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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de maio de 2019.
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Trânsito

Edição impressa de 27/05/2019. Alterada em 27/05 às 08h10min

Escola de Trânsito é projeto de Diza Gonzaga

Objetivo é levar o debate para as salas de aula, criando uma cultura de segurança a partir da educação

Objetivo é levar o debate para as salas de aula, criando uma cultura de segurança a partir da educação


MARCO QUINTANA/JC
Juliano Tatsch
O movimento Maio Amarelo busca chamar a atenção para o alto índice de mortos e feridos no trânsito em todo o mundo. Somente no ano passado, as vias e estradas do Rio Grande do Sul foram manchadas pelo sangue de 1.670 gaúchos, que perderam a vida dentro de automóveis ou caminhões, sobre motos ou bicicletas, ou apenas atravessando uma rua. Ou seja, 4,5 pessoas morreram no trânsito por dia em 2018 no Estado.
É para tentar mudar esse quadro que Diza Gonzaga, idealizadora da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, assumiu o desafio de colaborar com o governo do Estado e levar para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS) seus 23 anos de experiência na área de educação para a vida. Atual diretora institucional do departamento, ela quer criar uma Escola Pública de Trânsito e, assim, levar o tema para dentro das salas de aula.
"Essa escola seria a grande formadora de professores e educadores em geral. O objetivo é criar uma cultura de segurança. Temos de nos guiar pelo melhor, e o melhor está na Suécia. Lá, eles têm cidades com mais de 100 mil habitantes com nenhuma morte no trânsito. Há cinco anos não contabilizam mortes em cidades com menos de 50 mil habitantes. Não tem mágica. Lá, nenhuma morte no trânsito é aceitável. Eles mudaram o paradigma", diz.
A intenção é que a Escola Pública de Trânsito forme educadores por meio de ensino a distância e aulas presenciais. Como está em fase inicial, o projeto ainda não definiu se haverá um espaço físico determinado para a instalação da iniciativa. "Eu acredito na educação, e educação é processo. Quero que a Viagem Segura não seja somente um slogan. Estou trazendo para dentro do Estado a visão das pessoas de fora. Trazendo o olhar da sociedade para dentro do sistema. Quero colaborar com isso. É a minha missão", ressalta Diza.

Mortes nas vias gaúchas tiveram queda de 4,08% no ano passado

O total de mortes do ano passado representa uma discreta queda em relação ao registrado em 2017, quando foram 1.741 óbitos nas vias - redução de 4,08% de um ano para o outro. O balanço foi divulgado na última semana pelo Detran-RS. Considerando-se que houve um incremento na frota circulante - 106.979 veículos e 19.141 motos a mais -, a redução na mortalidade é uma boa notícia. Os números, entretanto, ainda revelam uma tragédia diária silenciosa.

A redução nas mortes de 2017 para 2018 é celebrada por Diza. Entretanto, ela salienta que, para se ter uma certeza acerca de uma mudança sólida no cenário de violência no trânsito, é preciso analisar um período de tempo maior, de uma década. "O trânsito é muito dinâmico. Para podermos afirmar que está havendo uma tendência de redução, precisamos de dez anos. Uma ocorrência isolada, um ônibus tombando, por exemplo, pode resultar em muitas vítimas e influenciar muito na estatística. Então precisamos desse período de tempo maior para poder afirmar que o cenário está mudando", afirma.

Outro dado importante do levantamento mostra como o trânsito vitima mais os homens do que as mulheres. Das 1.670 mortes em 2018, 78% (1.301) foram de homens e 22% (368), de mulheres. Se a análise tratar apenas de motoristas e motociclistas, elas representam somente 7,61% dos óbitos (68 mortes de um total de 893).

Para Diza, o percentual muito maior de mortes de homens se deve não apenas a uma maior conscientização feminina, mas também a uma questão biológica. "Nosso corpo está preparado para carregar uma vida por nove meses. Isso nos faz ter um instinto de preservação maior. Eu prefiro pensar isso a achar que as mulheres são mais medrosas e evitam uma direção mais arriscada em razão disso", afirma.

Alta mortalidade de motociclistas pode estar ligada à formação

O levantamento do Detran gaúcho mostra uma realidade que já é conhecida por quem trabalha na área de educação para o trânsito. Do total de vítimas fatais, 484 (29%) estavam conduzindo um veículo e 410 (24,6%), pilotando uma motocicleta.

Os números, por si só, são altos, mas chama a atenção o fato de a fatalidade entre motoristas ser próxima à de motociclistas (apenas 18,04% maior), mesmo com a frota de veículos sendo muito superior à de motos. Em 2018, havia 4.135.423 automóveis e 1.161.934 motocicletas registrados no Rio Grade do Sul - ou seja, a frota em quatro rodas era 255,9% maior. Os números, assim, apontam para um índice de mortalidade muito superior entre os motociclistas.

"Isso é muito grave. E não adianta apenas se falar em fragilidade da motocicleta em relação ao carro. Há essa fragilidade, mas não é só isso. Também temos de falar e trazer para nós aqui no Detran-RS a questão da formação dos motociclistas. É um debate que tem de ser aberto, e não vou me furtar em fazê-lo, destaca Diza.

'Mulheres têm um instinto de preservação maior'

Outro dado importante revelado pelo levantamento do órgão estadual mostra como o trânsito vitima mais os homens do que as mulheres. Das 1.670 mortes em 2018, 78% (1.301) foram de homens e 22% (368), de mulheres. Se a análise tratar apenas de motoristas e motociclistas, as mulheres representa somente 7,61% dos óbitos (68 mortes de um total de 893).

O fato de a posse de um veículo ser bastante associada à masculinidade explica um pouco a razão desses números. Junto a isso, está o fato de, em uma sociedade machista e patriarcal, o carro ou a moto terem um papel de status social e estímulo a autoafirmação.

Para Diza, o percentual muito maior de mortes de homens se deve não apenas a uma maior conscientização feminina, mas também a uma questão biológica. "Nosso corpo está preparado para carregar uma vida por nove meses. Isso nos faz ter um instinto de preservação maior. Eu prefiro pensar isso a achar que as mulheres são mais medrosas e evitam uma direção mais arriscada em razão disso", afirma.

Óbitos entre pedestres e ciclistas sobem

Se, por um lado, se comemora a redução nos óbitos, por outro, o aumento na mortalidade entre pedestres e ciclistas preocupa. Enquanto em 2017 o número de condutores vitimados foi de 514, em 2018, passou para 484. Entre os motociclistas, foram 468 mortes em 2017, e 410 no ano passado. No caso de ciclistas e pedestres, houve aumento nos óbitos. Em 2017, morreram 318 pedestres; no ano passado, 324. No caso de quem faz uso das bicicletas, o número passou de 84 para 95.

A diretora institucional do Detran-RS aponta um grande vilão para o crescimento nas mortes entre pedestres: o telefone celular. "Os atropelamentos eram quase exclusividade das crianças, que não têm muita noção de tempo e espaço, e dos idosos", destaca Diza.

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