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Limpeza urbana

- Publicada em 20h58min, 06/11/2020. Atualizada em 09h58min, 07/11/2020.

Voluntários fazem mutirão de limpeza em lixão irregular de Alvorada

Depósito de lixo irregular na região Metropolitana da Capital é de difícil coleta

Depósito de lixo irregular na região Metropolitana da Capital é de difícil coleta


divulgação Marcelo Chardosim
Adriana Lampert
Neste sábado (7) ocorre mais uma etapa dos mutirões de limpeza da área denominada de Parque da Solidariedade, em Alvorada, realizados quinzenalmente por moradores voluntários. A iniciativa, coordenada pelo artista visual Marcelo Chardosim, visa revitalizar o terreno, localizado ao centro de oito loteamentos, e que há quase quatro décadas virou um lixão a céu aberto, após desmatamento e erosão da formação dos bairros do entorno.
Neste sábado (7) ocorre mais uma etapa dos mutirões de limpeza da área denominada de Parque da Solidariedade, em Alvorada, realizados quinzenalmente por moradores voluntários. A iniciativa, coordenada pelo artista visual Marcelo Chardosim, visa revitalizar o terreno, localizado ao centro de oito loteamentos, e que há quase quatro décadas virou um lixão a céu aberto, após desmatamento e erosão da formação dos bairros do entorno.
“Encontramos de tudo ali: corpos de animais mortos, oferendas, lixo seco, lixo orgânico, sofás, geladeiras, colchão, entre outras muitas coisas”, desabafa Chardosim. Ele está à frente da organização comunitária que tem ocupado com arte e reflorestamento entre as nascentes e cursos do arroio. Muitos espaços que foram limpos já abrigam obras de arte, bancos e canteiros. “Os depósitos de lixo e incêndio diminuíram surpreendentemente, e por isso continuaremos com essa proposta de revitalização”, destaca o artista.
Desde 2019, já foram retirados cerca de 200 caminhões de lixo depositados nas calçadas, matas e voçorocas que cercam os cursos do Arroio Feijó, da bacia hidrográfica do rio Gravataí. O parque possui ainda quatro voçorocas que têm sofrido descarte irregular da construção civil, denuncia Chardosim. “Este material segue contaminando a bacia”, lamenta. “A maior das voçorocas está em contínua abertura do solo e fica a 90 passos da Subestação de energia da CEEE Viamão 3”, situa o artista. Ele comenta que uma ação do Ministério Público (MP), aberta em fevereiro deste ano, busca encontrar os proprietários da área, que ao todo soma 200 hectares.
“A ideia é propor a recuperação do terreno, porque a erosão só aumenta nas voçorocas, sempre que chove os buracos alargam e a água se torna barrenta, entupindo canos na cidade”, alerta o coordenador da organização comunitária, que conta ainda com a parceria de estudantes do Instituto Federal Campus Alvorada. Segundo Chardosim, o grupo cuida voluntariamente do local desde 2016, realizando pesquisas, experiências artísticas e mutirões comunitários de criação, limpeza, plantio e trilhas.
“São relações que contribuem para garantir os direitos básicos da vida alvoradense e o equilíbrio do ecossistema”, defende. “Em tempos de pandemia, quando estamos evitando aglomeração de pessoas, faz todo o sentido que a cidade de Alvorada propicie um local aberto, que possa ser frequentado de forma gratuita pelos moradores da cidade.” O artista lamenta o fato de que Alvorada não tenha alternativas de lazer, nem espaços de área verde, funcionando basicamente como cidade-dormitório. “Buscamos a criação de ecopontos nos bairros, um destino adequado para os resíduos, ao mesmo tempo que desenvolve o trabalho e a geração de renda aos recicladores.”
No que se refere às voçorocas, Chardosim comenta que a erosão começou durante a construção do loteamento Algarve, em meados dos anos 1980. “A cobertura vegetal foi removida, mas o loteamento não foi além do desflorestamento e delimitação das ruas e quadras e o solo permaneceu aberto para o processo erosivo”, contextualiza. Segundo o artista, a “esperança” da comunidade é que o MP consiga descobrir quem são os proprietários do terreno, para conseguir conter a erosão definitivamente. “Queremos transformar a área em unidade de conservação da bacia do Gravataí, para isso é necessário um diálogo com os donos do terreno.”
Enquanto isso não acontece, o grupo segue com os mutirões, com a ideia de transformar o parque em um espaço cultural que reúna um museu a céu aberto, bibliotecas, creches, quadras esportivas e áreas de convivência. “Alvorada não tem espaços assim, nosso pessoal vai todo para a Orla do Guaíba quando busca lazer. Mas agora mais do que nunca precisamos ter estes respiros na cidade.”
O ponto de encontro para o mutirão deste sábado será no final da avenida Lourdes Monteiro. A ação ocorrerá das 9h às 12h e das 14h às 17h. “Toda a atuação será feita com distanciamento e uso de máscaras”, ressalta o artista. Interessados em colaborar com a ação dos moradores podem entrar em contato com o grupo através do endereço eletrônico https://oblogdoparque.wordpress.com/.
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