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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

Geral

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Energia

Edição impressa de 29/11/2018. Alterada em 28/11 às 22h25min

Regularização elétrica melhora a vida de moradores de Porto Alegre

Companhia regularizou ontem o serviço para 60 famílias no bairro Vila Nova, na Zona Sul

Companhia regularizou ontem o serviço para 60 famílias no bairro Vila Nova, na Zona Sul


/LUIZA PRADO/JC
Isabella Sander
O cenário é comum em áreas com populações mais pobres de Porto Alegre: cabos padronizados da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) são cortados, remendados e estendidos até uma ou mais casas próximas, criando, assim, uma ligação clandestina, popularmente conhecida como "gato". O resultado é uma maçaroca de fios de diferentes tipos, plugados uns aos outros com pouca ou nenhuma segurança, gerando um grande risco de causar curtos-circuitos e explosões. Para mudar esse cenário, a CEEE tem implantado uma nova tecnologia de medição e monitoramento das redes atendidas, que tem qualificado o atendimento e, consequentemente, a própria vida dos moradores.
A atuação da CEEE ontem foi na regularização de aproximadamente 60 famílias com ligações clandestinas na rua Atílio Superti, no bairro Vila Nova, Zona Sul de Porto Alegre. A atendente de lanchonete Thais Mendes, de 20 anos, foi uma das primeiras de sua comunidade a entrar na fila e se cadastrar para regularizar o recebimento de energia elétrica. Thais mora com outras 11 pessoas em uma só casa. Nos últimos meses, diante da grande quantidade de pessoas usando a mesma caixa para receber energia, explosões e incêndios na fiação se tornaram frequentes, principalmente em dias de chuva. "Precisava alguém subir até o poste e apagar o fogo", conta.
Além das explosões, a sobrecarga da caixa causava frequentes faltas de luz, que fazia com que aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, por vezes, acabassem queimando. Na casa de Thais, três ou quatro micro-ondas e o transformador da geladeira estragaram nessas condições. "Quando faltava luz, tirávamos tudo da tomada, porque as coisas estragam quando a luz volta e há um pico de energia", explica Juliana Mendes, de 18 anos, que vive na mesma residência que Thais. Apesar de a instalação e a regularização das ligações serem gratuitas para a comunidade, agora Thais e Juliana aguardam apreensivas a chegada da conta de luz, que não sabem quanto custará.
O mecânico Diego Oliveira, de 25 anos, comemorou a vinda da CEEE, após tentativas malsucedidas de regularizar sua ligação. "Estive na CEEE e falaram que precisávamos de um projeto feito por um engenheiro para instalar a caixa com os relógios. O problema é que sairia muito caro fazer isso, e nem todos têm condições de pagar", relata. Oliveira lembra que, antigamente, o serviço de luz era regularizado na região, mas a população aumentou, e muitas pessoas começaram a fazer gato.
Naquele ponto específico da Atílio Superti, 12 casas funcionavam com a mesma fiação. Com isso, Oliveira precisava conviver com problemas, como a água do chuveiro que não esquentava o suficiente durante o inverno e o micro-ondas que demorava muito tempo para esquentar alimentos que, com uma ligação de energia adequada, esquentariam em apenas um minuto. Como não encontrava jeito de resolver a situação do abastecimento de energia, amenizou os transtornos comprando, no início de novembro, um cabo por R$ 480,00 e conectando-o diretamente no poste de luz. Agora, com a regularização, o cabo não será mais necessário.

Sistema oferta energia conforme a necessidade

Segundo o gerente regional metropolitano da CEEE, Jeferson Gonçalves, a companhia tem feito um esforço de combate às irregularidades, instalando caixas com o Sistema de Medição Centralizada, uma tecnologia já usada no Rio de Janeiro e em São Paulo, que proporciona telemedição e monitoramento por um centro de controle. Com isso, o consumo de cada caixa é monitorado e readequado conforme a necessidade. Na Capital, hoje, são 40 mil clientes de baixa tensão contemplados e outros 6 mil de alta tensão.

Cerca de 60 equipes da CEEE trabalham diariamente com fiscalização de ligações clandestinas. Desde o início de 2018, já foram feitas 78 mil fiscalizações, constatadas 26 mil irregularidades e realizadas 61 prisões. O monitoramento levou a recuperação de R$ 60 milhões de prejuízo.

A expectativa de Gonçalves é que, nos próximos dez anos, Porto Alegre e outras cidades gaúchas tenham redes inteligentes. "São sistemas interligados que calculam a energia e identificam a falta de energia na hora. Já temos equipamentos inteligentes na rede, que monitoram o nível de tensão, evitam a variação dessa tensão. É um caminho sem volta", garante. A perspectiva é de qualificação da rede de baixa tensão, que atende a residências, melhorando, assim, a qualidade da energia e prevenindo o mau uso da rede.

Conforme o técnico em eletrotécnica da CEEE Samuel Oliveira, as caixas instaladas com o novo sistema são blindadas para arrombamentos, o que impede a criação de remendos para ligações clandestinas. "A resistência da caixa é muito maior, e se, mesmo assim, alguém conseguir abri-la, o sistema dispara um alerta de que a caixa foi aberta e uma equipe vai imediatamente ao local conferir o que está acontecendo", revela.

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