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Saúde

Notícia da edição impressa de 18/05/2020. Alterada em 21/05 às 18h31min

Hábitos pouco saudáveis são risco para diabetes

Quanto pior o controle glicêmico, maior a chance de complicações

Quanto pior o controle glicêmico, maior a chance de complicações


GUSTAVO RECH/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Gabriela Porto Alegre
O diabetes é uma doença do metabolismo causada pela falta de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. De acordo com especialistas, essa comorbidade não se trata de uma doença única, mas de um conjunto de doenças com características em comum. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o chefe do serviço de endocrinologia e nutrologia do Hospital Moinhos de Vento, Guilherme Alcides Flores Soares Rollin, explica os sintomas da doença, além de reforçar a importância do cuidado com a saúde durante este período de pandemia de coronavírus.
O diabetes é uma doença do metabolismo causada pela falta de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. De acordo com especialistas, essa comorbidade não se trata de uma doença única, mas de um conjunto de doenças com características em comum. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o chefe do serviço de endocrinologia e nutrologia do Hospital Moinhos de Vento, Guilherme Alcides Flores Soares Rollin, explica os sintomas da doença, além de reforçar a importância do cuidado com a saúde durante este período de pandemia de coronavírus.
Jornal do Comércio - Qual a diferença entre diabetes tipo 1 e 2? Quais são os principais sintomas da doença?
Guilherme Alcides Flores Soares Rollin - Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que acomete, principalmente, crianças e adolescentes. O sistema imunológico produz anticorpos que atacam e destroem as células beta - células do pâncreas que produzem a insulina. Assim, esses pacientes param de produzir a insulina, e a glicose sobe. Os principais sintomas são muita sede, muita fome, aumento do volume urinário, emagrecimento - mesmo se alimentando bem -, cansaço, fraqueza. Quando não é estabelecido o diagnóstico no início dos sintomas, o quadro clínico pode se agravar e, em alguns casos, até levar ao coma. Nessas situações graves, ocorre a cetoacidose diabética, e o paciente necessita internação em Centro de Terapia Intensiva (CTI) para receber hidratação e insulina na veia. No diabetes tipo 2, geralmente ocorrendo em pessoas com mais de 35-40 anos, existe uma forte associação com obesidade e história familiar. Pessoas obesas, sedentárias e com parentes de primeiro grau diabéticos apresentam risco aumentado de ter diabetes tipo 2. Cabe salientar que, muitas vezes, essas pessoas não apresentam nenhum sintoma, pois a instalação é lenta e gradual. Por isso, recomendamos que as pessoas com mais de 35 anos no grupo de risco para desenvolver diabetes devem medir a glicemia periodicamente. No diabetes tipo 2, os sintomas só vão aparecer quando a glicose estiver muito elevada e, provavelmente, anos após a instalação da doença.
JC - Como se explica o aparecimento de diabetes tipo 1 em crianças?
Rollin - A criança já nasce com a predisposição genética, e fatores ambientais, especialmente viroses, vão ativar o sistema imunológico, que produz anticorpos para destruir as células beta.
JC - Quais são os principais fatores de risco para o diabetes tipo 2? Além da obesidade, que outros distúrbios metabólicos podem estar associados ao diabetes tipo 2?
Rollin - Além da obesidade, história familiar e sedentarismo aumentam o risco para diabetes tipo 2. Cabe destacar que, junto com a obesidade, geralmente, estão presentes outros distúrbios, como aumento da pressão, aumento do colesterol/triglicerídios, aumento do ácido úrico e aumento do risco de doenças cardiovasculares.
JC - O Brasil é o quarto país com maior número absoluto de diabéticos no mundo, sendo que a maioria dos casos são relacionados a diabetes tipo 2. Ao que se pode atribuir o crescimento da doença no país?
Rollin - O aumento da prevalência do diabetes tipo 2 está associado ao aumento da prevalência da obesidade, que, por sua vez, está associado a hábitos de vida pouco saudável, bem como a uma dieta inadequada, ao sedentarismo.
JC - Que políticas públicas podem ser adotadas para reduzir a incidência da doença?
Rollin - O mais importante é educação, ou seja, conhecimento sobre a doença. Importante conhecer os fatores de risco, atuando para prevenção do diabetes. Estimular a prática de exercícios e facilitar a aquisição de alimentos mais saudáveis. Hoje em dia, por exemplo, o pão branco é muito barato e verduras e legumes geralmente custam mais.
JC - Pacientes com diabetes podem ter o agravamento da doença caso sejam contaminados pela Covid-19? Aliás, pré-diabéticos também podem ser considerados grupo de risco?
Rollin - Pacientes com diabetes estão sabidamente no grupo de risco para Covid-19. Em parte, porque o diabetes reduz a defesa imunológica. Claro que, quanto pior o controle glicêmico, maior a chance de infecção e maior a chance de complicação. Esse dado já está bem documentado em vários estudos mostrando que a prevalência de diabetes é maior no grupo de infectados e ter diabetes aumenta a probabilidade de uma evolução desfavorável e necessidade de internação em CTI. Adicionalmente, geralmente, os diabéticos tipo 2 são obesos, apresentam hipertensão arterial e são mais velhos, associando-se, então, outros fatores de risco ao diabetes. No caso de pré-diabetes, a situação é um pouco diferente. Não existe esse dado epidemiológico nos estudos até o momento, mas podemos inferir que ter pré-diabetes aumenta um pouco o risco quando comparado com o indivíduo com o metabolismo da glicose absolutamente normal. É importante lembrar, do mesmo modo que os diabéticos, o pré-diabetes está associado a obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia; de certa forma, o estado de pré-diabetes pode ser considerado uma fase anterior ao diabetes de um mesmo distúrbio metabólico. Por isso, os indivíduos com pré-diabetes apresentam um risco significativamente maior para desenvolverem diabetes tipo 2 propriamente dito.
JC - Então isso quer dizer que pessoas com diabetes controlado têm menos risco de complicações relacionadas ao coronavírus?
Rollin - Sim, quanto melhor o controle glicêmico, menores os riscos da infecção e de complicações.
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