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Porto Alegre, quinta-feira, 25 de outubro de 2018.

Jornal do Comércio

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Educação

Edição impressa de 25/10/2018. Alterada em 25/10 às 10h34min

Comunidade critica mudanças na EJA

Para críticos, mudanças podem inviabilizar aulas na EMEF Ildo Meneghetti

Para críticos, mudanças podem inviabilizar aulas na EMEF Ildo Meneghetti


MARCO QUINTANA/JC
Igor Natusch
Um protesto ontem mobilizou professores e dezenas de integrantes da comunidade em torno da Emef Ildo Meneghetti, no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre. A queixa refere-se a alterações nas turmas da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), com diminuição na quantidade de classes e remanejo de servidores para os turnos diurnos da escola. Segundo os críticos, o processo pode levar ao esvaziamento gradativo das turmas, prejudicando toda a comunidade escolar. A Secretaria Municipal da Educação (Smed) e os professores divergem quanto ao número de turmas que restaria após a mudança: enquanto a informação vinda da equipe da escola dá conta de quatro salas, a secretaria garante que seriam cinco grupos de estudantes no total.
Professores que trabalham na escola afirmam que o processo eletrônico notificando sobre as mudanças chegou na última quinta-feira. Pelas novas regras, a mudança nas nove classes de EJA oferecidas atualmente causaria acúmulo de estudantes além do limite recomendado pelo Conselho Municipal de Educação, de 30 pessoas. Uma das turmas reuniria os três primeiros módulos em um único grupo - o que, segundo os críticos da medida, faria com que 69 estudantes frequentassem a mesma sala. Das outras três classes no novo modelo, duas ficariam com 45 estudantes e a última, mais avançada, teria 54 participantes. "Não temos salas que comportem turmas tão grandes", afirma a professora Karime de Souza Kiener, que dá aulas para turmas de EJA no local.
Além de dificultar a entrada futura de alunos em turmas já saturadas, a alteração pode trazer impactos negativos no aspecto pedagógico, em especial no que se refere aos imigrantes haitianos que frequentam a escola. De acordo com Marcio Conceição, que leciona matemática para alunos de EJA, o projeto exigiu quatro anos de construção antes da abertura de uma turma específica, voltada à transição do francês para a língua portuguesa. Segundo o professor, estudantes haitianos estariam vindo de bairros distantes para frequentar as aulas no local. "Não há como juntar pessoas que ainda nem sabem ler e escrever em português (com os demais alunos) sem essa transição. A tendência é que eles comecem a abandonar a escola", lamenta.
Os professores acreditam que a ideia de mexer nas classes surgiu para resolver o déficit nas aulas da manhã e da tarde, que estaria sendo alvo de ações judiciais. Um abaixo-assinado circulava entre moradores durante a tarde de ontem, tentando pressionar a prefeitura a cancelar as alterações.
Os números apresentados por frequentadores da Emef Ildo Meneghetti são contestados pela Smed. Segundo a pasta, a quantidade de alunos que efetivamente frequentam as aulas é consideravelmente menor do que as matrículas em vigor. A situação mais chamativa seria no quinto módulo, a chamada T5: somando as duas turmas atuais, apenas 12 estudantes estariam de fato participando das atividades. No total, 115 estudantes de EJA estariam ativos na escola, o que causaria grande ociosidade nas turmas atualmente disponíveis.
De acordo com a Smed, o ajuste não é incomum, e a sugestão é que apenas as turmas 1 e 2 sejam unidas, com o eventual acréscimo do terceiro módulo ficando a critério da direção da escola. O objetivo das alterações, defende o órgão, é promover um melhor aproveitamento dos recursos humanos da escola - uma das situações alegadas é a presença de duas professoras cuidando da secretaria na parte da noite, com atividades bem abaixo da média dos outros turnos. Segundo a assessoria da Smed, as alterações serão mantidas e devem ser seguidas pelo corpo escolar daqui para frente.
 
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