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Educação

- Publicada em 20h42min, 29/06/2020. Atualizada em 09h36min, 30/06/2020.

Falta de capacitação e de estrutura prejudicam ensino remoto no RS

Aulas presenciais estão suspensas na rede estadual desde o dia 19 de março

Aulas presenciais estão suspensas na rede estadual desde o dia 19 de março


MAURO SCHAEFER/ARQUIVO/JC
Yasmim Girardi
A pandemia do novo coronavírus obrigou escolas em todo o Brasil a fechar as portas e estabelecer um modelo de ensino remoto em pouco tempo. Essa adaptação às pressas pode impactar na qualidade do ensino. Não são raros os relatos de estudantes que têm dificuldade para continuar o aprendizado neste momento, e a falta de capacitação dos professores pode ser um agravante.
A pandemia do novo coronavírus obrigou escolas em todo o Brasil a fechar as portas e estabelecer um modelo de ensino remoto em pouco tempo. Essa adaptação às pressas pode impactar na qualidade do ensino. Não são raros os relatos de estudantes que têm dificuldade para continuar o aprendizado neste momento, e a falta de capacitação dos professores pode ser um agravante.
A vice-presidente do Cpers/Sindicato, Solange Carvalho, acredita que falta estrutura para realizar essa modalidade de ensino. "Esse ano será um apagão educacional em todo o Brasil", afirma. Segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha na semana passada, 74% dos alunos da rede pública estão recebendo as atividades propostas. O estudo não garante, porém, que a taxa de absorção e aprendizado por parte dos estudantes é satisfatória. Para Solange, ainda que essa seja a única opção viável diante do atual contexto, a aprendizagem está sendo negativamente afetada. "Nem todo mundo domina ou tem acesso às tecnologias. Essa experiência com o ensino remoto vai dar um baque psicológico e educacional muito forte."
A constatação de educadores é de que o sistema educacional está sendo obrigado a reagir a um problema incomum, em tempo recorde, e isso pode custar caro para a educação. O professor e especialista em Ensino a Distância (EAD) e Tecnologias Digitais, Alan Ricardo Costa, explica que o que está em vigência hoje não pode ser considerado EAD. "O que temos em função da pandemia é tão diferente, que prefiro chamar de ensino remoto ou ensino on-line emergencial. O EAD é uma modalidade já consagrada, com metodologia própria, papéis específicos e materiais didáticos produzidos por especialistas, por exemplo." Para ele, o principal ponto fraco do atual modelo é a falta de capacitação docente para atuar on-line.
De acordo com o secretário estadual de Educação, Faisal Karam, os professores estão participando de capacitações on-line desde a metade desse mês. A Jornada da Atualização Pedagógica, que ocorreu entre 15 e 19 de junho, alcançou quase 400 mil visualizações no YouTube. "Essa atividade teve como objetivo acolher os professores em sua preparação para o início do Letramento Digital, que foi iniciado no dia 22 de junho. A capacitação, que visa fornecer aos professores o conhecimento para a preparação de aulas no formato não presencial, segue até o dia 26 de agosto", explica Karam.
Por conta da pandemia, o Estado teve que agir às pressas para proporcionar algum tipo de capacitação. Contudo, Solange lembra que a capacitação para atuar a distância costuma levar tempo e muito estudo. "O que está se fazendo agora é apenas um socorro imediato. Muitos professores estão tendo que se virar sozinhos", aponta. Ainda que o governo esteja oferecendo soluções, a dirigente sindical já ouviu críticas sobre as capacitações. Além disso, ela atenta para outras dificuldades que os professores podem enfrentar ao preparar aulas, como falta de acesso à internet, por exemplo.
Para Costa, essa estrutura é essencial. "A qualidade da educação está diretamente relacionada às políticas públicas que contribuem para o processo de ensino. Isso inclui internet de qualidade, melhor remuneração salarial, melhores condições de trabalho, capacitação contínua e popularização de ferramentas tecnológicas como celulares e computadores", defende.
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