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Educação

- Publicada em 18h46min, 15/07/2020. Atualizada em 21h15min, 16/07/2020.

Como escolas particulares gaúchas se preparam para volta às aulas presenciais

Colégio Sinodal já colou adesivos nas escadas para alertar alunos sobre medidas de prevenção

Colégio Sinodal já colou adesivos nas escadas para alertar alunos sobre medidas de prevenção


COLÉGIO SINODAL/DIVULGAÇÃO/JC
Fernanda Crancio e Patrícia Comunello
O retorno das aulas presenciais no Rio Grande do Sul ainda está indefinido, mas a possibilidade de uma retomada das atividades já a partir de agosto tem feito com que muitas escolas agilizem a preparação dos ambientes e equipes para a nova realidade do ensino, em modelo híbrido, mesclando aprendizado remoto e presencial para enfrentar a pandemia do novo coronavírus.
O retorno das aulas presenciais no Rio Grande do Sul ainda está indefinido, mas a possibilidade de uma retomada das atividades já a partir de agosto tem feito com que muitas escolas agilizem a preparação dos ambientes e equipes para a nova realidade do ensino, em modelo híbrido, mesclando aprendizado remoto e presencial para enfrentar a pandemia do novo coronavírus.
Para toda a rede estadual de ensino foi publicada em junho portaria conjunta das Secretarias da Saúde (SES) e da Educação (Seduc) com os protocolos e orientações à volta do ensino presencial, que abrange condutas de distanciamento social, sanitárias, de fiscalização e monitoramento da doença, que deverão ser observadas por todas as escolas, cursos e universidades, com foco na prevenção e enfrentamento da pandemia da Covid-19. Desde o da 15 de junho, apenas o acesso às aulas em cursos livres, técnicos e de Ensino Superior que exigem atividades práticas e laboratoriais estão permitidos no Estado, de forma escalonada.
As aulas presenciais estão suspensas no Estado desde o fim de março, atingindo mais de 2,4 milhões de estudantes, desde a Educação Infantil até as universidades, e estão adaptadas em modelo remoto. De acordo com o presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS), Bruno Eizerik, os protocolos são bastante claros e a entidade tem orientado e auxiliado as instituições de ensino a se adequarem às normas com vistas ao ensino presencial. Um manual chegou a ser distribuído às escolas e universidades, que consideram agosto como o mês de uma provável volta presencial.
"Grande parte das escolas privadas já está fazendo as adaptações necessárias para poder receber seus alunos. É um protocolo que tem de ser cumprido e trata de questões relativas aos distanciamentos e higienização, que estão sendo cumpridos para, quem sabe, em agosto poder retomar as aulas presenciais”, destaca.
Eizerik complementa que, de acordo com o que vem sendo proposto pelo governo estadual, a tendência é de que essa retomada seja feita em fases, por níveis de ensino a serem determinados. Em um primeiro momento, houve uma pressão para que a Educação Infantil retornasse primeiro, permitindo a volta dos pais ao trabalho fora do esquema de home office. No entanto, a questão tem gerado muita discordância e deu margem ao lançamento de uma consulta digital do governo a mais de 1,5 mil instituições assistenciais e educacionais, com o intuito de verificar as sugestões sobre esse escalonamento.
A pesquisa , encerrada no domingo (12), está em fase de processamento pelo Gabinete de Crise do governo gaúcho e deverá ter o resultado divulgado nos próximos dias pelo governador Eduardo Leite. O Sinepe, no entanto, defende que as escolas tenham autonomia para definir qual grupo de alunos voltam primeiro, com o intuito de melhor atender a cada comunidade escolar. “É importante que a escola possa ter autonomia na definição da data da volta das atividades presenciais”, comenta.
Instituições buscam segurança da comunidade escolar e preparam ambiente para evitar riscos
Na Capital, o Hospital Moinhos de Vento (HMV) tem prestado consultoria a algumas instituições de ensino privado, preocupadas com a preparação do ambiente escolar em meio à pandemia. De acordo com o gestor da Consultoria Moinhos de Vento, Chander Turcatti, o trabalho prevê diagnóstico e aplicação de melhores práticas médicas e assistenciais, comunicação e gestão de equipamentos para lidar com a circulação de pessoas nas escolas com segurança e mitigar os riscos de contágio da Covid-19.
Para isso, a equipe de trabalho desenvolve um projeto customizado de acordo com a realidade de cada estabelecimento e conta com coordenação de higienização, pediatra e infectologista para identifica riscos e estabelecer as práticas e adequações aos protocolos exigidos para a retomada gradual das atividades . “Não há um protocolo específico, para cada situação pensada tem um tipo de recomendação às instituições escolares e apoiamos a implementação dessas ações. O ponto principal é proteger a vida das pessoas, orientar pais, alunos e funcionários de como proceder e dar segurança à escola”, enfatiza.
Para esse diagnóstico, os consultores consideram o contexto de movimentação, as rotinas, a forma de integração, de aulas práticas, de acesso a ambientes coletivos como bibliotecas e lancherias, de fluxo nas portas e organização dos ambulatórios de cada estabelecimento. E orientam às escolas quanto ao uso de banheiros, das entradas e saídas, de equipamentos de proteção individual (EPIs), higienização, necessidade de escalonamento de horários, distâncias entre as classes, redução de turmas ,etc.
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João Paulo I adota 'kit' com EPIs personalizados e canetas individuais para borrifar álcool em gel. Foto João Paulo I/Divulgação
No Colégio João Paulo I, além da consultoria foi contratado o serviço de telemedicina, uma forma de dar ainda mais segurança e evitar riscos de contaminação. A ideia é que o responsável pelo ambulatório da escola, ao sinal de qualquer sintoma que possa ser identificado em algum aluno ou profissional, realize uma teleconsulta com médico da equipe do hospital, recebendo as orientações devidas e a avaliando a possibilidade de um encaminhamento médico.
Para Eduardo Castro, diretor de ensino da escola, esse apoio dará mais segurança no retorno das atividades. “Nosso maior desafio é identificar os riscos e implementar as ações de prevenção, que são muito importantes. Por isso, ter o subsídio técnico da telemedicina nos traz segurança junto com os protocolos que serão estabelecidos”, avalia.
A instituição, que conta com cerca de mil alunos e 150 funcionários, tem investido forte na higienização e aquisição de equipamentos como câmeras digitais para manter o modelo híbrido de ensino (misturando aulas remotas e presencias) e já preparou EPIs personalizados para distribuição, além de canetas individuais para borrifar álcool gel. Os servidores da escola também estão recebendo treinamento específico para este provável retorno, aprovado por 85% dos pais pesquisados.
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Anchieta redobrou os cuidados de higiene e sanitarização dos ambientes. Foto Colégio Anchieta/Divulgação/JC
No Colégio Anchieta, a pandemia adiou a comemoração dos 130 anos de fundação da escola e tem exigido muito trabalho do grupo que coordena a preparação escolar. Com cerca de 3,2 mil alunos e mais de 500 funcionários, o colégio aposta no conhecimento científico da consultoria para melhor adequar sua estrutura ao enfrentamento da pandemia.
“Nossa expertise é na educação, por isso buscamos assessoria em saúde para fazer um mapeamento geral e adequação dos protocolos com maior eficácia. O desafio é organizarmos um retorno com menos impacto, embora ainda não saibamos quando será”, comenta o diretor da instituição, padre Jorge Knapp.
Segundo ele, as famílias foram consultadas sobre a retomada do ensino e boa parte demonstrou- ser favorável, mas ele acredita que a logística terá de se adequar a uma retomada parcial, com aulas presenciais e ainda muitas de forma digital. “Estamos ajustando as tecnologias para isso, permitindo que os alunos que não retornarem possam acompanhar as aulas e os conteúdos, e preparando o ambiente para o público. Nossos profissionais já estão sendo treinados para os protocolos necessários, que serão aprimorados com as sugestões da consultoria”, complementa.
"No fim de março, imaginávamos que voltaríamos em fim de abril. Até agora nada", resume o diretor-geral das duas unidades do Colégio Sinodal em São Leopoldo e Portão, na Região Metropolitana, Ivan Renner, que ainda acalenta a expectativa de retorno em agosto. As escolas somam quase 2 mil alunos. "Dependemos das autoridades, e as duas perguntas são quando e como voltaremos", resume Renner. 
O colégio criou materiais visuais para fixar em ambientes para alertar sobre cuidados e montou dois planos de contingência, um seguindo o decreto estadual e outro que será enviado aos pais informando sobre as medidas e o que se espera de colaboração na volta. "Criamos um comitê interno de saúde, com uma equipe de 12 pessoas com responsabilidades e atribuições para quando os alunos retornarem", cita o diretor-geral.  
O comitê listou condutas para serem seguidas pelo aluno desde a hora que ele pisa no pátio da escola até a sala de aula e como as turmas vão funcionar. "vamos ter pais que são médicos dentro do comitê", diz o diretor. Para montar a estrutura, as compras escolares foram desde tapetes, pulverizadores, termômetros, jalecos e álcool em gel. O gasto chegou a R$ 30 mil para as duas unidades para a largada da volta das aulas, e o gasto passa a ser incorporado à rotina das unidades. 
"Cada aluno terá de ir com três máscaras, mas o colégio vai oferecer uma para para cada estudantes no primeiro dia de aula. Ninguém vai entrar sem máscara", avisa. Na sala de aula, mais mudanças: será um metro e meio de distanciamento, o que reduzirá o número de ocupantes. "A ideia é que metade dos alunos de cada turma tenha aulas por uma semana e folgue na seguinte, quando a outra metade terá atividades presenciais". explica, como opção considerada mais adequada ao aprendizado. "O aluno que estiver em casa poderá assistir a aula em vídeo em tempo real."        
VÍDEO: Diretor geral do Colégio Sinodal detalha as medidas

Escolas terão de se adaptar a exigências da pandemia

Confira dicas de como se adequar aos protocolos de enfrentamento à Covid-19 e de segurança ao retorno das aulas presenciais:
Entradas e saídas
  • Escalonamento nos horários de chegada saída das aulas, organizando o fluxo para evitar aglomerações.
  • Ingresso restrito a alunos, professores e funcionários, reduzindo a circulação de pais e público externo.
  • Evitar fluxos contrários no mesmo local, como corredores, utilizando barreiras como fita de isolamento para separar ida e vinda.
Distanciamento e adaptações
  • Distanciamento entre as pessoas de no mínimo um metro, nas áreas internas e externas.
  • Distância de no mínimo um metro, em todos os sentidos, entre as classes ( um aluno a cada 4m²).
  • Estabelecer o número máximo de alunos conforme área em cada sala.
  • Manter ambiente arejado e ventilado, principalmente com ventilação natural. Em caso de uso de ar condicionado, utilizar aparelhos equipados com exaustor ou filtro para renovação do ar.
  • Suspender atividades com contato físico e orientar para não abraçarem nem beijarem colegas, principalmente para alunos da Educação Infantil.
Máscaras e higiene
  • Utilização de máscaras por todos e durante todo o tempo, sendo trocadas a cada duas horas ou se estiverem úmidas.
  • Higienização das mãos frequentemente com água e sabão, álcool em gel ou álcool em espuma, especialmente depois de tocar superfícies e objetos.
  • Não tocar olhos, boca e nariz.
  • Atentar para a etiqueta respiratória e afastar pessoas com sintomas gripais.
Hora do lanche
  • Aumentar o distanciamento na hora do lanche para 2 metros, devido à retirada da máscara.
  • Evitar aglomerações nas cantinas, lanchonetes e formação de filas.
  • Instalar barreiras de vidro ou acrílico para o atendimento nesses locais.
  • Priorizar pagamentos com aproximação, com uso de cartão
Banheiros
  • Considerado ponto crítico, é importante restringir o acesso ao banheiro, em número limitado.
  • Garantir a limpeza frequente dos banheiros.
  • Orientar para higiene das mãos antes e depois de ir ao banheiro.
  • Usar toalhas de papel para tocar maçanetas.
Fonte: Paulo Ernesto Gewehr Filho, médico do Serviço de Infectologia do Hospital Moinhos de Vento e integrante da equipe de consultoria.
 
Grupo de pais defende aulas presencias somente quando houver vacina ou em 2021
Preocupado com o risco da volta das atividades presencias em meio ao crescimento da pandemia, um grupo de pais e integrantes de comunidades escolares de Porto Alegre fundou em maio o movimento Direito ao Ensino Não Presencial Durante a Pandemia. Desde então, tem se mobilizado em defesa do não retorno às aulas até que haja um controle da disseminação da Covid-19. E, por meio de uma pesquisa digital recente, feita com mais de 4,6 mil pessoas, defende que a retomada só deva ocorrer após a liberação de uma vacina ou em 2021.
Inicialmente criado como um grupo de Whatsapp, o movimento já integra 5,3 mil pessoas e tem utilizado as redes sociais para propagar suas considerações sobre os riscos de um retorno considerado prematuro. Somaram-se aos participantes grupos de Gramado e Caxias do Sul, que deram origem a três petições on-line- com adesão de mais de 70 mil pessoas- sobre o tema e que têm reforçando seus posicionamentos junto a instituições governamentais e ligadas à saúde e educação.
Para a advogada Cassiana Lipp João, umas das administradoras do grupo, o principal ponto é a falta de consulta aos pais por parte do governo. O movimento também defende que as aulas presenciais não sejam obrigatórias neste momento. “Questionamos a falta de comunicação e de consulta aos pais. Assim como o governador tem dito, também queremos preservar vidas. Nosso grupo foca na não retomada de aulas presenciais durante a pandemia, mas mantendo o vínculo entre escola e aluno”, destaca Cassiana.
Integrantes já estiveram reunidos com o secretário estadual de Educação, Faisal Karam, com parlamentares e membros do Ministério Público para abordar o tema e, agora, diante da proximidade de uma divulgação do calendário de volta às aulas, pede atenção do Executivo aos desdobramentos da consulta feita a pais, alunos, funcionários de escola e cidadãos em geral. O questionário perguntou a melhor data para o retorno das atividades presenciais durante a pandemia e obteve o seguinte resultado: 41,1% defendem a volta apenas quando tiver vacina para a Covid, 30,6% consideram retorno só para 2021, 15,1% aprovam a volta em agosto e 8% no mês de setembro. O restante aponta setembro, outubro e dezembro para a volta às aulas.
Cassiana ressalta, no entanto, a importância de manter o calendário escolar, as rotinas de estudos e vínculos dos alunos, colegas e professores, e diz que o grupo rechaça o cancelamento do ano letivo. “Para evitar maiores prejuízos psicológicos, ideal é manter o ensino da forma como for possível, reforça.
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