Porto Alegre, terça-feira, 04 de maio de 2021.
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Solidariedade

- Publicada em 20h02min, 04/05/2021. Atualizada em 20h48min, 04/05/2021.

Artesãs do Morro da Cruz fazem mutirão para alimentar famílias da comunidade em Porto Alegre

Ao todo, são distribuídas cercas de 250 marmitas por semana

Ao todo, são distribuídas cercas de 250 marmitas por semana


Ciupoa - Divulgação/JC
Adriana Lampert
Um mutirão realizado por seis moradoras do Morro da Cruz tem garantido que dezenas de famílias daquela comunidade possam se alimentar pelo menos duas vezes por semana. Todas as sextas e sábados ao meio-dia, e terças e sábados à noite, homens, mulheres e crianças formam filas com potes na mão e máscara no rosto, para levar para casa uma porção de arroz, feijão, massa, legumes e carne (frango, salsichão ou guisado), além de pão caseiro e frutas.
Um mutirão realizado por seis moradoras do Morro da Cruz tem garantido que dezenas de famílias daquela comunidade possam se alimentar pelo menos duas vezes por semana. Todas as sextas e sábados ao meio-dia, e terças e sábados à noite, homens, mulheres e crianças formam filas com potes na mão e máscara no rosto, para levar para casa uma porção de arroz, feijão, massa, legumes e carne (frango, salsichão ou guisado), além de pão caseiro e frutas.
Puxada pela aposentada Maria Tereza Rodrigues (conhecida como tia Márcia), há dois meses a ação solidária responde pela distribuição de 250 a 300 marmitas por semana, que ocorre em quatro pontos distintos da região. Ela conta que inicialmente ela mesma produzia umas "quentinhas" um pouco mais simples para entregar aos vizinhos que iam até sua casa pedir ajuda. Moradora do bairro há quatro décadas e mãe de santo há 18 anos, ela tem uma casa de religião no Morro da Cruz que é referência para algumas famílias da comunidade. "Com o aumento do desemprego e a interrupção do auxílio emergencial, este ano muita gente passou a me procurar para pedir alimentos", explica a mãe de santo. "E mesmo agora que o benefício foi prorrogado, ainda é difícil, pois o valor ficou muito abaixo do ano passado", avalia.
Foi a partir daí, e da "angústia de ver crianças passando fome", que ela decidiu fazer alguma coisa para ajudar a amenizar a situação. A ação cresceu a partir do momento em que Maria Tereza procurou ajuda junto à Organização Não Governamental (ONG) Centro de Inteligência Urbana de Porto Alegre (CiuPoa), que atua no Morro da Cruz há dez anos. Segundo a diretora-presidente da CiuPoa, Tânia Pires, o vínculo da aposentada com a ONG já existia há quatro anos, quando ela ingressou em um dos projetos que a Organização desenvolve no Morro da Cruz. "A Márcia (como é chamada Maria Tereza) é integrante do grupo de mulheres empreendedoras", que aprendem diversos saberes da área de artesanato, explica Tânia.
"Até então, nós não sabíamos da iniciativa dela, que só nos procurou quando a panela de pressão que usava estragou", conta a diretora-presidente da CiuPoa. Na época, a aposentada cozinhava sozinha, produzindo dez marmitas por semana. Logo a solidariedade contagiou as colegas de grupo, que resolveram doar os R$ 448,00 que tinham em caixa (das vendas dos produtos que o grupo de mulheres comercializou em feiras no decorrer de 2019) para que a ação pudesse ser continuada.
E deu certo. A notícia se espalhou e dia a dia foram aparecendo mais famílias em busca de alimento, na porta da casa de Maria Tereza. Foi então que surgiu a necessidade de buscar apoio de outras pessoas da sociedade civil. "Passamos a divulgar uma campanha de arrecadação de insumos não perecíveis e recursos para viabilizar as quentinhas", resume Tânia. Um conjunto de amigos, familiares e conhecidos de redes sociais de aproximadamente seis voluntárias na ONG abraçou a causa e passou a doar dinheiro, alimentos e produtos de higiene para serem distribuídos para as pessoas contempladas com as "quentinhas". 
Em paralelo, outras cinco artesãs do grupo de mulheres empreendedoras, moradoras do Morro da Cruz, decidiram colocar a mão na massa e cozinhar em casa para ampliar a abrangência da ação. E na residência de Maria Tereza, a estrutura aumentou: hoje ela tem uma equipe de quatro pessoas ajudando na lida das jantas e na produção de pão. A ONG comprou um fogão industrial de duas bocas e doou para a ação. "Além disso, também estou com outro fogão que foi doado, mas meu forno elétrico estragou", pondera a aposentada, que quando pode também cozinha outras 45 marmitas para levar para famílias que ocupam a invasão São Guilherme, no entorno.
"Até agora, conseguimos arrecadar R$10 mil", comemora a advogada Daniely Votto, que trabalha como voluntária na ONG. Segundo ela, já foram gastos R$ 3.462,00 na compra de insumos, para alimentar as famílias beneficiadas pela ação. "Acreditamos que, com este dinheiro, seja possível manter as quentinhas por mais um mês e meio (até meados de junho)." Destacando a importância de seguir com a campanha, uma vez que o desemprego segue em alta, e a pandemia de Covid-19 está longe de ser contida, Daniely comenta que "a procura por alimentação no Morro tem crescido".
"Começamos com 40 pessoas, hoje são mais de 250 pessoas carentes de alimento, isso é muito triste, afora a realidade do contágio do novo coronavírus que está muito forte, por mais que as pessoas tentem se cuidar", ressalta a advogada voluntária na ONG. Ela informa que as pessoas que desejarem ajudar a iniciativa, doando produtos alimentícios da cesta básica (não perecíveis) podem entrar em contato com ela através do whatsapp 51-984496540. "Eu e a Tânia buscamos de carro", explica.
Já quem quiser doar dinheiro para a compra de alimentos perecíveis deve realizar a transferência pelo pix 91029384053. "Duas vezes por semana, enviamos uma lista de compras para os supermercados locais, que entregam os produtos nos pontos onde estão sendo produzidos os alimentos", observa Tânia. 
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