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Urbanismo

- Publicada em 13h06min, 26/08/2020. Atualizada em 15h35min, 27/08/2020.

Programa para reformar 600 praças em Porto Alegre só revitalizou 51

Com brinquedos e bancos quebrados, praça Sport Club Internacional integra o lote da região Centro/Leste

Com brinquedos e bancos quebrados, praça Sport Club Internacional integra o lote da região Centro/Leste


LUIZA PRADO/JC
Juliano Tatsch
No dia 3 de setembro de 2019, o prefeito Nelson Marchezan Júnior anunciou com pompa a assinatura do “maior contrato de manutenção de equipamentos de praças e parques da história” da cidade. A manutenção dos espaços públicos, que, até então, era realizada por servidores municipais, foi terceirizada e a promessa era de que até R$ 24,8 milhões seriam destinados em um ano para a conservação de mais de 600 praças e parques da Capital.
No dia 3 de setembro de 2019, o prefeito Nelson Marchezan Júnior anunciou com pompa a assinatura do “maior contrato de manutenção de equipamentos de praças e parques da história” da cidade. A manutenção dos espaços públicos, que, até então, era realizada por servidores municipais, foi terceirizada e a promessa era de que até R$ 24,8 milhões seriam destinados em um ano para a conservação de mais de 600 praças e parques da Capital.
Pois, faltando poucos dias para o encerramento do contrato com a empresa Ecsam Serviços Ambientais, que venceu o pregão eletrônico para a execução do trabalho, apenas R$ 5.155.600,49 foram investidos. Das 600 praças, só 51 foram revitalizadas.
Ou seja, do total possível de ser aplicado pelo contrato firmado, apenas 20,7% foi investido. Em relação ao número de praças e parques, somente 8,5% dos 600 espaços públicos foram reformados no período de vigência do contrato.
Apesar de pequeno em relação ao total que poderia ter sido aplicado no período, os R$ 5,1 milhões investidos são cerca de dez vezes mais do que o que costumava ser aplicado ao ano nos serviços até 2018 – por volta de R$ 500 mil.
Na ocasião da assinatura do termo, Marchezan apontou que o contrato marcava o início de um novo tempo para a cidade. “É uma mudança de paradigma, no qual a máquina pública planeja, faz contratos com terceirizados e fiscaliza”, disse o prefeito.
A última parcela do valor contratado foi liquidada no dia 5 de agosto, no valor de R$ 506.199,60. O dado consta no Portal da Transparência da prefeitura.
O site da Ecsam Serviços Ambientais está fora do ar. A empresa, com sede em Bocaiúva do Sul, no Paraná, possui uma página no Facebook que não é atualizada desde setembro do ano passado. A reportagem tentou contato por meio desta página, mas não obteve retorno.
Em razão do resultado muito abaixo do prometido quando do lançamento da iniciativa, fica a pergunta: o que deu errado?
Conforme a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), “durante a execução dos serviços, de setembro a dezembro de 2019, a empresa não conseguiu alavancar-se financeiramente para expandir os serviços contratados, faltando-lhe capital de giro para contratação de insumos, ferramentas, pessoal, etc.”
Em nota, o órgão da prefeitura afirma que serviços nunca chegaram a parar, mas foram impactados devido às questões climáticas, além de atrasos nas entregas de insumos por fornecedores, com a necessidade da quarentena provocada pelo Covid-19, que também afetou no número de equipes e frentes de trabalho, com casos de afastamento dos funcionários pertencentes aos grupos de risco. “Algumas medidas administrativas foram tomadas, sendo a mais importante, a reunião semanal com a empresa para acompanhar a evolução dos serviços, traçando metas de desempenho, além de visitas frequentes em campo, por parte da fiscalização de serviços, para acompanhar a qualidade na execução dos trabalhos contratados, evitando assim retrabalho por má prestação de serviços”, diz a SMSUrb.

Novo contrato prevê possível investimento quase duas vezes maior que o anterior

Na Praça Garibaldi há lixo e o passeio público está danificado
Na Praça Garibaldi, na avenida Venâncio Aires, lixo acumulado e passeio público danificado
LUIZA PRADO/JC
Em razão das dificuldades encontradas para dar conta da demanda que constava no edital anterior, a prefeitura formulou uma “nova estratégia de contratação”. De acordo com a SMSUrb, “percebendo as dificuldades de uma só empresa atuar nas mais de 600 praças da cidade, separou-se a cidade em 3 lotes, com aproximadamente 200 praças cada um, cujo objetivo é a diversificação de fornecedores. Além disso, foram incluídos serviços de manutenção de vestiários e banheiros, que não estavam previstos no registro atual”.
O novo contrato engloba 672 locais (663 praças e nove parques) e foi fechado com duas empresas. O pregão eletrônico que definiu as vencedoras foi realizado no dia 29 de maio deste ano.
A Construtora Tecnirama Eireli, de Curitiba, venceu o pregão para dois lotes, correspondentes às regiões Norte e Sul/Extremo Sul da cidade. Os contratos assinados são de R$ 14.599.000,00 para a região Norte (229 praças e parques) e R$ 15.661.424,79 para a região Sul/Extremo Sul (228 praças e parques), totalizando R$ 30.260.424,79 para a reforma de 457 espaços públicos.
Já a Eco Projetos e Construções Ltda, de Porto Alegre, venceu o certame para o lote da região Centro/Leste da Capital, que compreende 215 praças e parques. O valor do contrato é de R$ 16.208.248,00.
Assim, os novos termos para a prestação do serviço de recuperação das praças e parques de Porto Alegre envolvem valores que podem chegar a até R$ 46.468.672,79.
Diferentemente do contrato anterior, porém, a nova investida, que prevê a possibilidade de um investimento que equivale a quase o dobro do anterior, não teve divulgação por parte da prefeitura.
Como o processo se deu na modalidade Registro de Preços, os recursos não são repassados para as empresas privadas em sua totalidade para elas, depois disso, realizarem as intervenções. O modelo funciona da seguinte maneira: conforme as empresas realizam os trabalhos e eles são entregues, vistoriados e aprovados pelo poder público, o pagamento por aquele serviço específico é realizado.
Desta forma, os valores totais dos contratos não necessariamente serão realmente investidos. Eles são o limite de recursos que podem ser aplicados, com os gastos não podendo ultrapassar aquele valor.
A previsão atual da prefeitura é de que as novas empresas deem início às intervenções na primeira quinzena do mês de outubro. Os novos contratos têm vigência de um ano.
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