Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 28 de junho de 2019.
Dia do Ministério Público Estadual.

Jornal do Comércio

Geral

COMENTAR | CORRIGIR

Educação

27/06/2019 - 17h12min. Alterada em 28/06 às 19h51min

Professores do Colégio Americano fazem dia de paralisação por atraso de salários

Escola diz que manteve atividades e avisou aos pais que as aulas serão normais nesta sexta-feira

Escola diz que manteve atividades e avisou aos pais que as aulas serão normais nesta sexta-feira


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
Na fachada do Colégio Americano, a faixa de "Sejam Bem-vindos" contrasta com o dia atípico que a instituição viveu nesta quinta-feira (27) e que marca as dificuldades por que passa uma das escolas mais antigas e tradicionais em operação em Porto Alegre, com 130 anos de história. Professores fizeram um dia de paralisação para protestar pelo atraso nos salários.
Na fachada do Colégio Americano, a faixa de "Sejam Bem-vindos" contrasta com o dia atípico que a instituição viveu nesta quinta-feira (27) e que marca as dificuldades por que passa uma das escolas mais antigas e tradicionais em operação em Porto Alegre, com 130 anos de história. Professores fizeram um dia de paralisação para protestar pelo atraso nos salários.
Segundo profissionais ouvidos pelo Jornal do Comércio e o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Estado (Sinpro-RS), a situação se agravou nos meses recentes, com intervalos maiores para pagamento. Também há atrasos registrados desde 2017 na quitação de 13º salário e de férias, que geram multas também não pagas aos trabalhadores. Depósitos do FGTS não estariam sendo feitos há mais de dois anos, denunciam docentes e a entidade sindical, que acionou a Justiça do Trabalho para cobrar essas pendências.
"Depois de muito ponderar, foi, com muita dor, que decidimos parar. Queria pagar minhas contas sem juros, queria estar na sala de aula, que é o meu ofício", desabafa uma professora da Educação Básica, há oito anos na escola e que pediu para não se identificar. Ela diz que fala por um grupo de colegas.  
"A dignidade no momento se sobrepôs ao medo. E isso é educativo aos alunos. Nossa lição de hoje é que tenham emprego e respeito. Não queremos que passem por isso. Estamos fazendo por eles também", desabafou a professora. "Amanhã (dia 28), às 7h30min, estaremos na sala de aula com sorriso para eles." Professores dizem que vêm recebendo mensagem de pais em apoio à mobilização.
Nesta quinta, muitos dos que pararam se concentraram na sede do sindicato. Avaliações e saídas para estudos fora do estabelecimento foram suspensas, informou a escola. Muitos pais acabaram não levando os filhos na dúvida sobre como seria o dia de aula. Na Educação Infantil, monitores acompanharam as crianças.  
Segundo os profissionais e o sindicato, a gota d'água que culminou com a aprovação da paralisação foi uma promessa não cumprida pelo Instituto Metodista de Educação e Cultura, mantenedor do Americano e ainda do Instituto Universitário IPA e de uma escola em Uruguaiana, de que pagaria integralmente os salários de maio na última terça-feira (25). Houve pagamento, mas nessa quarta, um dia depois, e ainda de apenas 30% dos valores. No começo de junho, foram pagos salários até R$ 1,8 mil, atingindo quadro não docente. 
"Temos um respeito muito grande pela instituição e pelos alunos, mas dependemos da escola. Tudo fica atrasado, não tem como pagar condomínio, não há lazer", descreve outra professora. Segundo ela, os atrasos ocorrem desde o começo do ano, com prazo cada vez maior para pagar. O pagamento de férias e 13º com mais de um mês de atraso no fim do ano também impede que muitos possam aproveitar janeiro para descansar. 
"Professores com filhos na escola estão recebendo mensagem de cobrança por não pagarem a mensalidade, mas eles não recebem. É pressão por todos os lados. Nossa saúde está muito comprometida. Estamos adoecendo", reforça a professora que falou pelo grupo.

Adesão de mais de 90%, aponta Sinpro-RS

O colégio tem 90 professores e mais de 1,5 mil alunos desde a Educação Infantil ao Ensino Médio. Segundo o Sinpro-RS, a adesão foi de mais de 95%, pois apenas quatro professores teriam comparecido nesta quinta. A instituição negou que tenha havido o nível de adesão e diz que o dia teve atividades "diferenciadas" e até mesmo aulas. "Amanhã, dia 28 de junho, a Escola funcionará normalmente", orientou mensagem enviada pela direção aos pais, após ter conhecimento da paralisação.
A decisão de parar foi tomada na noite dessa quarta-feira (26), em assembleia com mais de 50 participantes na sede do Sinpro-RS. "Este dia de paralisação foi para dar uma sacudida. Foi a primeira vez e mostraram que estão super unidos", resume a diretora do Sinpro-RS e que leciona na escola, Margot Andras.  
O Sinpro-RS diz que a direção da mantenedora promete agora pagar na semana que vem. Já tem nova assembleia marcada para 10 de julho. "A plenária pode ser adiantada (se não tiver pagamento) para definir os próximos passos. Com a mobilização de hoje, os professores estão mais fortalecidos do que nunca", garante Margot.
Do lado da escola, que não fala sobre a questão financeira, tema que diz ser atribuição da mantenedora, a crítica é feita ao prazo de comunicado sobre a paralisação, feito na noite dessa quarta, e que não cumpriria exigência de 48 horas. A diretora sindical contrapôs que o comunicado sobre a pauta da assembleia foi feito com antecedência, seguindo a Lei de Greve. 
Ainda na noite de quarta, após o Sinpro-RS informar sobre a decisão da assembleia, a direção do Americano enviou mensagem por WhatsApp a pais que são representantes das famílias, e que transmitiriam a informação aos demais, esclareceu a escola.

Dificuldades na rede no Estado

Não é só o Colégio Americano que enfrenta problemas, que levam à mobilização e paralisação. O IPA também registra atrasos e paralisações desde 2018. A última foi na terça-feira passada. Segundo o Sinpro-RS, neste momento, a instituição de Nível Superior, também não pagou os vencimentos de maio. A promessa é de que os valores serão pagos em 10 de julho.
O Colégio Metodista União, em Uruguaiana, também registra atrasos. A escola é bem menor, tem 272 alunos, mas já teve 600 há 20 anos. A perda de estudantes ajudou a agravar as condições de funcionamento. 
Além dos três estabelecimentos ligados a uma mantenedora com sede em São Paulo, o sindicato informa que outras escolas metodistas em Passo Fundo e Santa Maria também registram dificuldades, como atrasos em salários.
O Instituto Metodista falou por meio de nota. No texto, a instituição diz que "os salários dos docentes e administrativos estão integralmente em dia, exceto os vencidos em 7 de junho, que estão sendo regularizados paulatinamente". Os salários "vencidos em 7 de junho" são os de maio. O atraso chega a 20 dias. A direção diz que mantém diálogo com a comunidade escolar e que faz esforços para regularizar a situação.  
A diretora do Sinpro-RS diz que a entidade já ingressou com ações coletivas na Justiça do Trabalho para  cobrar multas e demais direitos associados aos atrasos, mas até agora não houve decisão. "Desde 2017, estamos ajuizando as medidas devido a multas vencidas e vincendas, porque eles repetem o atraso", explica Margot. Em relação ao FGTS, a entidade sindical também cobra depósitos que deixaram de ser feitos em 2018 e 2019 e ainda tenta evitar que débitos de mais de cinco anos prescrevam, que seria uma previsão trazida pela reforma trabalhista.

> Mensagem enviada pela direção do Colégio Americano aos pais sobre a paralisação:

Prezados familiares,
Fomos comunicados às 22h de ontem (26), prazo inferior às 48h que normalmente são previstas para um comunicado sindical, da paralisação de docentes do Colégio. Trabalhamos para informar rapidamente às famílias. O meio mais ágil para isso, em função do horário, foi o WhatsApp.
Ontem, por volta das 24h, enviamos ao grupo no WhatsApp de familiares representantes uma mensagem para ser replicada na íntegra a toda comunidade escolar, informando que manteríamos aulas e atividades diferenciadas. Porém, não serão realizados trabalhos de avaliação e saídas de estudos previstos para o dia de hoje. À tarde, reforçamos que o Colégio Americano permanece aberto aos alunos e continuaremos com as mesmas atividades. Inclusive, confirmamos a realização da formatura do PROERD para estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental, às 16h30, no Auditório Elizabeth Lee.
Amanhã, dia 28 de junho, a Escola funcionará normalmente.
No sentido de dar transparência sobre questões financeiras e administrativas, a nossa mantenedora, porta voz oficial de todas as instituições da Rede Metodista, enviará comunicado oficial aos familiares no dia de hoje.   
> Nota de esclarecimento da mantenedora:
O Instituto Metodista de Educação e Cultura, entidade mantenedora do Colégio Metodista Americano, vem por meio desta nota esclarecer que os salários dos docentes e administrativos estão integralmente em dia, exceto os vencidos em 7 de junho, que estão sendo regularizados paulatinamente.
Com um ambiente democrático e plural, o Instituto Metodista de Educação e Cultura tem mantido diálogo constante com professores, alunos, pais de alunos e Sindicatos em transparência sobre o momento que as instituições de educação estão vivenciando. 
A Educação Metodista tem realizado intensos esforços na regularização do pagamento de salários e compartilha sua expectativa para mudanças positivas nesse cenário em breve. Independentemente de qualquer situação de dificuldade passageira, o Instituto Metodista de Educação e Cultura e seu corpo docente, discente e administrativo sabem o valor que a Instituição constrói e possui na sociedade de Porto Alegre.
Continua, dessa forma, prezando pelos valores Metodistas de confessionalidade, como também pela qualidade no ensino, demonstrado nos resultados positivos que se desenham para o cenário futuro como, por exemplo, a inovação dos projetos pedagógicos na educação básica. 
Direção
> N
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia