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Educação

- Publicada em 12h28min, 08/09/2020. Atualizada em 18h06min, 08/09/2020.

Prefeituras gaúchas resistem em retomar aulas presenciais

Governo do Estado autorizou retorno da Educação Infantil em 11 regiões gaúchas

Governo do Estado autorizou retorno da Educação Infantil em 11 regiões gaúchas


ISABEL INFANTES/AFP/JC
Juliano Tatsch e Roberta Mello
Atualizada às 14h40min
Atualizada às 14h40min
A partir dessa terça-feira, 11 regiões do sistema de distanciamento controlado do governo do Estado podem retomar as aulas presenciais na Educação Infantil. Os municípios localizados nas regiões de Santa Maria, Uruguaiana, Taquara, Guaíba, Passo Fundo, Pelotas, Bagé, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Cruz do Sul e Lajeado foram autorizados a retomar o ensino nas salas de aula por permanecerem, conformo o governo estadual, duas semanas com a bandeira laranja. No entanto, nem todos irão autorizar que os alunos voltem às escolas. Alguns por acharem o retorno precipitado, outros por entenderem as regras de modo diferente do Palácio Piratini.
Uma das preocupações dos gestores municipais diz respeito à indefinição a respeito de como o calendário escolar ficará no longo prazo, na medida em que uma prefeitura pode autorizar o retorno em uma semana, mas precisar determinar o fechamento das escolas na outra, se a bandeira voltar a ficar vermelha
A prefeitura municipal de Taquara, na região metropolitana de Porto Alegre, ainda não tem uma definição em torno da retomada das aulas presenciais da rede pública de ensino. Conforme a assessoria de imprensa do município, o entendimento do Conselho de Educação é de que as aulas só poderiam ser retomadas após duas semanas na bandeira laranja, ou seja, só a partir da semana que vem. Nos próximos dias, o Conselho de Educação vai realizar vistorias nas escolas particulares que já demonstraram por escrito o interesse em reabrir suas portas para verificar se todas estão aptas a voltar com segurança.
Já em Lajeado, o entendimento da prefeitura é diferente daquele do governo do Estado. Para o Piratini, como a região entrou na segunda semana com a bandeira laranja, poderia retomar as aulas já nesta terça-feira. No entanto, a prefeitura do município afirma que isso só poderá feito após a cidade ficar duas semanas com a bandeira, o que só aconteceria a partir da semana que vem. Assim, o calendário do município indica retorno às aulas presenciais nas escolas privadas a partir do dia 15 de setembro e, nas escolas municipais, em 1º de outubro.
Por meio de nota, a prefeitura de Pelotas também se manifestou contrariamente ao retorno das atividades presenciais no ensino no mês de setembro. De acordo com o Executivo pelotense, não há previsão para o reinício das aulas, “pois segundo a UFPel, em setembro poderá ocorrer um agravamento da pandemia no município”
Guaíba é outro município “cabeça de região” que não irá retomar as aulas nas escolas. Conforme a assessoria de imprensa do município. "Tudo está sendo avaliado pelo comitê de enfrentamento ao coronavírus, mas, em princípio, não iremos retornar às aulas presenciais este ano", afirmou a prefeitura, por meio de sua assessoria de imprensa.
Já o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, confirma que as aulas presenciais não retornarão na cidade. Ele indica, ainda, que as demais cidades da região também não devem retomar o ensino presencial.
A prefeitura de Cachoeira do Sul, por sua vez, informou nesta terça-feira, via redes sociais, que não tem previsão de retorno das aulas na rede pública e privada da cidade.
Em Caxias do Sul, a prefeitura autorizou 40 escolas de Educação Infantil privadas do município a reiniciarem suas atividades nesta terça-feira, de um total de cerca de 150 pedidos protocolados por educandários da cidade. Para iniciar as atividades, a escola precisa ter seu plano de contingência aprovado pelo Centro de Operações de Emergências da Saúde (COE). Outros municípios da Serra Gaúcha também retomaram aulas presenciais após seis meses com escolas fechadas.
O governo municipal de Santa Maria também não autorizou o retorno imediato das atividades presenciais em colégios. Em nota, a prefeitura afirmou que as aulas nas salas de aula não ocorrerão antes do dia 15 de setembro, permanecendo o ensino remoto. Somente na rede municipal de ensino, são 6.234 crianças matriculadas na Educação Infantil da cidade.
Em Uruguaiana, o retorno dos alunos às escolas não irá ocorrer neste mês de setembro. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, as comissões municipais que tratam do assunto devem se reunir novamente no final do mês para fazer nova avaliação da situação.
A definição em Santa Cruz do Sul deve se dar ainda nesta terça-feira. Uma reunião entre as secretarias de Saúde e de Educação e o Gabinete de Emergências irá tratar da questão.
Já os prefeitos da região de Passo Fundo optaram em unanimidade por não retomar as aulas presenciais em setembro. A situação sanitária deve ser reavaliada no início de outubro para decidir sobre a possibilidade de retorno das atividades nas redes particular e municipal. Para os prefeitos, questões como merenda escolar e transporte podem colocar os estudantes em risco.
Em reunião realizada na manhã desta terça-feira (8) com as 27 regionais do Estado, a Federação do Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) decidiu manter sua posição de "não recomendar o retorno das aulas das redes municipal e particular de ensino". A região da Serra gaúcha foi a que se manteve em defesa do retorno às aulas presenciais durante o encontro virtual.
Conforme o presidente da entidade, Maneco Hassen, a ampla maioria dos municípios gaúchos estão decididos a não reabrir os estabelecimentos de ensino, mas há exceções. "Todos os municípios têm o direito de decidir o que é melhor para si", disse Hassen, salientando que, com isso, na opinião da Famurs, as discussões sobre a volta às aulas pode ser dada por encerrada.  
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