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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Saúde

Edição impressa de 12/12/2018. Alterada em 12/12 às 01h00min

Contaminação por cromo pode causar tumores e alterações no feto

Schwartsmann sugere que população pressione órgãos de vigilância

Schwartsmann sugere que população pressione órgãos de vigilância


/MARCO QUINTANA/JC
Isabella Sander
Presente no lençol freático do bairro Niterói, em Canoas, o metal cromo pode, dependendo de sua valência, causar graves problemas de saúde. Se por um lado o cromo III, mais estável, é encontrado naturalmente no organismo, o cromo VI é um metal de alta toxicidade e prejudicial à saúde humana. Segundo o oncologista Gilberto Schwartsmann, do Instituto Kaplan, o contato pela água ou ar pode causar tumores, alterações no feto, em caso de grávidas, e doenças no sangue e nos rins.
A área de risco no bairro Niterói envolve o quadrilátero formado pela rua Alegrete, pela BR-116, rua Minas Gerais e rua Fernando Ferrari. A prefeitura de Canoas reforça que a água encanada não está contaminada e pode ser ingerida com segurança, e que o perigo está apenas no consumo da água subterrânea.
Schwartsmann explica que o cromo é um elemento químico existente nos processos normais da célula, mas possui diversas valências. No caso do cromo VI, é preciso tomar cuidado com sua contaminação em alimentos, por exemplo. "O cromo VI está em vários processos industriais, porque gera ligas de metal muito resistentes, então é usado em diversos equipamentos na indústria mecânica que liberam esse cromo no ar e na água, o que, em quantidades exageradas, é arriscado", adverte.
Conforme o oncologista, é importante controlar o volume de cromo a que a população é exposta não só no trabalho, mas também inalando ar contaminado como, por exemplo, em curtumes, uma vez que há técnicas de manipulação do couro que usam o cromo. "Se há algum risco de contaminação pela indústria, tem que haver regulamentação disso pelo Poder Público", defende. Schwartsmann sugere que a população faça pressão aos órgãos de vigilância em saúde, para que sejam feitas vistorias regulares na água, no ar do entorno e no lixo eliminado por indústrias que utilizem o cromo VI.
Os técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Canoas investigavam desde outubro a origem da contaminação e detectaram que ela vinha de uma empresa, que operava com licença ambiental adequada, e foi notificada para realizar testes para identificar o alcance da contaminação. O Ministério Público (MP-RS) instaurou ontem um inquérito civil para averiguar a contaminação. O promotor Felipe Teixeira Neto pedirá o apoio da Fepam para a investigação. Nos próximos dias, o MP realizará vistorias técnicas no local.
 
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