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Saúde

- Publicada em 16h21min, 03/08/2020. Atualizada em 18h46min, 04/08/2020.

Primeiras doses de vacina chinesa da Covid-19 chegam a Porto Alegre para testes

Unidades chegaram no começo da tarde, vindas de São Paulo em avião

Unidades chegaram no começo da tarde, vindas de São Paulo em avião


Bruno Todeschini/PUCRS/Divulgação
Patrícia Comunello
As primeiras doses da vacina chinesa que será testada em Porto Alegre chegaram no começo da tarde desta segunda-feira (3) ao Hospital São Lucas (HSL) da Pucrs num clima de muita segurança e proteção. As doses já estão no Centro de Pesquisa (CT) do hospital onde a aplicação em voluntários começa na próxima semana. A previsão é que a etapa preliminar dure dois meses e já tenha os primeiros resultados sobre a eficácia no combate ao novo coronavírus.  
As primeiras doses da vacina chinesa que será testada em Porto Alegre chegaram no começo da tarde desta segunda-feira (3) ao Hospital São Lucas (HSL) da Pucrs num clima de muita segurança e proteção. As doses já estão no Centro de Pesquisa (CT) do hospital onde a aplicação em voluntários começa na próxima semana. A previsão é que a etapa preliminar dure dois meses e já tenha os primeiros resultados sobre a eficácia no combate ao novo coronavírus.  
Pouco mais de 30 unidades chegaram na primeira leva, no começo da tarde, vindas de São Paulo, em um avião comercial. Serão no total 1,7 mil doses, que chegarão por etapas. O material chegou no hospital e logo foi separado e acondicionado em um local que terá acesso restrito. 
O HSL faz parte do pool de 12 centros de pesquisa que vai testar a vacina do projeto que envolve a Sinovac Biotech, da China, e o Instituto Butantan, que fará a produção para o Brasil.
"Estamos fazendo parte da história", valoriza o diretor técnico do HSL, Saulo Bornhorst, que reforça a aposta de êxito do imunizante devido a testes de outras fases. A projeção é de início de produção de doses no fim do ano ou começo de 2021. 
O centro de pesquisa montou uma equipe que se dedicará ao projeto. Serão 20 profissionais, entre médicos, enfermeiros e farmacêuticos, que se envolverão desde o primeiro instante da testagem, com consultas, exames e acompanhamento. O voluntário, por exemplo, não pode ter tido contato com o vírus. No primeiro contato no HSL, o voluntário passa por teste de anticorpos de Covid-19, com resultado que sairá em poucos minutos. 
"Vamos passar informações em tempo real ao Butantan, mas claro que só depois de encerrada a etapa com todos os locais no mundo, haverá resultado sobre a vacina", sinaliza Bornhorst.  
Serão 850 voluntários em Porto Alegre para a fase três de testes clínicos. Cada um receberá duas doses do imunizante - por isso, serão 1,7 mil unidades, aplicadas em um intervalo de 15 dias. A pessoa não saberá se está recebendo a vacina real ou placebo.    
A seleção dos participantes ainda está ocorrendo, segundo a direção do HSL. Pelo menos até o fim de semana, ainda é possível se inscrever. Mais de 5 mil pessoas já se habilitaram, e as duas principais exigências é que a pessoas seja profissional de saúde e que atue em áreas de assistência que lidem diretamente com doentes com a Covid-19, como UTIs ou outras unidades dos hospitais dedicadas aos cuidados dos casos.
Após a seleção, as pessoas vão ser divididas em grupos para receber as doses. Para isso, elas terão de comparecer ao HSL na área que está sendo preparada exclusivamente para este fluxo, seguindo protocolos estabelecidos pela Sinovac e Butantan. Nesta semana ainda, uma equipe de São Paulo, sede do Butantan, virá a Porto Alegre para checar as instalações, no terceiro andar do prédio do hospital, e fazer a certificação para os testes.
Durante este período e por um ano e meio, os voluntários passarão a relatar todas as reações possíveis geradas na interação com o organismo. "Os efeitos colaterais mais fortes podem ser como os de uma gripe, como dores no corpo, cansaço", comenta o diretor técnico.
O Centro de Pesquisa do HSL já é reconhecido por estudos e resultados principalmente em oncologia, que representam 80% dos 200 projetos desenvolvidos. Entre as pesquisas, tem também a da vacina da dengue, em parceria com o Butantan.
"Estamos acostumados com pesquisas do câncer, por exemplo, que geram benefícios a milhares de pessoas. Mas agora estamos falando de algo que vai beneficiar o mundo todo", contrasta o diretor.
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