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SAÚDE

- Publicada em 16h37min, 30/09/2020. Atualizada em 16h38min, 30/09/2020.

Sociedades de Pediatria sugerem cautela e medidas rígidas de prevenção na retomada gradual das aulas

Retorno das atividades escolares deve ter atenção redobrada à segurança sanitária

Retorno das atividades escolares deve ter atenção redobrada à segurança sanitária


CAIS/DIVULGAÇÃO/JC
Fernanda Crancio
Tema polêmico entre gestores, comunidade escolar e profissionais da saúde e da educação, a volta às aulas presenciais divide opiniões e tem dominado os debates no Rio Grande do Sul e País afora. Independente de pontos de vista, a retomada gradual das atividades escolares exige cautela e atenção redobrada à segurança sanitária de todos os envolvidos.
Tema polêmico entre gestores, comunidade escolar e profissionais da saúde e da educação, a volta às aulas presenciais divide opiniões e tem dominado os debates no Rio Grande do Sul e País afora. Independente de pontos de vista, a retomada gradual das atividades escolares exige cautela e atenção redobrada à segurança sanitária de todos os envolvidos.
No final da semana passada, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou documento indicando condições mínimas que devem ser cumpridas nesse processo, com foco na proteção da saúde física e mental de professores e profissionais das escolas, alunos e familiares, e considerando o panorama epidemiológico de cada cidade. Nesse sentido, a SBP alerta que o retorno às aulas deve ser definido após uma análise individualizada da realidade de cada município.
A entidade recomenda ainda a adoção de modelo híbrido de ensino, para assegurar o direito de aceso às aulas ao alunos de grupos de risco e para as famílias que optarem por manter as crianças fora da sala de aula neste momento, sugerindo ainda que a oferta seja estendida também a professores e funcionários das escolas.
O uso obrigatório de máscaras por crianças em idade apropriada, a divisão de alunos em turmas menores, o distanciamento social adequado, a proibição de aglomerações no ambiente e a restrição de entrada de familiares na escola também são apontados como medidas fundamentais. “Os prejuízos causados pelo fechamento das escolas para as crianças são inequívocos, especialmente quando se prolonga por muito tempo, como atualmente ocorre na maior parte do Brasil. Entretanto, é importante também reconhecer que ainda temos lacunas no conhecimento da dinâmica de transmissão do SARS-CoV-2 (coronavírus), o que limita a capacidade de anteciparmos com precisão os riscos associados à reabertura das escolas”, firma a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva.
Condutas básicas de prevenção e enfrentamento à Covid-19, como a higienização frequente das mãos e de superfícies, o uso de garrafas de água individuais e preferência por atividades ao ar livre ou em ambientes arejados e ventilados também fazem parte dos apontamentos sugeridos pela SBPC, que alerta ainda para a necessidade de as escolas se prepararem para identificar sinais e sintomas do coronavírus, reservando espaços para acolher alunos e profissionais sintomáticos e até disponibilizando testes.
“Temos clareza de que a presença desse conjunto de critérios não deixa dúvida de que o retorno às aulas para crianças e adolescentes configura uma operação delicada que envolve planejamento com ênfase em questões de infraestrutura das escolas, da disponibilidade de materiais e de capacitação e proteção dos recursos humanos dos estabelecimentos de ensino, que precisam estar preparados para responder aos novos desafios”, comenta Luciana.
Para a SBP, a falta de elementos científicos consistentes sobre a transmissão do vírus entre o público infantil impede a construção de recomendações “livres de incertezas” e exigem que diálogo entre os envolvidos e monitoramento contínuo dessa retomada sejam mantidos, já que estudos revelam que crianças e adolescentes geralmente apresentam quadros mais leves e até assintomáticos da Covid-19, apesar de registros da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P). A entidade salienta ainda que "o retorno às aulas presenciais em um ambiente seguro é de extrema importância para a saúde de crianças e adolescentes".
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Para Sociedade de Pediatria do RS, retorno presencial é complexo e depende da realidade de cada família. Crédito: PMPA/Divulgação/JC
No Rio Grande do Sul, a volta das atividades presenciais nas escolas é vista com preocupação pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS). Em agosto, quando movimentos nesse sentido foram intensificados e houve a divulgação do calendário do governo do Estado para a retomada escalonada das aulas, a entidade também se manifestou a respeito, reconhecendo a extrema complexidade do assunto e sua peculiaridade conforme a realidade de cada família.
“As pessoas estão muito inseguras para esse processo de retomada das aulas. Não há respostas para tudo. Há vírus e bactérias diferentes circulando em diferentes países e em diferentes estados. Por isso não podemos nos basear no que acontece na Europa e Estados Unidos. O aspecto positivo é que vimos muitos casos de retorno das aulas em alguns lugares e que não trouxeram grandes problemas”, afirma o pediatra José Paulo Ferreira, representante da SPRS, defensor da retomada gradual e por etapas.
Para a SPRS, o retorno às atividades escolares são de responsabilidade dos governos, e deve ser definido com base em análises do contexto local e "orientado por análises epidemiológicas que indiquem redução contínua de novos casos de Covidd-19 e da transmissão comunitária da doença", indicadores que vêm sendo considerados e detalhados pelos Executivos estadual e municipal.
Em Porto Alegre, os últimos acertos para a liberação do calendário proposto pelo município, com aulas a partir de 5 de outubro, ainda estão sendo definidos com o Palácio Piratini, que deverá validar nesta quinta-feira (1) a liberação das aulas presenciais na Capital. O último detalhe que pesa é a interpretação do governo gaúcho acerca da exceção que terá de ser aberta para que a capital gaúcha não tenha de aguardar por duas semanas em bandeira laranja no distanciamento controlado para a retomada das atividades escolares.
Nesta quarta-feira (30), a prefeitura fez uma vistoria dos protocolos implementados no Colégio Militar de Porto Alegre, que executa o projeto-piloto de volta às aulas, e que deverão balizar a volta às aulas em toda a cidade.
Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria:
  • Caso determinada localidade atenda a pré-requisitos epidemiológicos, configura-se plausível o retorno de crianças e adolescentes às salas de aula presenciais, desde que com a observação dos critérios definidos pelas autoridades sanitárias.
  • Importância de adotar medidas básicas como higienização frequente de mãos e superfícies; orientação aos alunos para terem suas próprias garrafas de água; estímulo às atividades ao ar livre ou em ambientes arejados; proibição de aglomerações nas entradas e saídas; restrição do acesso a familiares na escola; e adoção de medidas de distanciamento social.
  • Devem ser estabelecidas normas de retorno escalonado, com divisão de alunos em turmas menores; maior espaçamento entre alunos em sala de aula (mínimo de um a dois metros entre as cadeiras); realização de triagem de sinais e sintomas da doença; reserva de espaço na unidade para acolher alunos sintomáticos.
  • Exigência do uso de máscaras nas crianças em condições de fazê-lo; adoção das regras de etiqueta respiratória e disponibilidade de testes para as crianças sintomáticas nas unidades de saúde.
  • Deve ser preservado o direito de acesso ao ensino à distância para os alunos de grupos de maior risco, assim como aos que optarem por permanecer em casa por se sentirem inseguros.
  • Oportuna a adoção de um modelo híbrido para o retorno dos alunos às escolas.
  • - Atividades presenciais devem ser cautelosamente e progressivamente instituídas, voltadas a um número reduzido de alunos por turno.
  • O retorno às aulas presenciais em um ambiente seguro é de extrema importância para a saúde dos alunos, mas, para atingir este objetivo, há exigências estruturais, higiênicas, sanitárias e comportamentais a serem planejadas e implantadas nas escolas.
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