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Distanciamento controlado

- Publicada em 15h54min, 22/02/2021. Atualizada em 21h15min, 22/02/2021.

Ex-reitor da UFPel isenta comércio da alta de casos e cobra ação contra aglomerações

Epidemiologista aponta que as aglomerações são as maiores culpadas pela alta de casos

Epidemiologista aponta que as aglomerações são as maiores culpadas pela alta de casos


LUIZA PRADO/JC
Quem contribuiu mais para o atual estado de agravamento da pademia no Rio Grande do Sul? O ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e epidemiologista Pedro Hallal acredita que não foi a reabertura do comércio e aponta as "absurdas aglomerações" como vilãs da recente alta de contaminações e pressão por leitos, que leva ao quase colapso de UTIs.
Quem contribuiu mais para o atual estado de agravamento da pademia no Rio Grande do Sul? O ex-reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e epidemiologista Pedro Hallal acredita que não foi a reabertura do comércio e aponta as "absurdas aglomerações" como vilãs da recente alta de contaminações e pressão por leitos, que leva ao quase colapso de UTIs.
"Se não fica sempre a ação mais enérgica fechar o comércio, mas este setor, que reabriu desde meados do ano passado, não foi responsável pelo aumento dos casos", pondera, e reconhece que os protocolos da indústria, comércio, restaurantes e hotéis são muito melhores que os seguidos por estabelecimentos como bares.
"Quando se vê barzinho aberto, pessoas sem máscara e fazendo aglomeração, não tem justificativa para esse descontrole, nem econômica. Faltou, nestas situações, ações muito mais enérgicas dos gestores", ressalta.
Mesmo com esta avaliação, o ex-reitor defende que o distanciamento controlado, que apontou 11 regiões com bandeira preta, volte ao modelo original, à sua versão raiz, de maio de 2020, sem a possibilidade de o município seguir regras de bandeira de menos risco quando a situação é mais grave, prevista na cogestão. 
"Tem de parar com essa história que a cidade pode decidir não ficar preta", critica o ex-reitor da UFPel, que coordena a maior pesquisa do mundo feita na pandemia para medir a incidência do novo coronavírus.
Nova etapa da Epicovid deve ter os dados divulgados até quinta-feira (25), diz Hallal, e deve apontar para um aumento considerável de casos. A última foi em setembro e indicou deaceleração de casos na época. A Secretaria Estadual da Saúde orientou suspender cirurgias não urgentes em todos os hspitais. 
Sobre a coordenação da crise - o governador Eduardo Leite anuncia nesta segunda-feira (22) se a cogestão do distanciamento vai se manter -, o epidemiologista cobra maior ação do Gabinete de Crise, principalmente para obter posição de consenso entre os setores.
"Os pesquisadores discutem a crise em um grupo, os empresários em outro e os políticos em outro. Falta um comitê único que discuta a pandemia com todos juntos. Sem isso, fica uma disputa de forças entre grupos que não conversam entre si", adverte o ex-reitor, que também chama a atenção para uma certa normalização da pandemia. 
Ainda sobre o dilema economia e saúde, que mais uma vez volta ao foco quando se prevê a volta de restrições, Hallal diz que as pandemias do passado mostram que as regiões que se recuperam mais rápido e de forma mais pujante são aquelas onde têm menos mortes.
"Dizer que a economia é uma coisa e a saúde é outra é uma bobagem."
O epidemiologosta alerta que a pandemia está no momento dramático e que ganhou aceleração e pressão nas internações. A expectativa é que ela se mantenha forte no primeiro semestre, pelo menos, muito por causa do lento avanço da vacinação, "mas por culpa do governo federal, que não conseguiu a disponibilidade de doses que poderia ter conseguido no momento certo".
Hallal observa que a medida prioritária deve ser aumentar a imunização o mais rápido possível. Além disso, o esforço deve ser em acabar com as aglomerações desnecessárias, fazer o rastreamento de contato das pessoas infectadas e ter políticas de distanciamento que sejam mais respeitadas.
"E, por último, pode ser repetitivo dizer, as pessoas devem continuar a tomar os cuidados individuais, com uso de máscara e álcool em gel e mantendo o distanciamento."
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