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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

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Patrimônio Histórico

Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 01h00min

Casa Godoy: à espera de restauração para voltar a encantar

Vitrais, pinturas e móveis de época seguem distantes do olhar de visitantes

Vitrais, pinturas e móveis de época seguem distantes do olhar de visitantes


/CLAITON DORNELLES /JC
Igor Natusch
No número 456 da avenida Independência, ergue-se um exemplar raro na história arquitetônica de Porto Alegre. Chamada de Casa Godoy, a estrutura data de 1907 e é uma das poucas construções no estilo art nouveau que ainda estão de pé. Hoje incorporada ao patrimônio da prefeitura de Porto Alegre, a antiga residência abriga a Coordenação da Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura - mas, como vários outros imóveis de interesse histórico da Capital, ainda aguarda uma restauração que traga de volta, em sua plenitude, a beleza de outros tempos.
A casa foi erguida por iniciativa do comerciante Arno Bastian Meyer e passou por outros proprietários até ser adquirida, em 1939, pelo psiquiatra Jacintho Godoy, figura destacada na área médica do Estado de então. Além de promover uma série de eventos sociais com figuras da alta roda porto-alegrense, Godoy instalou na residência o seu consultório, que ficava no térreo do casarão de três pavimentos. Além dos vários vitrais e pinturas murais, os visitantes têm a chance de se deslumbrar com o pátio interno, uma visão rara em tempos de edifícios apertados uns contra os outros no centro estendido da Capital.
Reabrir a Casa Godoy para a visitação dos porto-alegrenses é desejo de quem trabalha com patrimônio histórico no município - além de ser um dos motivos que levou Carlinda Godoy, filha do médico e última moradora do imóvel, a negociá-lo em definitivo com a prefeitura. A Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural tem, há vários anos, um projeto de restauração concluído, e o governo federal já acenou com possíveis investimentos em diferentes ocasiões. Mas ainda falta verba para colocar o projeto em prática, segundo o coordenador de Memória Cultural Eduardo Hahn. "O uso do imóvel (pela coordenação) ajuda a interromper a degradação da casa, mas seria preciso fazer uma ampla restauração. Algumas pequenas coisas fazemos por iniciativa pessoal, por paixão mesmo", diz.

Avenida Independência tem diversos imóveis de valor histórico

Beneficência Portuguesa faz parte de conjunto de edifícios de valor histórico

Beneficência Portuguesa faz parte de conjunto de edifícios de valor histórico


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Considerada um marco fundamental para traçar as transformações arquitetônicas de Porto Alegre, a Casa Godoy está inserida em um conjunto de interesse histórico na avenida Independência, que parte do Centro Histórico rumo ao bairro que leva o mesmo nome da avenida e se estende até o Rio Branco. Ao todo, são mais de 80 logradouros ligados, de forma direta ou indireta, à via e que constam inventariados junto ao município.
Integram esse trajeto histórico estruturas como a Igreja da Conceição e o Hospital Beneficência Portuguesa. Construções mais recentes, como o Edifício São Paulo, erguido no fim dos anos 1940, também são listadas como de interesse histórico, representando a arquitetura moderna enquanto mantêm alguns toques de tradição.
Além da Casa Godoy, outras estruturas sediam órgãos ligados ao patrimônio. Erguida em 1899, a Casa Torelly foi tombada pelo município em 1987 e restaurada nos anos seguintes. Hoje, o casarão, de estilo eclético, funciona como um dos espaços administrativos da Secretaria Municipal de Cultura. Mais adiante, o Palacete Argentina, desapropriado pelo governo do Estado nos anos 1970, abriga, hoje, a superintendência gaúcha do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Boa parte dos imóveis inventariados da região, porém, não compartilha da razoável conservação de estruturas vizinhas. Nas imediações da Casa Godoy, várias casas apresentam problemas visíveis, como ornamentos danificados e fachadas atingidas por pichações. A tentativa de preservar a paisagem urbana, promovida a partir da listagem de edificações consecutivas, acaba perdendo o efeito esperado. 

Museus de Porto Alegre não correm risco de incêndio, afirmam instituições

O incêndio que atingiu, em setembro, o Museu Nacional do Rio de Janeiro ligou o sinal de alerta em instituições semelhantes pelo Brasil. Localizados em Porto Alegre e integrados ao patrimônio histórico da cidade, três deles - Júlio de Castilhos, Hipólito José da Costa e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul - estão contemplados pelo PAC Cidades Históricas, e o restauro previsto leva em conta questões voltadas ao Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI). Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), nenhuma estrutura do tipo ligada ao Executivo gaúcho corre risco iminente de um sinistro semelhante ao verificado no Rio.
Administrado pela prefeitura de Porto Alegre, o Museu Joaquim José Felizardo precisa de "algumas adequações" para atender às normas de segurança, como admite Eduardo Hahn, da Coordenação de Memória Cultural. Entre elas está a adequação ao PPCI, bem como mudanças na rede elétrica, que não passa por uma revisão ampla desde a década de 1980. "Em termos gerais, ele está bem, precisa de uma pintura e de pequenos reparos. Não é uma situação grave, mas precisa de atenção e melhorias", acentua.
Segundo Hahn, a SMC elaborou projeto para adequação de todos os seus imóveis às exigências de PPCI. Uma das estratégias é inscrever projetos em editais, incluindo certames do Ministério do Turismo.
O Joaquim Felizardo funciona no antigo Solar Lopo Gonçalves, na Cidade Baixa. Parte de uma chácara, aos fundos da antiga Rua da Margem, o imóvel foi construído na metade do século XIX e restaurado nos anos 1980, após ser adquirido em permuta da prefeitura com o antigo proprietário, o Serviço de Assistência e Seguro Social dos Economiários.
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