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Porto Alegre, sexta-feira, 03 de maio de 2019.
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Saúde

Edição impressa de 03/05/2019. Alterada em 02/05 às 21h37min

Bairro da Zona Norte vive sob a ameaça da dengue

Rose, que tem sete filhos, diz que toma preucações, mas está preocupada

Rose, que tem sete filhos, diz que toma preucações, mas está preocupada


fotos MARCO QUINTANA/JC
Igor Natusch
O mosquito transmissor da dengue virou um fantasma para os moradores do bairro Santa Rosa de Lima, na Zona Norte de Porto Alegre. Segundo dados da prefeitura, a região soma 108 ocorrências, mais de 88% do total de 122 casos autóctones, ou seja, contraídos na própria Capital. Com tantas pessoas infectadas, não surpreende que o Aedes aegypti tenha virado um tema constante, com opiniões divididas sobre a atuação do poder público diante do problema.
Na verdade, basta uma breve conversa com moradores para perceber rapidamente como a dengue mexeu com a comunidade. "A gente tem vivido bastante preocupada", diz Maria Elisabete Lopes Soares, que atua em um minimercado do bairro. Do lado de trás do balcão, ela percebe uma mudança marcante na rotina da vizinhança, que está ainda mais inquieta com as chuvas frequentes nesta época do ano.
Presidente da associação de moradores do bairro, Maria da Graça Faleiro lista de memória uma série de vizinhos e conhecidos que contraíram a doença - entre eles, a família inteira de seu sobrinho. A entidade está com uma reunião planejada para a próxima segunda-feira, tentando sensibilizar ainda mais os moradores para a necessidade de combater o mosquito. Segundo ela, várias casas acumulam entulhos - um cenário favorável ao mosquito transmissor da dengue, já que é propício ao surgimento de focos de água parada, necessários para a proliferação das larvas.
Embora admitindo que boa parte dos vizinhos não toma as medidas necessárias, Maria da Graça também faz críticas à ação da prefeitura. Para ela, a presença de agentes chegou tarde, e deveria ser mais intensa. "Fazem uma dedetização em uma parte do bairro hoje, e aí voltam de novo daqui a 15 dias. Acho que é pouco. Seria bom também comunicar melhor os moradores de quando vão vir, pois aí podemos garantir que alguns estejam em casa para abrir acesso ao pátio", argumenta.
Rose Lopes da Silva também conhece uma série de pessoas infectadas. Moradora de uma das pequenas vias sem saída que cruzam a rua Santa Rosa de Lima, ela aponta as casas onde os vizinhos testaram positivo para a doença. "É até triste ter que dizer isso, mas, graças a Deus, ninguém aqui em casa pegou", diz ela, que mora com alguns de seus sete filhos. Brincando em torno da residência, suas filhas mencionam sem esforço colegas que ficaram doentes e pararam de ir às aulas.
Assustada com a quantidade de casos, Rose diz que toma uma série de precauções, mas ainda assim se preocupa. "A gente faz o que pode, mas nem todos pensam como a gente", diz. Ainda assim, ela considera positiva a atuação das equipes da prefeitura, atribuindo a elas uma redução no número de casos mais recentes.
"Tem que dizer a verdade, alguns vizinhos não são muito caprichosos", acentua a manicure Andresa Matos, que mora na mesma viela. Segundo ela, alguns becos acumulam muito lixo. Andresa conta que viu a prefeitura aplicar veneno na rua em duas ocasiões. Na primeira, porém, ela e os vizinhos ficaram com a nítida impressão de que o inseticida não foi aplicado corretamente. "Não ficou cheiro nenhum, parecia que estava vazio, só fazia barulho. Na segunda vez, sim, cheguei a passar mal (com o cheiro forte)", explica.
Em paralelo às pulverizações, que tentam eliminar os mosquitos adultos e interromper o ciclo reprodutivo do Aedes aegypti, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) promoveu em abril um mutirão para recolher lixo acumulado na região. Além da grande quantidade de entulhos em algumas residências, há pelo menos seis focos crônicos de lixo na extensão da avenida Bernardino Silveira Amorim.
 
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