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Porto Alegre, terça-feira, 18 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

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segurança pública

Edição impressa de 18/06/2019. Alterada em 17/06 às 21h59min

STJ decide hoje se réus do caso Kiss vão a júri popular

O ambiente na Apac é de paz, harmonia e, principalmente, alívio por ter saído de casas prisionais nas quais o clima era bem diferente. "No Central, eu vivia preocupado com quem ia me pegar. Aqui, temos atendimento médico, acupuntura, yoga, tudo para manter a mente relaxada", afirma L.S, que usa a calmaria conquistada há seis meses para escrever um livro sobre sua história. A publicação, que está sendo orientada por voluntários, já tem até nome: "Por onde meus pés passaram". "Só sobre estes seis meses, já tenho uns 200 anos de histórias para contar", revela.
O ambiente na Apac é de paz, harmonia e, principalmente, alívio por ter saído de casas prisionais nas quais o clima era bem diferente. "No Central, eu vivia preocupado com quem ia me pegar. Aqui, temos atendimento médico, acupuntura, yoga, tudo para manter a mente relaxada", afirma L.S, que usa a calmaria conquistada há seis meses para escrever um livro sobre sua história. A publicação, que está sendo orientada por voluntários, já tem até nome: "Por onde meus pés passaram". "Só sobre estes seis meses, já tenho uns 200 anos de histórias para contar", revela.
A mudança não foi fácil, mas, conforme L.S., o método Apac o conquistou pelo amor. "Fazia dez anos que eu não via a minha mãe, e eles a trouxeram lá de Pelotas", desabafa. Preso há nove anos, o recuperando perdeu o contato com a família de origem e reconhece, hoje, como o reencontro foi importante para seu processo de ressocialização. Há pouco, mediante dinheiro fruto do artesanato que faz na casa, L.S. pôde pagar o bolo e fazer uma festa de aniversário para seu filho, de sete anos, com a temática do Homem-Aranha, ali dentro mesmo. A busca pela retomada de vínculos familiares é um dos princípios que regem a metodologia.
J.O. faz parte de uma das quatro equipes que se revezam nos afazeres da cozinha da Apac. Admite que foi difícil a adaptação, pois na casa não se pode fumar, usar drogas ou beber, mas que valeu a pena. "Mesmo que tenha exigido muitas mudanças, elas foram mais fáceis do que normalmente seriam, porque estamos unidos, aqui, por causa do amor", analisa. Ele está há três meses sem fumar - desde que passou pela transferência.
Seu companheiro na cozinha, J.F., fumou e usou drogas durante 33 anos. Há oito meses, resolveu transformar sua vida e parar com tudo, para ter uma chance de ser escolhido e ir para a Apac. "Rezei para que desse certo. Comecei a incomodar todo mundo, pedir para a minha esposa perguntar se eu seria selecionado, até me chamarem. Desde então, só tive melhorias na vida", comemora.
A Apac tem capacidade de comportar até 40 recuperandos, que estão sendo encaminhados gradualmente para a casa. Este modelo prisional custa até três vezes menos do que o tradicional, pois não depende de lotação de agentes penitenciários e conta com muitos profissionais voluntários.
De acordo com Cícero Soares, encarregado de segurança do local, a expectativa da associação é expandir os trabalhos, abrindo uma unidade para atender presos do regime semiaberto, uma Apac só para mulheres do regime fechado e outra unidade masculina, com capacidade para 50 detentos. Não há, porém, previsão de quando tudo isso se concretizará, apesar de já haver recursos oferecidos por meio de verbas pecuniárias do Judiciário gaúcho.
 
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