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Clima

- Publicada em 11h28min, 21/09/2020. Atualizada em 15h05min, 21/09/2020.

Primavera com La Niña terá chuvas irregulares com risco de seca em regiões gaúchas

Último dia do inverno teve amanhecer com temperatura negativa e geada em São José dos Ausentes

Último dia do inverno teve amanhecer com temperatura negativa e geada em São José dos Ausentes


ALEXANDRE PEREIRA/JOÃO VITOR PEREIRA/DIVULGAÇÃO/JC
Juliano Tatsch
O inverno tratou de se despedir do Rio Grande do Sul com um dia de muito frio em todo o Estado. Nesta segunda-feira (21), os gaúchos enfrentaram temperaturas dignas dos dias mais gelados da estação que se encerra na manhã desta terça-feira (22), quando, às 10h31min, dá lugar à primavera.
O inverno tratou de se despedir do Rio Grande do Sul com um dia de muito frio em todo o Estado. Nesta segunda-feira (21), os gaúchos enfrentaram temperaturas dignas dos dias mais gelados da estação que se encerra na manhã desta terça-feira (22), quando, às 10h31min, dá lugar à primavera.
Conforme a MetSul Meteorologia, a temperatura mínima nesta segunda-feira no território gaúcho foi de 4,4 graus abaixo de zero em São José dos Ausentes.
O cenário de temperaturas negativas e forte geada pôde ser visto em diversas cidades da Serra e dos Aparados no amanhecer. São Francisco de Paula, com 3,3 graus negativos, Farroupilha (-2,1 graus), e Canela (-1,9 grau) também registraram frio intenso, assim como Bom Jesus, com 1,1 grau abaixo de zero e Vacaria, com 0,5 grau negativo.
No Norte do Estado e na região da Fronteira também fez frio intenso: Soledade teve mínima de 2,2 grau negativos, Santana do Livramento registrou 0,1 grau abaixo de zero e, em Quaraí, fez zero grau.
O frio se mantém nesta terça-feira, com o Estado estando sob o efeito da presença de uma massa de ar frio e seco, mas perde força no decorrer da semana. Dias ensolarados com aquecimento – as temperaturas podem chegar a 30 graus em alguns municípios – devem marcar o restante da semana.
De acordo com os meteorologistas da MetSul, a primavera deste ano transcorrerá com o Oceano Pacífico sob o fenômeno La Niña pela primeira vez em anos, o que terá reflexos na nova estação. “A expectativa é que o fenômeno de resfriamento das águas do Pacífico Equatorial siga ganhando força, atingindo o seu pico entre o fim do ano e o começo de 2021, devendo ser um episódio de intensidade no mínimo moderada”, diz a empresa em boletim.
O prognóstico aponta uma primavera com chuva irregular em 2020. O Estado não deve ter precipitação uniforme, havendo grande variabilidade de região para região. “Episódios de chuva volumosa e intensa regionalizados são esperados com acumulados de precipitação muito altos em curto período, mesmo com o Pacífico sob La Niña. Já agora, no começo da estação, no final de setembro, o Rio Grande do Sul pode ter um episódio de chuva com altos volumes em diversas regiões”, aponta a MetSul.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), salienta que o gradativo aumento das chuvas em grande parte do país nesta época do ano dá início ao plantio das principais culturas de verão. Como que, historicamente, os efeitos do La Niña na chuva são sentidos mais no final da primavera e no começo do verão, a MetSul alerta que, à medida que o verão se aproximar, entre novembro e dezembro, a irregularidade da chuva tende a se acentuar no Estado, afetando a agricultura, inclusive. “Algumas áreas do território gaúcho podem enfrentar déficit hídrico, com ameaça de prejuízos em lavouras de ciclo precoce como as de milho”, afirma o prognóstico.

Resfriamento do Oceano Pacífico traz risco de tempestades mais intensas para o RS

Depois do ciclone bomba que causou grande estrago no Rio Grande do Sul no começo de julho, os gaúchos estão atentos à ocorrência de novas tempestades. Segundo a MetSul, a primavera é período com maior frequência de tempestades, não raro severas com intensos vendavais e granizo, com ocorrência, inclusive, de tornados na estação. Neste ano, no entanto, com o Pacífico Leste mais frio do que o normal e sob La Niña, a empresa avalia que a frequência de tempestades pode não ser tão alta como poderia se estivéssemos sob os efeitos do El Niño (aquecimento anormal das águas superficiais do Ocenao Pacífico). Isso não significa, porém, que não existem riscos. “Mas, quando os temporais ocorrerem, podem ser muito intensos pelo maior contraste térmico entre massas de ar frio e quente”, destaca.
Assim, vendavais intensos e destrutivos não serão, necessariamente, mais frequentes, mas podem ser severos. “Os tornados mais graves dos últimos 20 anos na primavera no Rio Grande do Sul se deram na maioria sob La Niña ou Pacífico mais frio que a média.”
Junto com a maior possibilidade de tempestades, o risco de queda de granizo é mais elevado quando o da ocorrência da La Niña. As regiões Central, sobretudo os vales, o Noroeste, a Serra, o Planalto e os Campos de Cima da Serra são as com maior propensão para granizo nesta primavera.

Estação de transição começa com dias mais frios e vai esquentando no decorrer dos meses

A primavera é caracterizada por ser uma estação de transição do frio invernal para o calor veranil. Assim, com o passar das semanas, os dias de temperatura mais baixa vão diminuindo e dando lugar para o calor.
A previsão para este ano é de uma primavera com temperatura ao redor ou um pouco acima da média na maioria das áreas, mas entre novembro e dezembro podem ocorrer alguns períodos de calor muito intenso, destaca a MetSul. Em pontos da Metade Sul, a estação pode ter marcas um pouco abaixo da média. O Pacífico mais frio tende a favorecer uma maior probabilidade de que se registrem incursões pontuais de ar frio tardias, porém de curta duração. No passado, sob La Niña, houve dias de frio e geada até em novembro”, observa o boletim da empresa. A estação ainda tem risco de ciclones extratropicais no Atlântico Sul e que podem provocar vento e forte ressaca na costa gaúcha.
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