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Educação

- Publicada em 11h23min, 27/05/2020. Atualizada em 19h12min, 27/05/2020.

Vídeo: O que Eduardo Leite antecipou ao JC sobre a volta às aulas no Rio Grande do Sul

'Quando pensamos em cuidar das pessoas, a primeira coisa que surge 'é protejam as crianças''

'Quando pensamos em cuidar das pessoas, a primeira coisa que surge 'é protejam as crianças''


FELIPE DALLA VALLE/PALÁCIO PIRATINI/JC
Patrícia Comunello
O retorno das aulas presenciais na educação gaúcha é o tema que mais movimenta redes sociais nas últimas semanas, desde que o governo estreou o distanciamento controlado, como novo modelo para gerenciar a vida no Rio Grande do Sul em meio á pandemia do novo coronavírus.
O retorno das aulas presenciais na educação gaúcha é o tema que mais movimenta redes sociais nas últimas semanas, desde que o governo estreou o distanciamento controlado, como novo modelo para gerenciar a vida no Rio Grande do Sul em meio á pandemia do novo coronavírus.
Nesta quarta-feira (27), o governador Eduardo Leite detalha protocolos de como poderão ser retomadas as atividades. Em live que Leite participou no Instagram do Jornal do Comércio (assista à íntegra da live), Leite antecipou algumas orientações gerais e descartou que as aulas presenciais voltem 'nas próximas semanas' à rede estadual. 

Assista ao que disse Eduardo Leite sobre a volta às aulas

A seguir, confira tudo que o governador falou antecipando a linha geral sobre o futuro das aulas para mais de 2,4 milhões de estudantes. Leite também comentou sobre as atividades de educação infantil, que não seguem ano letivo e que também estão paradas. 
Jornal do Comércio - O que o senhor pode falar sobre a volta às aulas, que é o assunto mais falado enquanto fazemos esta live?
Eduardo Leite - Quando a gente pensa em cuidar das pessoas diante desse problema sanitário, a primeira coisa que surge 'é protejam as crianças'. É do instinto humano. Se o navio está afundando, colete é prioritariamente para as crianças, vamos colocá-las no bote salva-vidas. Você salva as crianças em primeiro lugar. As pessoas ficam com receio do que envolve a educação. É claro que também temos esta preocupação. Não vamos fazer com que as crianças sejam expostas a risco de contágio, nem as suas famílias e os profissionais de forma irresponsável e desnecessária. Quando a gente fala em planejar retorno, não significa que, na semana que vem, as crianças voltam às aulas. Significa como conseguimos, em primeiro lugar, cuidar do aprendizado delas. A rede pública estadual de ensino não voltará presencialmente nas próximas semanas. Isso já antecipo. Vamos fazer um retorno com ensino remoto do aprendizado na rede pública. Estamos preparando isso.              
JC - As 'próximas semanas' significa quando? 
Leite - Vamos anunciar nesta quarta-feira, indicando o que pode voltar presencialmente nas próximas semanas, como aqueles que têm menos alunos que são mais urgentes, como quem está terminando o curso e precisa de laboratórios, no caso do Ensino Superior. 
JC - Algumas escolas de Ensino Básico privado falam em ter turnos mais curtos e com menos alunos...
Leite - Esses protocolos também são definidos para retorno de alguns casos possivelmente no mês de junho, outros em julho.  A gente planeja algo faseado. 
JC - Passar o inverno influencia nessas definições?
Leite - Estamos diante de duas situações: uma é que acabamos de implementar o modelo de distanciamento controlado, que está sob análise e estamos identificando quanto é efetivo para atender à proteção da saúde em conciliação com a atividade econômica. Até aqui tem parecido isso, mas é algo inovador que está sob análise de sua eficácia. De outro lado temos o inverno, que demanda mais o sistema de saúde devido a síndromes respiratórias, não só a Covid-19, e porque as pessoas ficam mais em ambientes fechados devido ao frio, o que favorece uma maior transmissão de contágio. Isso também nos preocupa e está sendo observado para este retorno. Tem de passar mais algumas semanas para observar melhor como o distanciamento controlado e o início dos dias mais fritos vão influenciar para poder entender se há efetivamente condições de um retorno presencial das aulas. Isto tem de ser assegurado também. Vamos definir protocolos de retorno, mas evidentemente, diante de mudança de números e de tendência, tudo pode ser revisto a qualquer momento. 
JC - A educação infantil que sofre maior pressão devido à relação com o trabalho. Como o senhor vê as soluções para esta questão, que já gera protestos dos segmentos afetados? Pode ter orientação diferente para este segmento? 
Leite - A minha visão pessoal é de que, na educação infantil, a gente não oferecer a oportunidade aos pais que não tem onde deixar os filhos, pois o pai e a mãe trabalham ou a mãe é mãe solteira, não tem com quem deixar a criança, não pode deixar com os avós porque não é recomendável, o que acaba acontecendo: tem uma mãe na vizinhança que cuida dos filhos das vizinhas. Em alguns lugares, chamam de as 'mães crecheiras'. Elas têm creches em casa e que, com menos condições sanitárias, cuidam das crianças, talvez expondo mais ao risco de contágio. Isto tudo tem de ser analisado. Na minha opinião pessoal, quem fala é o Eduardo mais que o governador, olho com esta preocupação de dar a oportunidade, por meio da educação infantil, que, com protocolos rigorosos, seja oportunizado aos pais que não têm onde deixar seus filhos que tenham a opção de deixar na escola, com cuidados e protocolos de segurança do ponto de vista sanitário. A recomendação continua sendo que o pai e a mãe, que puderem ficar com o filho em casa não leve para a escola. Até porque na educação infantil não há dia letivo a ser cumprido. A escola aberta seria opção, mantendo a prioridade do filho ficar em casa. Sei que não é só a minha opinião pessoal que vale. Tenho esta visão, mas compreendo a preocupação das pessoas com este retorno e com o contato nas escolas. Não vamos forçar a mão para oferecer riscos. Estamos ouvindo especialistas na área da saúde e da educação, prefeitos que mantêm a rede pública etc. Tem ainda a questão econômica das escolinhas que não conseguem oferecer atividades remotas. Os pais deixam de pagar a creche, porque não está tendo atividade e a escolinha quebra. Isso gera um problema enorme e estamos tentando achar uma solução. 
JC - Vai ter já nesta quarta medidas de como a educação infantil poderá voltar?
Leite - Provavelmente, vamos apresentar a previsão de uma data em que os protocolos serão anunciados, se não tenhamos conseguido fechar.
JC - O senhor acha que as empresas deveriam dispensar ou não exigir que mulheres com filhos tenham de trabalhar neste período, até porque tem previsão de redução de pessoal em muitas atividades, como o comércio, devido à pandemia?
Leite - Acho que é algo a ser pensado, de uma oportunidade para que mães e pais com filhos, de alguma forma, pudessem se revesar, com a diminuição da carga horária para poder cuidar dos filhos em casa. Seria algo interessante, mas que não está sob condição de legislação estadual.    
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