Porto Alegre, terça-feira, 16 de fevereiro de 2021.
Dia do Repórter.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Educação

- Publicada em 12h37min, 16/02/2021. Atualizada em 15h10min, 16/02/2021.

RS retira limite de 50% de ocupação em sala de aula apesar de mais casos e nova cepa

Sindicato dos professores questiona flexibilização em um momento crítico da doença

Sindicato dos professores questiona flexibilização em um momento crítico da doença


LUCIANE MEDEIROS/ESPECIAL/JC
Thiago Copetti
Atualizada 15h08min
Atualizada 15h08min
O governo do Estado revogou nesta segunda-feira (15) decreto anterior que limitava a ocupação máxima a 50% da capacidade nas salas de aula no Rio Grande do Sul como forma de reduzir as chances de contaminações pelo coronavírus. A revogação do decreto publicado pelo próprio governo em setembro de 2020 é alvo de críticas de entidades que defendem que ainda não há segurança para o retorno às aulas, com o Cpers Sindicato, que representa os professores estaduais.
O sindicato questiona o fato de a flexibilização ocorrer em um momento crítico da doença, com avanço de uma nova e perigosa variante e após uma semana marcada pelo salto de 22,5% nas internações hospitalares. A chegada da cepa mais transmissível da Covid-19 no RS, registrada em Gramado, coloca em risco ainda maior professores, estudantes e seus familiares, de acordo com o Cpers. O sindicato avalia também que o decreto vai na contramão da própria defesa do governo do Estado de que ainda há necessidade de distanciamento social controlado e que, pela nova regra, mesmo em bandeira preta, as turmas poderão ter lotação máxima.
Em comunicado, a entidade coloca que, “trata-se de algo inédito no mundo, sem paralelos na irresponsabilidade e no desrespeito à vida” e que “sem vacina, sem testes, sem recursos, sem estrutura, sem profissionais, sem fiscalização, sem protocolos e sem governador – nem que seja para assumir a responsabilidade pelas mortes – não há como voltar”.
O governo do Estado argumenta que a alteração no decreto ocorreu diante de demanda da prefeitura de Lajeado e do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe), "com o objetivo viabilizar a retomada presencial para o maior número de alunos possível, com segurança". O Palácio Piratini argumenta ainda que retira a limitação de 50% da capacidade das salas mas mantém a restrição de distanciamento interpessoal mínimo de 1,5 metro, "o que condiz com teto de ocupação de 1 pessoa para cada 2,25m² de área útil, conforme recomendação do Ministério da Educação, do Conselho Nacional de Secretários da Educação, da OMS, do Todos pela Educação, entre outros".
Cássio Bessa, diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS), considera uma imprudência e um risco tanto o pedido do Sinepe quanto o fato de o governo atender ao mesmo. O Sinpro alega, ainda, que o modelo adotado em acordo entre professores e escolas, de rodízio 50% on line e 50% presencial, com aulas ao vivo e simultânea para os dois grupos, vinha funcionando bem.
"Não entendemos a razão dessa mudança em um momento tão complicado, com uma nova e ainda mais contagiante variante e contrário ao que prega o próprio governo. Fomos surpreendidos neste período de férias pelo pedido do Sinepe", diz Bessa.
Bruno Eizerik, presidente do Sinepe, defende que o retorno às escolas, em setembro do ano passado, não provocou um número maior de contaminações e que a presença do coronavírus na comunidade escolar é de apenas 0,08% em Porto Alegre e sem grandes alterações desde então.
"Em setembro retomamos as aulas e depois da retomada não houve aumento de casos nas escolas. Os alunos não levaram o vírus para casa e se cumpriu com todos os protocolos. Há até mais crianças adoecendo em casa, pela falta de convívio, com esse ambiente tão importante. Este é um risco muito maior", argumenta o presidente do Sinepe.
Eizerik avalia ainda o retorno deveria ser obrigatório, e não opcional, mas o pedido também feito pelo Sinepe neste sentido foi negado. O presidente do Sinepe acrescenta também que os professores e funcionários de escola estão entre os grupos próximos de serem vacinados, já que estão na quarta linha de prioridade da imunização nacional.
Comentários CORRIGIR TEXTO