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Saúde

- Publicada em 21h31min, 29/10/2019. Atualizada em 21h31min, 29/10/2019.

Vilão silencioso, AVC pode ser prevenido

Juliano Tatsch
Segunda principal causa de mortes no Brasil - atrás do infarto - o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é traiçoeiro. Ele não avisa quando está para chegar e, quando chega, costuma fazer estragos. No Brasil, são, ao menos, 400 mil novos casos ao ano que, quando não acabam em morte, podem resultar em sequelas. Somente no Rio Grande do Sul, em torno de 15 mil pessoas sofrem um AVC todos os anos. No mundo, são 13,7 milhões de ocorrências, com 5,5 milhões de mortes. No Dia Mundial de Combate ao AVC, celebrado ontem, o principal alerta de especialistas diz respeito à necessidade de uma mudança de hábitos de vida como forma de prevenir o problema.
Segunda principal causa de mortes no Brasil - atrás do infarto - o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é traiçoeiro. Ele não avisa quando está para chegar e, quando chega, costuma fazer estragos. No Brasil, são, ao menos, 400 mil novos casos ao ano que, quando não acabam em morte, podem resultar em sequelas. Somente no Rio Grande do Sul, em torno de 15 mil pessoas sofrem um AVC todos os anos. No mundo, são 13,7 milhões de ocorrências, com 5,5 milhões de mortes. No Dia Mundial de Combate ao AVC, celebrado ontem, o principal alerta de especialistas diz respeito à necessidade de uma mudança de hábitos de vida como forma de prevenir o problema.
São dois os tipos de o Acidente Vascular Cerebral, o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% dos casos, tendo uma mortalidade que, em hospitais onde há o tratamento adequado, gira ao redor de 6% a 7%. Onde não há o tratamento correto, chega a 40%.
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Já o hemorrágico ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico - entre 30% a 40% dos casos levam a óbito.
No caso do AVC hemorrágico, o tratamento consiste em reduzir a pressão arterial e, em alguns casos, realizar um procedimento cirúrgico. No caso do isquêmico, existem dois tipos de tratamento. Um é por meio de da aplicação de um medicamento trombolítico, que viaja pelo sistema circulatório até o coágulo no cérebro e o desmancha. Este tratamento pode ser aplicado até quatro horas e meia após os sintomas. "Mas o quanto antes for iniciado, melhor. Não se pode ficar esperando um familiar chegar em casa ou dar uma descansada para ver se melhora. Se receber esse tratamento dentro de uma hora, tem 80% de chances de uma recuperação completa. Em quatro horas, terá 40% de chances", afirma a chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Moinhos de Vento e presidente da Rede AVC Brasil, Sheila Martins.
Quando chega mais tarde ao serviço médico ou o AVC se deu em um vaso maior, há um outro tratamento, chamado trombectomia, que pode ser realizado até oito horas após o início dos sintomas - em casos de hospitais mais especializados, pode ser aplicado até 24h após. A trombectomia consiste em acessar o sistema circulatório com um cateter, por meio de uma artéria da virilha, e ir até o cérebro para desentupir essa circulação. A trombectomia ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Sheila destaca o fato de o AVC não anunciar quando está prestes a ocorrer. "O aviso prévio são os fatores de risco. Quando ele acontece, é súbito, sem sintomas."

Mudança de hábitos reduz riscos

Entre os fatores de risco, há aqueles que são inerentes da pessoa, como idade (pessoas mais velhas têm maior possibilidade de ter), histórico familiar (quem tem casos na família de infarto ou AVC), raça (pessoas negras têm mais incidência) e sexo (homens são mais propensos).

Além disso, existem os modificáveis, que dependem apenas de uma mudança de habito de vida, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e tabagismo. "Mudando esses fatores de risco relacionados ao modo de vida, pode-se diminuir os riscos de ter um caso de AVC em até 90%. É um impacto enorme se fizermos essas mudanças", diz a presidente da Rede AVC Brasil.

Os gaúchos possuem uma das melhores redes de cobertura via Sistema Único de Saúde para cuidados de prevenção e tratamento do AVC. Dos 65 hospitais que atendem pelo SUS com centro de AVC no Brasil inteiro, 20 estão no Rio Grande do Sul - 16 deles na Região Metropolitana. "É o maior número de centros de AVC em uma região do País. Há, ainda, a rede privada. Por outro lado, temos regiões descobertas. A região Norte toda, por exemplo, tem apenas um centro de AVC", observa.

Dez passos para a prevenção do AVC

1. Controle a pressão alta

2. Deixe de ser sedentário

3. Tenha uma dieta saudável e (mais frutas e verduras, menos sal)

4. Reduza seu colesterol

5. Mantenha um peso adequado

6. Pare de fumar e evite exposição passiva ao tabaco

7. Reduza a ingestão de álcool

8. Identifique e trate a fibrilação atrial

9. Reduza o risco de diabetes

10. Controle o estresse e a ansiedade

Principais Sintomas

  • Perda de força ou dormência
  • Dificuldade para falar
  • Dificuldade para enxergar
  • Tontura
  • Dor de cabeça intensa
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