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Investigação

- Publicada em 01h35min, 08/03/2019. Atualizada em 14h15min, 08/03/2019.

Funcionária acusa dono de pizzaria em Porto Alegre de racismo

Donos da Toca da Bruxa, que recém inaugurou em Porto Alegre, foi alvo do registro na Polícia

Donos da Toca da Bruxa, que recém inaugurou em Porto Alegre, foi alvo do registro na Polícia


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Flávia Pereira
Denúncia de suposta prática de racismo em um estabelecimento de alimentação em Porto Alegre teve repercussão nas redes sociais. Em um post no Facebook, Milena Duarte, funcionária da recém chegada Toca da Bruxa em Porto Alegre, relatou um episódio de racismo que sofreu no local.
Denúncia de suposta prática de racismo em um estabelecimento de alimentação em Porto Alegre teve repercussão nas redes sociais. Em um post no Facebook, Milena Duarte, funcionária da recém chegada Toca da Bruxa em Porto Alegre, relatou um episódio de racismo que sofreu no local.
Dono do empreendimento, Glaiton Cunha nega as acusações da jovem e afirma que a empresa "não tem e nunca terá discriminação racial ou sexual em seus estabelecimentos" e que trabalha com a diversidade.
Na publicação, Milena conta que o dono do estabelecimento a teria insultado e a mais cinco colegas ao se referia a elas como "quadrilha" e de "um bando de negos parados". Ao voltar ao estabelecimento sete dias após tais insultos, na terça-feira (26), a jovem relata que Cunha pediu para ela, uma mulher negra e de cabelos crespos, prender o cabelo, enquanto as colegas brancas e de cabelos longos não precisavam seguir a ordem. Ainda no texto, a funcionária relata que registrou um boletim de ocorrência após o episódio.
Cunha conta o episódio relatado por Milena de uma maneira diferente. O empresário relata que pediu para a funcionária ajeitar o cabelo dentro do chapéu, usado pelos funcionários que trabalham no salão, e que o pedido não foi feito apenas para a jovem, mas também para outras duas funcionárias.
O empresário afirma que Milena, que estava voltando ao emprego após uma advertência, entendeu o pedido como uma implicância. Segundo Cunha, após o episódio, a funcionária ''abandonou novamente o emprego, foi para as redes sociais e fez o que fez''. Quanto ao Boletim de Ocorrência registrado pela jovem, o dono do estabelecimento afirma "ela não tem nada que comprove o que falou'', - em referência ao post feito por Milena.
A Polícia Civil confirma a ocorrência, registrada na segunda Delegacia de Polícia, mas que vai ser investigada pela 20º DP. 
Ao Jornal do Comércio, Milena relata que prestou depoimento no dia 26 de fevereiro. "Meus próximos passos serão com a minha advogada", declarou a ex-funcionária. A jovem conta que, após a publicação, o filho do dono da pizzaria, Athos Cunha, ligou para ela e pediu que "reconsiderasse o post" relatando o acontecido. Na ligação, Athos teria reclamado com a jovem sobre a repercussão negativa na rede social. A ex-funcionária recusou o pedido.
''Dia mais triste da minha vida nesses 15 anos em Toca da Bruxa,'' afirmou o dono do empreendimento. Cunha relata que a repercussão do post de Milena já teve os primeiros impactos. "Todas as casas estão sofrendo com isso", afirmou. A última unidade da pizzaria foi inaugurada na Zona Sul de Porto Alegre, em fevereiro. O empresário diz ainda que a pizzaria sempre "trabalhou muito bem com a diversidade" e que tem "um número expressivo de funcionários negros, homossexuais e bissexuais".
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