado à saúde mental.
Transtornos mentais em jovens no Brasil
O contraste fica ainda mais evidente quando se especifica o tipo de transtorno enfrentado. A ansiedade é identificada em 15% dos cisgêneros/heterosexuais e em 30% dos LGBTQA+. Para depressão, o índice é de 15% para um grupo e 27% para outro, enquanto o transtorno de estresse pós-traumático se apresenta em 2% e 5% dos participantes, respectivamente. Os resultados alertam sobre a necessidade de atenção para a saúde mental da população LGBTQA+. "O estresse de minorias, vivenciado por esse grupo em ambientes que a todo momento invalidam a diversidade sexual e de gênero, pode explicar essas diferenças encontradas na população jovem", comenta a pesquisadora Tauana Terra.
O texto do artigo Mental Health Conditions in Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender, Queer and Asexual Youth in Brazil: a call for action está disponível na plataforma Medrxiv, e ainda vai passar por revisão dos pares.